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VIDA
DO VENERÁVEL PADRE
lOSEPH DE ANCHIETA
DA COMPANHIA DEIESV, TAVMATVRG O do Nouo Mundo , na Prouinciado Brafil.
CO MTO STu^
Pcllo P. SIMAM DE VASCONCELLOS, da
mefma Companhia, Lente de Prima nafagradaTheo-
logia, & Prouincial que foi na mefma Prouincia,
natural da Cidade do Porto.
DEDICAD A ^O CORONEL
FRANCISCO GIL DARAVIO
ÈM LISBOA.
Na Officina delOAM da Costa.
M.DC.LXXII.
Com todas as Ikcnf as nece farias.
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FRANCISCO GIL DARAVIO'
Magnânimo , NobiliíTimo.
O ^.tí^íàlõVtV^tonúivjSos da Companhia de Icfu, _ ^\, ;^ €tgí^|elicíc^de.
E coM^^^^^^f'^'^^^^^^^^ huuatielda Com- panhia de Ie[u , dedicar/eus liuros , a hua das peifo as nobres, que mais fe a(ignalou em animo de Bemfeitor.&defenforda mefma Companhia; E com fundada mfequencia, que quem a defendeo nos bés,
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é'p(^foasjambem a defenderâ^msefcritos. ^íi que deter- mino femirãqueileelliUo^tãopoflú em raZaô^cho que âe- uodtdÍ€^.f eflt pequeno trabalho meu ydoliuro do Venera- uelPadmloT^pb de Anchieta Vrouincial ^ que foi nejia Prouinciã, a P^ffba vojfa muy nobre fenhor Coronel Frâ- àfcoGilde Aratijoi porque no feculo âmqueviuo^& na Cidade em me efcreuo^ nem reconheço ^ nem venero outro ^ que mais fè^matajje no animo publico, &fecreto, de Be- feitor ,à' defenfor no ffò^O Primeiro líuro, que tirei â iuX^^ noannodei^^^idavidadovenerauelPddre Io ao de Al- meida^ dediquei ao General Saluador Corrêa de Sâ,& Be- nauides.Gouernador, & Reflaurador dos Reynos de An- gola, porque aquelle liâro voWpu7j2oRio de Janeiro ^& a- chei^que naquelle feculo ^^ naquella Cidade ynaÔauia> morador entam^ que mais mmpeajfe em Bem feitor, & de- fenfor da Companhia. Jp: fiando ãuro, que dei ao Prelo noannode 1663. eram knnaes^&Chronkasdo Braxilto- do ,à'pâTeceo dedicado ãdReynof[(> Senhor , que Deos guarde ; porque foram oS Séreniffiniô^ U4^sfius Antecsf fores os maiores ^emfeitoi^e^tmmtmíãemff^ Rehgfâm, em todo o Ejladòfiindadorés0dotâddrâ liberaes de [eus CoílemosMfietercároliurú^foquedenõmfâi^ mejmo eflillo ydeneceffiâãdi^hedeiicado àvofja NobreX^, è Coronel Magnifico, ptlairaT^ens^qm^lcomo diffi) m* nhecidémente en vos comc^rmdeBemfhmr^ & d^t^úf daCompanMa,publico,à^fecretori%^^m^^
Eu nam pretendo trã^ratefreiràpofmânor^ as ra- \úens^que (upponho de vojfa^aBde lrèm^ciml0h êffijpòf'
que
qnejeyfe off^mde vojfa modejlia com loumres próprios -xo- mopotnuè Uè con^a^que andam ellas publicas ^ namfo na Prouwcia, mas ainda na Europa toda^ onde nampode oc- cukarfe a liberalidade de animo de hum nobre morador da Bahia.qmde htíafò ve'^fe^ doaçaè de trinta mil CruXà- doSy pêra edificaçam de huM templo da Companhia de le. ÍHy E ijlofem que por efiaobrapedijje oagradicijéenro ^ que depois Wâciofamenie lambem lhe offereceô a Compa^ nhia^& d€ que quite lia mefmafa^^r obrigaçampubÈca, ^juridica^ Enâmfoieji^o lanço mayor ofendo tam qran- dè ) Em mais eflimàmos oums quotidianos ,cò}n què hè no- tório ^defendeis d rèputdçam^& credito no fo^ dèmàis èfii- manque o dinheiro: Deixo âè fecontàrtajôspanicâlàresy por fâbidos , é' publicou Digo jòmmte que pofef mco)2he€Ídal òbrlgdçòénÈ Nop Renerendo Pãdrè Gop fuino Nickel Geral dê toda a Companhia 3 ouue porbèM mcòrpòraruos nèlíà.pot irmão _, . coni todas as graças elpí- fittidès ; & pàrttâpàçdmdnmmclmmtos^quèàoT^àm òs próprios Religiófôs com titulo outro f^, de bem feitor injigne da Còmpdnhid yque dõoudt hãd^JÍH}ei,qu'ãto bãffauã pèrà fundaçamdehuUCóllêgiõpmtrês Mijjasjè^trts Coroas por to da d Compdnhid no ^Mkhfpo muhdo^ fumas as Mais pdnicipaçoens,quêfamddtnJ}tttitò:&0rB tudo ioM ti- tulo dê fundddof da CdpBíídmòrâo têplo nouo fkfnptuô- fôydeflê CõlleQiô dd Bãhia^ cÕM direito particular ãbfolu* tó^pòrefpmalgraçd concedido ãedjfektdr nèlUfepUlmra perpetuãpera njoS.& iJofo§ dêtcèndenm s tóMinfcripÇãb, ■^^armd3 de nobreza :Co!tfdtèd}ê4 rârys fènhófes . cònee-
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ãidã .quanto ao domínio abfoluto. Efiêfois,& ejíesfaovof fis m ere cimentos em toda a Copanhia ( o Nobre befeitor) é^ na m/ó por vos. mas ainda por vojfa família toda no- biliJTtmadeGys^ Arauj os, G areias . Aragoens ySiluas .Vi- menteis ; Nas quaes he couja certa Jam tantas aspejjoas. quantos os Bemfeitores .nam fò da Copanhia. mas daTPa- tria.doRey.&daFè'
Mas porque foffe entre tantos a pefoa Dofafingular em merecmentos.co7itra commum dos outros homens, vos côncedeo o Ccú dous Paes . ambos infignes Bemfeitores\ Hum por affinidade. outro por natureza. Hum por afini- dade.por fercafado côa Senhora Mariade Araújo. Maf vojfa; outro por natureX^a.porfer natural Progenitor vo^- fo enfegudo legitimo matrimonio^, Foi o primeiro o fenhor BalteXardt Aragam. Gouernador.à Capitam mor . que foynefle Eflado.mjo animogenerpfo deBemfeitor,& De- fenforda Pátria, do Rey.& da Fe, mo/l f ou na vida;, & na morte .• DeBemfeitoro coroou a vida. de Dtfenfora mor- te, quando faind^ àpelela'?taual, contra hereges inimigos dapatria^yjà' Fé. chegando a fer acclamadoporvião' riofo. rendidos jà os inimigos por dejlino alto do Ceo.a nao Capitania. em que pelejaua forte. ypoderofa, com occaftam de hum pé de veto. correndo à banda a arte Ih ária. fe virou j, ér foi ao fundo ; E nellaaffl armado, com o ejlaua ^ hum dos mais esf orçados, & vakrofos Capita ens . que tiueram osfeculos prefenteSjGouernador aãual .& Capitam mor do Eflado.comfentimêto eterno da Bahia. & todo o Brasil O Pay progenitor vojfo foi o fenhor Capitam Pedro Gar- cia.
cia que Deos tem em gloria^ tam co nheádopororaiides ri- aue'^ as f orno por orande animo defaherdejpendelas .- De aiiemfe afirma ^ que fe todas as dadiuasde beneuolencia^ com que ohriqou a Republica , & mereceo o titulo de Bem- feitor da pátria Je juntaram em bua .podiam enriquecer quatro cafas de famílias grandes, F aliem ospohres^os ne- cejjitados.a Santa cafa da mifericordia, & as Reitgioens; Entre as quaes a Companhia namferà derradeira, & di- rá com^ 'verdade que sò emvfo do culto diuino , defpendeo em fuás lorejas cantidade de muitos milCruTjzdos. Efe foi bem feitor da Republica por benefceneia.NaÔ o foi menoí pello efpirito generofo /om que a defendeo pel/as armas, Foielle hum'' dos primeiros Capitaens .quenoPorto, & Eraya defta Cidade fe oppOK.perfi,& feus familiares, â en- trada,& primeiro furor do inimigo Olades, ate caírem ter- ra morto, com huapehurada, em mjofuccejfo , & comfen- timento igual fe di(fe entam, o que la o Matuano àe Trota Troia nunc ftares,Priamique arxalta ni^t\txc%,que fenam cairá efle Capitão generofo, a Bahia efliuera em pkRefpei- tando a efles merecimentos fomente da morte de dous Pap, que deram a vida pe lia Pátria, Rey,& Fe, chegou hum tu- riofo> emhuaDecima , a daruos titulo dePay da Pátria^ ^ de merecimentos dobrados.
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Pay da Pátria femiguaes, Vos podem chamar,porque Por Patria,por Rey,por Fè^ DaesavidadedousPays,
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Nam pôde chegar a mais, O voíTo alto merecer, Que fendo hum fó no nafcer, TraçaíTe o Fado benigno. Per modo ião peregrino, Que foííeis dous no valer.
Pois, fepelloquehefàafles dos Vaysfois aualiado tm do- bro, que fera , por merecimentos próprios : & falando ago - ra do Pay que vos gerou ; Ouui algum dia por em quefiao^ qual excedera na ienefcêcia?Se o Pay ao Filho? Ou o Filho ao Pay? Duuidarão muito sjnasfe mepregutarao a mim\ âera meu voto com diflinçam ; Bi fera que o Pay ; Porejla ú raXam-yPofque pode gerar hu filho igual a fy, & julgo nam poderá o filho gerar outro igual a fy embeneficen- tia, por mais que influa nelle a natureza com f eus ihefouros todos : Aprendi arepojtado Sábio Crejfo em ca7j)feme- Ih ante. Preguntáua CambiXes Reydos Perfas, aosfabios d d que He tefnpo^ qual excedera emvirtude Jemelhante , fe elle afeu Pay^fe feu Pay a elle. Dijferam os Sábios, que excedera elle afeuPay; Porém Creffò a meu ver mais fa- bio, dijfeo mefmo por termos diferentes ,'P\^'c\Q tuus tibi Pa-: ter praciuit. Nam ha duuidãydijfequevojfo Pay vos exce- deo a vos .• Reparou o Rey, porque fempre querem os gran- des fer lifongeadospnas lo^o mref cento u Crejfo o meu argu- mento. Óà\2L te gcnuit filiQ,cui tu parem non habebis,quã- uis natura theíauros fuos omnes eíFundar. Vojfo Pay julgo, queexcedeo,&araz,am he ^porque gerou hum filho ^'■' feme-
femelhantea fy,&vèi nam podeis gerar hum. filho igual a vós. em beneficência, ainda (jueariaturcTji influa com (eus ihefouros todos. Efiebe, efi^he,(aBemfeMrma'f^Mmmo) ojui\omeu,queíòniflo,àporifiocÒfià£roa vofo Payem iieneficcnciamapr,porqueg6rõU-hm filho benéfico nejla matéria femelhante aíy,& nãmfarece podereis vos gerar outro, quejejafemelhame d vós hefla virtude ,pojlo que in- flua a natureXa com feusthefouros to dos. Parece com tudo que me atreuo milito , porque fiei quegerafles hu filho ,a cujo venioem tam tenra idade ouço cantar la buena dicha , de %ianeira quepoffaÒde(mentir juixos prefemes fuás obras futuras. E em tal caio b afiara diier(edevòs,quefuppoflo quenao poderes tirarão Pay , o (er primeiro , podeflestirar- Iheoferfò ,& o ferfegundo. .
Porém tornando ao intento, por outra via pretendo mo- firar que fendo filho excedefleso Pay,damefma maneira, que Camhifes Reyexcedeoofeu,poraãosdecreaçam,& virtude própria ; Porque pode a artegetat filho fnaiorque a natureXa. Poferam em duuida os Douíosi/e podia a vir- tude da creaçam produzir efpiritusmais generofos, quea virtude dagèraçaoià feguirammuitosaparter.egatiua;
forque a virtude da geraçam f dexjam ) he do fangue , & a da creaçam he do leite ; & mais rigorojo he o fangue , que o leite pêra a erarefpiritos grandes. As condições, os coflumes, inclwaçotns,diJpofiçam,fermofura, & todas as mais per- feiçoensdogerado,atribuemfecommumenteageraçam,& fangue: Do fangue lhe nace , por geraçam lhe vem, coflii- mamos dilerfizms alto á fanguine Teucrôm, deZia là o outro aabandofe defuagenerofidade , por nacer de fangue
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Uos Trojanos y ijio pafeceo à ah uns. Vorèm que tenhh mais força o leite que ofangue^acTeaçam queageraçam^ afim de produXir noíHhofpirimgenèrofos .infinao a ex- periência^ reXaÔ, & Authoresmaisgraues^Votqueo leite hefanguejà cofido ^ preparado^ & com qualidades mais efffcaXeSy que o fangue/egudo AHfloteles^ Alberto magno, Abulenfe, á" comum dos Au thores .• Segue fe logo que com> mais efUcaúa infiueo leite da crtaçamnafemelhâça das todiçoêSjCoflumeSy & inclinaçoensj^oas^ou mas do minino criado , que o fangue do ventre ^ a geraçam. He refo Inçam. dos DD.poreJlas palauras. Maior eft ab vbcre quam ab ^teroin filijs (\m\\\mào.NaÔnegãoquedehua ^& outra pane tomem a femelhança ; Mas diiem que he mayor adospeitos ,queado ventre; a do leite^quea do fangue;. ddacriaçam. , quea dageraçam. Supponhamos huma criança gerada com fangue humano , & criada com leite de ferassquaes feram entam os co^umes Joumanos fiu feri- no s'i Saíram ao fangue fiu ao leite? a geração fiu a criaçam? A experiência diT^y que ao leite y & a criaçam : Mojlram os feculos muitos exemplos , viofe criança com inclina çam de correr faltar ^& trepar, & fabida a caufade taes coflumes, fora criada aos peitos ,& leite de huacerua. Viofe outra, que tudo eràenhdarfe ,& reuoluerfe em lamas , &fabi'> da a caufafora criada âpeitos^& leite de híi animal ím- mundo : Pois affi como nacem de criaçam , & leite co fu- mes feros i quando o leite , & criaçam hèfera Affi nafcê coflumesgenerofos .quando o leite-, & criaçam hègenerofa Em vos í o Coronel magnifico ) muito obrou a gêraçam, &ranme; Mas obrou raais a criação ,& leite, Foíles
mo
fogo de tenra idade entregue a hçoens de ^íinernalà' co o fauordefla Deofa, creceflesem beneuolemia dos Mefires da Companhia, que nella vos criauam , como aquelle ,que andados ostempos entre ejies ameis de ter Irmandade , (emelhança na vida Jajigo^ ^ Maufoleo na morte. Paf f afies quando de mais idade, de Minerua douta , a Bel lo- na guerreira 5 Aprendejtes iplojo [eus ejlillos , fe^uiftes hrwfofuas preeminências , experimxmajles fuás fortu- nas varias : De huma , & outra Deofa mamajles o leite , do de Minerua tomajles a doçura ; do de Bellona , o vi- goro f o devoffos adeofados brios. Seguindo efies , reconhe- ■ceovojfo valor efla Cidade , quando cercada do poder militar do Conde de Najfau defende/lés o for te principal, apeXardofogo ardente de(eus arcabuzes. Talafles cam- panhas Julcafies mares , tam briofo Capitão naquellas , como nefles: Em hua, & outra parte fullenta(les a guerra ^anguinea , â cu/la juntamente de fa'^enda , & fangue: Diga o, alem da Bahia , Pernambuco, Seregipè delRey^ Rio Reaíy cujas matas^&prayas trilhajles.vertendofeus campos em Elifeospera os fo Ida dos , que ali fujlentafles, dr alegrajles,a cujla das faZ^êdasgrofas que nellespoífui- eis, & os enUqueciam\ Porque entre o leite de Minerua, ér fangue de Bellona foffes juntamente benéfico , & belli- cofo, A efla beneficência pois tam conhecida, a efle animo tambelíicofo , nam só em bem, & defenfamda Compa- nhia , mas da Pátria, do Rey ,&daFè , dedico efle final pequeno de agradecimêto , aquífera dedicar maiores per a memoria de eternos feculos- V ALE^
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'^^%'^^'^ILLVSTRISSJMP DOMINÓ, ■ "■^^^ Sapientiííimo juxrà V ác foti^ísimo Hefoi, -
GÍLÍÕDEARAVIQ^
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Olim pedeftriuíii Copiarum>Clafsifque Prxfeao ftrenuif.-
fimo, nunc Brafilic^ Gentis inVrbè Bahia Tribuno
^'émericiifiíTio,R. P. ac íapíentirícriptoris Simonis de
^ Vafconcclios Societatis í ÈS V^U^ccrím coiendiííi-
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^>€c Tihi digna fui qud munefa àèâicat Autor '-^^ '^^^'Ino-entí luã fum\ nm aliena putes:-^^ MãmfT^^ l(^fl'i<^'àis longe miMm^omniã mm ^<Cum ãedem.ma [unt/jã-ãTtlpí cunque damm^ Accipe.daqmfmul .- quifijlitur^acápe libnm\ ■ ,T)espatrodnif,quamftbiqumtfipem, Uec^uia Dux armUfis deàitm.abjice iihrum, ' ■ , Vàm íihmetiamdeditm vfquefofes, Vnamanmgladium.ferãtímncmanm altera libnm;
V troque ex titulo fic mihi Cdfarerts: Hkfub puluino Tibtfit, veiut alter Homenm
Sic,& AlexanderTuquoqueBuãorerls. Hunc videas librum ; mhil& ,ni(i grande .videbis:
Huncleges nú parmm, nilniji grande Jeges. Tu, FrancifceX^^'^ fmulefl Ancheta legendm: Maonum e([e in cunãis esquis vtrumque neget?
^tam bene 7naieries libri, iihriqueV atronm
Conueniti Anchetapar es^&illeTibi. Ille Nontdmpfimusdecorauh Apoflolus Orbem^
^^rimà Orbem decoras nobilnate Nouuvi. Ille Nouifuit O rbis Atlas X^ ^^^^^ carenti
Atlanti Alcides auxiliafis ades, Cimque tuiVitam hanctuearefauoris in aura^
Hicfacis Alcides ^nemoriatur Atlas.
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.JRODIGIOSl ANCHIET
DigniífiiTio Hiíloriographo. PHALERICIVM.
nr* Otdeftderijspmtmolm
__ Iam tandem putet Anchieta mundo ^ Viuens à calam o elegantiòri. Sero de tenebriscfiterere^fêro TMtiprodigtj exjife Vitam, Et curas menti otcupaffepmíi. At lente fuitvíqueprorogaflàum , gluo Printepsfactlèvnusinteromnes Vaíconcelltus emicaret orbe^ Sohisparoperifuturus Ainhor;^ Cuiusfubcalamo AnchietatantuM JB.qua\is fihi,cMen(que major [êí^ahsBraJilL^refulJit ons)
^th ^V
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i Vi. i.i i.
Vllo effulgerepojfet abfque damm$:^y.^\ Curvltràmororexplkareverumf Certo cenimefl ,quòd Amhietam '^numexúmmbusorbismqmlinis Latéprodiqijs celehrionm
Solumpingereconcolorepenna Vafconceílms vnm .inter omn es Scriptorproãmodor^valebat,
yENER ABILIS P ATRIS I O SEPHI A N CHIET^
Cujus Vkam typis mandat Religíoffimus P. Simón de VafconcelIos,expeaanda propediem Apotheofis.
QVis negat Anchetam jam num fupera alta tenere ? ^is dubitetfuperos inter habere locum í Illim hd^c meritlsjampridem debita fedes :
Hanc^ vbi!umfa£íis premia certa, tenet: At nondurnfacris akaribus enitet: lílum
Isíondum/iuo fuperos^rbis honor e colit. Necmirum efl, latuère diufa£ía inclyta: at Orbis
Vix ea^ qtice nouit.fadía colendapmat. ' N une tamen, vt câlamoSimonis [cripta patebunty
Et to to incipient protinus Orbe legi, Anchetam Ccelo credent jam defere zentes :
Nam quis Simoni nolit habere fidem / Vox vbi Simonis Chrijlum confeffa Tonam em efiy
Mox Chrifium cdpit credete turba Denm.
«c^v.
Sic
Sic modo, quem Simonpenna C^loinferit.Orbis lamfummo Anchetam fentietejfepolò^
Siforfan, P etrlfruimrqui fede vice fque. Expiei j & in termmumafolus o bit,
Simoni^ vt debety touque ajfemiat Orbi, Ancheta ex omni parte beatus erit, v
IN LAVDEM AVCTORIS.
^V^-N \1 -
Lia Nouumfubeantne mundum obãuia.faãa ' Ancheta mundo prodígio fa refers. Tfodimjsnouus tile Nouofluporextitit Orbe,
Tu quoqueprodigium es mundo in vtroque nouum. Si calamo tecum contenderet Orbis vterque.
Digna tibi duplicijure corona for et. - ^•
^àmjine flore foret Florus i ãluàm liuidustpfô . / :
Liuiusi Ad Curti curreretorarubor, r J
Verba daretfibi luflinusTaàtufque taceret,
Tranquillufque flculis captus& ipfe Cato. Mille fales illi, tu du leia facch ara mifces:
Gratia amara illis, fedtibi dulcis erit. Spirat arundineos fert quos Brafilia/uccos
Hiccalamus ; redolet pagina quaquefauos. Si calamos nullisferretnouus Orbis in oris;
Hoc calamo dulcis mundus vterque foret. Orbe Nouo ad Lyfiam quàm dulciafercula mittis /
Dona Bm ingenio [untgenuina tuo.
Vtile opus dulci mixtumefl :punõíum omne tuliíli •
Aureus
Aureus inpretíPèfi^rãellem. ofeàl>ey^'{!: m'^\^^^. ^^^^ • ^idtamen Ancjkm vis claudtr^fãBài^wolumen
Hocmagni Amketdtamhreueéme^^ /v^ 1^ Ciaudere vis calamomiraculaMmsiò^ agris;
S^isThaumaiufgusconferetãlttmpem^ O caue^ ne dgrotis noceas^quibusillefaímem "^'^ ^%
Nonita j rem íenèoi^^^oletvtvãocíus^ """ '^"
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Accurrens ^alãihsc tudpènna dãBif. ' ^ ' ^
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E0aceíehmêmpre^ que tama/ieSy .,-^, . .,- .
F ama immonaiaiVi)ffo nome delias.^. ,.
B apen?2a^com;qMeatodMsfii(pendçJie^^^^^ . ;.,.^
Emvirmozatõbras realça/les. ■■•.; rn>5Va\\\v^Ts -^ Louueuosonouomundo .quehonrafies, ,.yy^,^^./^^ "
OBtaT^l^^eefcreuendoenriqmcefleSy.^^^
Mais rico f orno Liuro.queJixsíieSy . .
^ue com ai. ricas drogas que louuaflts. De Anchieta as vmudesinãuditaSy "--,
Se terã m,uito valor por elle obradas ^^ , •
Muito temdetúmior por dleefcritas. Traças Diuinasforão decretadas y
^
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Pêra
Vera que mantidlhas miaica dicas Torvolfapenafojfempidkaâm,
O V T R O
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ALLVDfNDÕ A LA P ROFECIA DEL venerauelP. lofephque predixo muchos anos an- tes , que huuieííe el crigOjde que oi es tan abundice laVillacfeS Pablo
Ofephes ^dis^flãmiracion de imundo^ Vnofahiopremnoelpan guardado , Ou^yo enfu Dí04^orto j confiado^ SópTofetiXa cíMfader profundo*
: Mas en todo elfegundo ^finfegundo y Excedíò delprimero ^ lo admirado ^ Pues delpan natural ^y delf agrado , Fuedefpenfero entodomàsfecundo.
Vioproph eticamente eíruuio grano Opimofiempre ,en quanto alfollufiente^ E/pejo feferuiere ei Oceano^
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Dando alimento a tantapobregenfe, Conelpan material, yfoberanoy Vida delcuerpo^ almapermanente^
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PROLOGO
A O L E I T o R
Vare NT A, &: mais annos ha , que a ProuinciadoBrafildezeja fahira luz có a vida do grade Padre íoíeph de Anchie- ca^naó porque falte no mudo noticias de feus feitos heroicosjmas porque náocraõ cabais. Porqae as primeiras, que efcreueo o P. Pêro Rodrigues da noíTa Cópanhia , Prouincialquefoy nefte E:ftado,foraõ tiradas mais de corrida do que pedia obra rao grade, bc mais por acudir a dezejos,que à grãdeza da hift;oria:& por efta primeira in- formaçam cõpós o P.Sebaftiaó Beretario os cinco liuros com que fahioaluznoannode 1617. por mandado de noíloR. P. de louuauel memoria , Cláudio Aquauiua em lingua Latina 5 &c depois os traduzio na Caftclhana o P, fcfteuaó Parernina , da mefma Companhia , huma ; &C outra, fe bem obra de eítilo elegante, & graue , diminuta com tudo em muita parte, &ia!ta das circunílancias de cazos , tempos , Òc lugares , que coftumaó fer alma da in- telíigencia,èc fatisfaçaó da hiftoria Nota que raramente deixa deacontcccr aos que efcreuem auzentes, ôc mais quando a diftanciahe cal , qual a do Brafil , a Europa,
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De-
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•^y^epois-dâquellaprimeirainfbrmaçamdo P. Prouin* cia] Pêro Rodrigues, fundada na inquirição de feu zelo:, & alguma diligencia juridica ordinária 5 por breues Apo- ftolicos dofummoPontifice,Prefidenteentaõna Igreja de Deos ,0 fanto P. Vrbano V 1 1 1. fe começaram a fa- zer deíde o an no de i6zo. por diante , em todo o Eftado do Brafil,geraijuridica,& exaãa diligencia fobre as virtu- des^heroicas deite venerauel P. & fe formarão delias pro. cciTosautenricos, nos quais fe deixa ver por extenfo a excellencia das obras marauilhofascom que tem ^dmira^ do aomundo.Heílà noua diligencia Apoftolica,& Pon- tificia vemaíerarezao, porque ha cantos annos, como djffe/efuípiraneftaProuinciaporhúa hiftoria cabal de taríi prodigiofas marauilhas.
Cometeofe em primeiro lugar eftaemprezaao P.Igna- cio de Siqueira de noíTa Companhia, Theoiogo , Prega- dor,& judicioro,de cuja penna fe efperaua obra igual a ka engenho 5 Poréaifruftrarameftas efperanças enfermi- dades de muitos annos, & depois a morte deíle Reli- gíofa Entregoufe em fegundo lugar ao P- Macheus Dias, iieligipfo de feipclhantes partes, que recolhendo em á os documentos do primeiro,& começado a pòr em efti- loa hiftoria;a variedade dos tépos, & guerras da Prooin-^ çi:^,.& as do Reynode Angola o leuaram áquellas partes em cópaohia do Gouernador Franciíbo de Sotomaior J onde acabandoa vida étre rigores das armas Olandezas, queíenhoreauama terra, ficaram juntamente com elie fepultados os documentos , & principies do que hia obrando: até que andados os tempos no anno de 16Ó6. confiderando os Superiores que tardaua dernafiado a hifloriadezej^da das façanhas raras defte fegundo Tau-
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sa-
MáÉ
maturgo do nouo mundo , a maior feruiço ào Deos , 5c promoção da Beatificação que efperàmos da benignida- de da S. Sede Apoftolica ; comeceram ao fraco talento de minha penna eíte intento,maior que ella •• no qual fia- do na graçadaobediécia,coftumadaa obrar milagres, eu poz logo a maõ, interrompêdo a hiftoria geral das Chro- nicas defta Prouincia , com que me achaua occupado, òc dasquaistinhafahidoaluz, como primeiro tomo. O
queíuppofto.
Nefta determino ajuftarme em tudo com os proceí- fos juridicos , &: autendcos,alTima refcridos,examinados em ordem á Canoniíaçam Pontificia tam efperada, òc al- gumas outrasquc antes deftes foram tirados com autho- ridadcdos Bifpos.&c Prelados deftaDiocefis,apontando fielmente â margem os lugares do depoimento das te- ftemunhas , &c fam eílas cantas, 5c tais,que merecen cre. duo legal, 6c tanto maior , que hoje faoi mais os Autho- resque1:em publicado pello mundo eíla matéria, entre todasasnaçoens,òc línguas, 5c todas poucas pêra tan-
tahirtoria.
Aduirto aqui aos leitores , que naõ he fô elte grande P.3quclle,cujas e^cellencias andaô diminutas pello orbe, fenaô quefaô tantos os Varões illuftresque nefta Pro- Viincia acabaram a vida com fama publica de iantidade,6c exemplos raros, que le aíTi como andam Tuas notícias def- r.edaçadas por vários Authores,ouuera neílas a mefma diligencia, lahiraó a luz grandestomos,5c hiílorias tam peregrinas,que puderam lUuftrar a Companhia ; mas foy a caufa dcfta falta, porque no mundo nouo em que efta- mosjoccuparaôfe os Miííionarios mais no obrar que no cícreuerj 5c ha differençamuy grande entre contar os
*=•"* iij tra-
os trabalhos osqueeftamauzentcs, ou defcrçuellos os qus iam prefences-Iram com o fauor diuino refufcicando daquiem diante eftas fepultadas noiicias , & cotejadas coBi as que hoje viuem, &: fe veneram por outras partes, acharfe ha que eraõ fomente reliquias em comparaçam de hum corpo mteiro: Vale.
TESTO D OAVTOR
SVccede muitas veXes nejia hifloriãvX^rde nomes de Santo, Mamr, Profeta, Múagrofo , & outros fe-- melbames falando do fuj eito delia fiu de muros PP, "veneraueis que occorrem : & chamar fuás obras mila^ grafas , Proféticas , famas , & c. Declaro que tudo faço fegundo eflilb commum dos Hi/loriadores fomente , & modo de f aliar ^ entendendo bem quefo a (anta Sede Jpo-- flolicapode dar lhe de veras femefh antes títulos. Pello que pretendo alujlarme c6 os decretos que nefa matéria fepr o - mulgaraôdafantidade dojummo Potifice Vrbano VIIL &(e contra o theordelles neffes efcritos /e acharcoufa que defdiga, tudo fometo â correiçam da mefma fanta Sede Apoílolica pêra que o emende. Bahia trinta de laneira dei66Z. Simaó de Vafconcellos.
B
LICENÇAS
9
POr ordem do Padre Antam Gonçalues da Companhia do Icfus, Prouincial da Prouincia dcPortugaJ reui eíla vida -tio iníi<>ne Varam oVenerauel Padre lozeph de Anchicra.quc còm- poz o Padre Simam de VaíconcclIoSj Prouincial que foi da Proum- ciadoBrafil nella admirei o eftillo do Audior.pois he dar ]uz ao xjieímoSol, ter palauras pcra encarecer virtudes tam raras> & tam peregrinos milagres, & prodigios,por fitam marauilhofos&erclare- cidos,quea qualquer outra pcnna abatera os voos o iiti^oíTIucl dá iaualarofobido da matéria , mas a felicidade dcfla lhe da azas pêra que fcf^uramenit poíTa voar onouoTaumaturorodomunJo nouo, admirando a todos juntamente com òs pof tentos queobrou,&com >a elcírãcia de quem os cfcreueo : & aífiai nie parece obra múi digna defc imprimir : Caza de S. Roque 27.de lunho 6^p. ^ ^ ^.^ ' . ' 1 L Trancifco 'Leite.' t
HE admirauel cfta vida do maior Taumaturgo no Brafil, re- trato na America d^s marauilhas do grande Xauicr na Afia» VVtncraucl Padre lo^cph de Anchieta : o Author qucacòmpoz, he conhecido jpor outras obra^ que imprimio. Quanto cila fedi- lata.tanto fcpiiuam os fieis de grandes fruitos, ôco mefmo Deos de caloria. S.Roquei dclunhodeióyo. , —António Ct^ruiíílhol
-3Uti
•'V .k;
i_.., .",..-ii'-Çfj^g y4'*iÇiJ>
oíwanM^i^ivwi^
ANtam Gonçalues da Cornpanhia de lefus,Prouir»cíàl em Por- tugal y pdrpàrticular cemíniíTam que peraiíío tenho do Rc- uerendo Padreloam l^ulo Oliua nofio Prepofito Geral, dou licen- •"^a pir^-fe irnj^í-ímir-o Huro da' vidai& milagres do Vcnerauel Pa- Gi^tírózephdé Anchieta da Conípanhia de Icfus, Taumaturgo dô '■ÍÃTáíil",c<)mpoft'apelJò-padrcSimâHi; de VarconcelJos da dita Com- iitniiq panhia
j' í i;: I
" M!i:
pãnhiaque nomefmo Brafil foi LMáie prfiMádeTli-aoíogiâi&Fi^ uincial.derpois de vifta,examinadâ, Sc approuada por pcíToas doij • .tas, ôc grauesde noíTa Companhia. Em teftemunho doqtfsldti cftapor mim aíTinada^ôcíeíadacom ofellodemeu oíEcio.Lifboa I de Iulhodei670.
u^ntamGcnf alues
Vlílasasinformaçoensquefeoúuerampodeíe imprimir o li- uro da vidado Vcnerauel Padre lozeph de Anchieta da Companhia de lefus^compoftapello Padre Simam de Valconceí- los da mcíma Ccmpanhia,na forma que vai emendado, & ácfpois de impreíTo tornara ao Confelho pêra fe conferir com o original, &fe dar licença pêra correr,ôc fexn ellanam correra.Liihoaii.de Ianeiro<le 1^71.
"Diogo de SoH\a. Fr. Pedro de Magalhaens, Manoel de Maga . íha'^ns ãe Mcnez^es. TyVertffimo de Lanca^ro. Alexandre da Sjlua, Francifco Barreto.
o
Doutor Manoel ílibeiro Ferreira veja cfteliuro, Lisboa, &: em Cabido fede vacante de Janeiro ts.de 1671.
. Cordes»- Teixato: -
í eftelíuro, &nam achei nejle couzaque impida dar voíTa Senhoiciâlícença pêra qafi-fedn)pi;im^Xi^hpa.5. de Fçuer^
Ribeiro^
•iO/-. :.b
■^."Tx^^,?. íif''
Odefeimprimi r Lisboa,& em Cabido fede vacante de f euc-
rdro.4. ide 67 li \ii :íb çiíkicqn^c' :^ íd ò^ují^noD rnciM
Ormiandado de vòífa Alteza vicfte liuro da vida dioPadre íozcph de Anchieta da Companhia de Iefu§> & nclle nam a- hei cou^apelia qual fe poífa negará licença que fe pede pçra fe im- primir
primirjntcs méparecefer mui conueniínte fairaluzpera eduica- çam de todos os queolercm.fabendo os exemplos deluas grandes virtudes.o zcUó da faluaçamdisalmas.emociualcom tanto trui- to trabalhou. S-popingos de Lisboa.hoje 2 de Março de 167,.
QVercpoffa imprimir viaas as licenças do Santo Officio, & Ordinario,ôc dcípois de impreflo, córnea efta mezaperaíe conferir,ôctaixar. Lisboa, 27.de Março deé7i.
;}
S '^Monteifoi Magdhaens de Menezj^.
Vlílocílar conforme com feu original pode correr efta Vida do Padre lozephde Arjchicca.Lisboau.deNouembro ^t7i.
Fr Fedra de M.igjhaens. Magalhaens de Alenez.es, Alexandre da Sylua. Manoel Timmtel de Souz.a, Fernam Corrêa de (a Cerda» '-'^-
TAxamefteliuro emdes toftoens . Lisboa u. de Noucaibro de 1672. Monteiro. Lemos. Miranda. Carneiro^
ítc**:*
J^
DOS LIVROS, ECAPITVLOS
contem nefte volume.
LIVRO I
e s E
Cap.L
;:ii''
EJuà Ta-
trta > nact- \ mento iCria" ' çam^ C^ oc^ cupafõensnofeculo até entrar n^ Companhia de lefm. Foi. i Cap. lí. "Varte íoz.eph de An- chieta per a o Bra/il^juntamen'' te com outros Rehgiozjos da Companhia de lefhs* Foi. 6 Cap IIL Defcripçam da terra ^
agente do BrafiL Foi. IO Cap. II li. Sabe em terra lo-^eph com feus Companheiros : Co - meça apor em obra feus dezjs^ jõs t He mandado pêra S» VicentCi ^ dahtpera os cam- bos de Ptratininga^dajje nO'' ticia delles^FoUij
C^p.V^Adododa pobre z^a^ ^ ordem com cjue ajfentou ca^ %a i ^efcola nos campos de IPirdtminga : Como igual- mente enfmaua a Imgoa lati^ na.aprendia a dos índios ^^ attendta ao bem dai 'almas-y ^ conta fe hum caz^o celebre àafufpenfam da chuua. Foi;
Cap. VI . Modos nj avios com o>ue conuerteo muitas almas por Jii& feus difctpulosz, E mo' dos njanos com que o Infer- no opertendta eJioruar.FoL 28.
Cap. VIL Mortenjenturõz^ê do Irmam Fedro Corrêa efiu- dante^humdos mais ferno^o.
ZiOt
Z.OS difcipulos de loz^eph : ^ Cap.lX. De aígumus 'coi^z^a^
de feh companheiro loam de notauets (]ue ^tconteceruo^^.r
Cap.VlIL Dos méíis dtÇci^ulos loz.eph. Fol.^y
da e/cola de loz^eph, alem do c^P ^-^^^ ^'^^^ ^^'"^'^ ^^ ^^'
Jrmam Fedro Corrêa, Foi. zephpera os enfermos dt Vor-
LIVP.O II
Cap.I, |-^y4 RebelUam dos
jL/ ^^àiõs Tamojos
confederados coma naçam
francez^ contra os Portt^^
guez^es no Rio de Janeiro -F. l.
Cap. 11. Chegaram a oumdos dcl-Rej Dom loam Hl as
reUfoens da entrada dos Francezes no Rio de lane iro -^ acode ao Bra/ll comoGouer- nador Men deSà-^^ do que começa a ol^rar.FoLào
Cap-Ill. Tarte o General Men de Sà pêra o no de lanetroy acomete i ^ rende a Fortale- z,ítdeVillagailhon\ Vatre- fazerfe a SVicente^i^njolta vencedor à Bahia» Foi. 6^
cap. IV. Continuamos Tamo- yosfua Rebelliamy aptltam, ^ matam muitos a tmtta- çam dos TamoyoSireb^llam' fe tombemos Tupts.f^ farn deJbaratados.Fol.6i
Cap V. F^irie lozeph em com- panhia do Tadrc Manoel de Nóbrega a metei fe entre os Bárbaros a fim de effettuar pa\es,oi4> acabara ^td^ : fao hofpedados delles : Encon- tram ^ pazes do Rioyperteri' dem a matar os Fadrts : Tí?- mafe o primeiro .ajfento, FoL
Cap. Vi. Corremos Padres ou- tro notauel perigo da'Vtdai ^ efcafam deile por merce de T>eos : Fafmam os ^ar-- baros de fuã commencía - ^ Jirmafe o fegundo affento dc^
pazes, Fol.yg '
Cz^.VlLRefolue Nóbrega par^.
ttrfe pêra S .Vicente : Jue- .rYígua ahi três profecias de Io- Zeph : Fica lo\ ephsô entre os ^Barba ros,feumoao de vmer a dm iravi el : Compõem a vi- da de N. Senhor a emverfoy ^ prome telhe ella,que narn **^* ij ha
m'
ha de morrer em qaãnto a nam acabai p,or mais a ff om- bros que lhe metam os 'Barba- ros.fol.%^
Çap. VIII. PrafetiZia la^fpho refugio de hum grande fen^ go a hum amigo ; da 'vida. a huma criança com a fagrada agoa do Baptifmo : K^ft^f- cita outra defh&is de enter- , rada : Pertendem matalía os ^amoyos do Rio com grandes ajfomhro^ifem effettt) : Def- cohrefe hum grande enredo^ confirmamfe aspaz^es, ficam todos a mtgos.foL 9 o
Cap \^,Ve nadas as dtjpculda- des do amor que ttnha aos índios , ^ eftes a elle , parte lozjeph pêra S. Vicente em
^^'hama canoa de casca : pa- dece h uma fera tormenta i profetiz^a que ham de chegar afaíuamento : Lima os ver- • fòs que fizer a> tí d^dicaos a Virgem Senhora noffa^fòL^^
C^ip.X.Chegam aTortugal no» tias das paZies 3 Adanda a Eaynha a Efiacio de Sã com dousgate oens a Bahia . '^ar^ te dahí afenhoriar o Rio.- ^^ eh a que eftam rehe liados ou- tra veZt os Tamoyos : yai re- faT^erfe a S. Vicente; Entra ^m duuida da empre^^a ^ ^
refoluefe de acometera Rict fol.99
Cap- XI. T^arte o Capitam j^yór Efiacíode Sà de S.Vt- centât^com elle lozjeph , ^ outro companheiro : Chegam ao Rio : Fort i fie amfe dak^V" rap era dentro y ç^ alcançam 'vitorias r?$emoraueis,fol. 103
Cap XI í. 'Varte loZoCph pêra a Cidade da Bahia, 'vt/ítando de caminho o Efpmto Santo: l?er[uade ao Gouernadcr Geral o necefiAriopera ague- ra : Ordenafe de Ordens facras^Ç^ volta com o mefmo Gouernadort em foc corro d^ Rio : Cotafe hum fmcejjo ma- ramlhoZiO de vencimento de l%o.canoaSffaL no
C ap.XIlI. .Chega a armada de Aien de Sa ao Rio , ^ com eUa o Padre loz^eph : aco- mete Ejiacioie Sà a todo a poder o inimigo , ç^ficafe- ridamortalmente : 'Pr ofegue agmrra Saluador Corrêa de Sa até render do todo os con- trarias 5 E toma o Padre Io- \ eph a S, Vicente foi. 115
Cap. XI V, Parte o Padre lo^
z^^ph de S, Vicente : He iture
o batel emquehia à terra de
huma Ballea acanhada por
fhccejfos maramíhofos : Che^
gam
' gam ao RiOydJjííte afâdaçao
do Collegioy^ cÕuerte ahihu
Herege Francês y foi. 12 1
Cap.X V. De alguns caz^os di-
gnos de memoria do Padre í o- Zfphyqiie acoteceram por efie mefmo tempOy em cjue efhue
no R to de lan eiro,foL 1 1 8
LIVRO III
Introduçam, (^ aduertencioi aos Imros fegmnteSifol-MZ.
Cap.I. T T E eleito o Fadre X A logjeph em Reitor do Coilegio de S^Vtcente^^ caz^as a elle anexas : Sua íw tellegencta em l^heologia^ Ef- critHras fagradoAy^ púlpito'- B aUumas maraailhas de dentro de ca^ afoLilS
Ca^ ll.Contíníéam as maraui' lhas de caZia^foLi^x
C^i^ ^^^- Adarautlhas fora de ca- ^ayreuelaçoenSy^vífoens, ^ proftfciaSyfoL\4,^
Cap V^ .Continuam as maraui- lhas de fora de caXji , relafO" en^tÇf pyofeciaí»fd,i$o
C2i^>^ .Hifloria celebre de Dio' go índio refufcttado : E de outros dous Indtos que líuroíi da morte, e fiando em cordas pêra ferem comidos ,foi\^^
Câ^y^' Do grande efptritode mijfoensde loz^efh , ^ dos favtores extraordinários cjue nellas Ihefazja o Ce o 5 Efpe^
ctalmente da canoa perdida de que efca^ou com milagre**' E de outra ij irada , de que fahio fem fe molhar ^nem jeíS BremarWyfoL 16 1
Q^^yi\.,Contínidam as mara- mlhas de fuás miffoensi*'fpe-' ctalmente de S* Vicente pêra ltanhae,folM%
Cap VI II. Outras miffoens por ruarias panes ^ efpecialmente deS.Taulo,foU7>^
Cap. ^^s^aconuerfaodos Ma^
ramomis deS.Vicentey ^ hu
ca,z^o ejiranhoique tndo 'vtfi-
tar a S Vicente lhe aconteceo,
fol»\%4.
CsipXVarias reuelaçoens,^ profecias do mefmo tempofoL 189
Cap.XI.Z)^ outras reueUçoens^ ^ profecias do m efmo tem" pofol. 195
Cap. XII. T>e outros milagres que fez. em S*Vtcente,foL
Cap.XllI. Outros milagres fe^
melhanres,fil' i07
^*i^* u] LIVRO
LIVRO IV
Cap.I. X T Em chamado o Pa- V dre lozj^ph pêra o Collegic da Bahia, & obra neUecazjis maramlhozjOs*t\} Cap.ll. De modo com que foi eleito Proutncialt ç^ do e/pi* rtPo com que governou afi, ^ m fi4 hdttos^ foi. j[8. Cap 111. Defeti modo de 'utuer ordinário defpois dèfetto Pro- umaaUe quato ejieue naBa- •i. : hía,todo maraUílhoZiO'foL 12 $ Cap, IV. /)^ outras mar anilhas matsnotaueis^ que obrou no mefmo CollegtOifoL 232 Cap. V. Milagre celebre dafau- dedo l*adre FrãcifcoPintOiÇ^ profecia dos trabalhos,^ mar- tino que auia de padecer y 238 Qíi^MUParte Ioz,eph a njiptar o Río de laneiro , ^ capita- mos do SulfÇ^ obra diuerfM maramlhaSyfoLx^.^ Cap. Vil. He recebido em feu Collegio com aplauz^o de to- '^dos, ^ começa a obrar ma- rauilhastfoizsi
Cap. Viu Vaivt fitar as far- tes de S. Fícente,(^ obra nel- lasalguas mar anilhas, foi i^V Cap. IX. Outros milagres íio Río de lanetro ^tè o anno de
\^%lfoLz6Z
Czp.X. Profecias .^reuelafo- ens do mefmo tepofol. a 6 5
Cap. XL^Z)^ huma armada que aportou ao Rwde ianeirot^ das maravilhas que com ella obrou, f 01^270-
Cap. X I L T)a pef caria celebre de JVLaricaa,f^ das mar malhas que nella obrou, foL 274
Cap. XIII: Scenafegunda das marauilhas da mefma pef cariafoLx-j^
Cap.XlV.T^r/^ do Rio de la- neiro pêra a 'Bahia , liura o nauio de dous perigos gr aues, (f alcança faude m ilagroz, t aolPadre Ignacio de Tolo^a folMi '^'
Cap. XV. Succeffos murauilho- 7 os que obrou na Bahta^até^- caba rfeu Prouinctalado. 2 8 $
LIVROV
Çap.I
*uat per mudado pêra o Rio de
"' ^ [j. 291
Cap;
xY^^^SixaloZj^phocaT" 1 Jfo da Promncia, Janeiro, ç^o queallifaz,. 291
Cap.II. Vai permudado do Rio de lanetro fera a Capitania,
\M Effirito Sãto^^faz^errefí- dencia em bua das a Ide as . ^96
Cap.lII.Dtf ontra carta digna de memoria que efcreueo a hum Sacerdote , toda de falauras dafagrada EfcriturayfoL 301.
Cap.lV. Cazjos maramlhoZiOS de profecias y (^ remlaçoens que teueneflaaldeayfol' 309
Cap V. Parte pêra a Bahia a af Jlíiir em hvimx Congregaçam Proainctal Jorna pêra a mcp ma aldea,^ obra cazsos ma- raí4ilhoz.oSifoLl\^
Cap. V I. Entra loz^eph afer Su- perior na caz^<t do Efpirito S, (^ fuás reZiidencia^^^ como fe ha noofficioyfol.iid
Cap. Vil. Dí? do de fuoi profecias & reuelaçoens njfta cafa, 320
Cap.VllI. Entra o Irmam loam de Almeida a fer dtfctpulo de lozjfphf ^ como aprende em JuaeícolafoLizz
Cíi}p.\X. De outras rtuelaçoensi t^ profecias do Padre loz^eph, que mofiram maiSiaf acuida- de de He dom fupremo.fol.zz?
Cap "K.Reuelaçcens i^ fiofc cias particulares crn jucccjfot degucrra,fol'y.o
Cap.Xl. AiíUgres que obrou pof ejte mefmo tempOifoL }3S
Cap.XlI. ^Dafim lo\eph afeti (uperioracio , torna pêra a aL" de a de Kentigbay &' osfuccep; fos quenella tcue^foL^iS
C2p.'X\i\*Cctfnuana ca^afua
comAãlefenciattorna {fo<a do
efperaJo) a fer Superior , ^
continua ju(U marauil''^ oi ^te
tornar pêra Kentigvajoi^ Sj9
Cap- XIV, Torna loz^eph pêra Reritígbay põem fim àfuape^ reerinaçamiÇ^contafe o modo defua dttoza morte ^foL 3 42
Cap X V. Sentimento dos Indi^ os na morte de lo z^eph^^ co- mo foi por elles UuadokVil' la emproaram de planto, 34J^
LIVRO VI E VIL
Cap.I. C^ Ara muttos de di- i3 uerfas fortes de do'
resfol. 3 5 3 {febres^ 360)
Cap. II. Qjiehe aduogado das Cap.II K Que he aduogado de
partos, ^ apojlemastfol. 371. Cap \Y .Doutros 'varios caz^os
marauUhoz>9StfoLv^
COí^.\* áf^Omo dominou os
\_j e V ^ me nto x, ^c. 382.
Cap. 11 • Como dominou o mefmo
hmiSiCreait^a mais nobre *190
ç^gp 111 De (ua perpetua inno-
cerictd^ tlli/firadade todos os
âoens,qt4e Adam teuenopn*
m eiró efia do foi, 399
■-nx%'*^m'^<lrXí.q^7) ^^E t\:. ^o^n^íí^í^H^vv Vv-I .II.gS^
\/enei^bi!is f hsefh Anchieta e^ SocicUtc hsn s^
LIVROPRIMEIRO
DA VIDADO
PIOSEPHDE ANCHIETA
da Companhia de Iesv.
CONTEM OS ANNOS DB SVA PVERI-
" cia ide fuaentradana Cõpanhia de Icfu 5 partida pêra '" o Brafil , & Capitania de Sam Vicente 5 & do que neftas
partes obroU , fendo Irmamíem Ordens facras ate a e-
rade 1)56.
CAPlTVLOl.
p efuaV atria .nacimento ^criaçam ,& occupa^ çoens nofeculo , até entrarna Companhia de lefu^
A no meyo domar Atlãtíco cerca- da das goas immefas do Occeano hiiallha, a quem os homens der ao O nome de Tanarife,õc a natureza o ^^^ j^,, n^,, fcr húadas dozeprincipaesqoece-|---a.*^ . lebrou a antiga idadade. A todas ru,. chamaram fortunadas ,quando ain- da naõerão conhecidas todas fuás venturas; ôc nos hoje lhe chamamos Canárias, ^.x..; z De todas eftas fuás fortunas, afim antiguas ,^Como mo- dernas , podemos ter em conta de f^^^'^^?^.^''"'^^^^ narifehum iofeph. fcaeito maior do que cabia ern noua^,,^ ^^,^^^^^ pena , pois no Orbe todo naÕ cabe :E defta principal trata- dcftMiih,^- rei fomente aqui, por que parece maior acctto empregara
ZT Vida DO P. Tos EpH DE Anchieta;
^!ío^ii'%] penPxa em fortunas moraes de hú Santo, quenasnaturaes^ n. « 4y. /'/í de huma Ilha : cantem em bora os Homeros , & os Antigos ^"^^'^^"^'^^/ckYiptctcs de Tuas glorias, as grandezas que acharão iMõííí^^rr^Jíiaqiiellas Ilhas 3 defcreua5 feiís campos Eli zeos, feus cli- j. cap^y. mI mas benignos , feus doces frutos , em fuás bé limadas Odèá. fh-htfi.pai» Celebre Platam as felicidades doReyno, èc Ilha de Atla- pa^.é^. chro- tc conucttida em mar -.Cujos ofscsfaó neíle tempo (fe da- %']f'iy/^ mos credito a hiftoria de feu Timeo ) eftas Ilhas éc as de to- feufiihooinf. dt)0 mar A tlauMco partes de corpo taÕ feliz , que foy maior D. :nrtqiie. ^^ ^^^^ ^ Africa , ôc Azja. Celebrem finalmente os Mo- dernos , os Barros , os Mapheos 5 as mais hiílorias chro- nologicas de noíTos tempos , fuás boas fortunas mais nouas,' de quando gentilicas , òc de quando chriítans; Que eu pre- tendo fomente tratar da primeira . & principal de todas , v- nicofruito que enriquece© o Ceo, & o mundo 5 & he fo- mente lozeph de Anchieta. Mas hcjufto também que fefai- Outrafortun«ba outra fortuna boa, que cabe o ao Brafilj&hcqueeílas Tâiurifeper- Hh^s (fcgundoa defcripçaÕ geographíca dos mais peritos)' tepceioBra- ncm peítenccm aEuropa , ncm a Africa, nem a Azia;&côi íequétemêtc pertence ao mundo nouoda America: Cont rezao logo coube à eftaregião efte principal fruito feu 5 ^ o communicar ao mundo feu valor , ôc eftima. deftasiíhTs!" 3 Demoramcílas Ilhas cm sj. graos da Equinoccial. Fo-; joat^t Barros. Tztn dcfcubridores delias em noíTos tempos (de pois de po- SiXÍ/jíTí)' ftas ja por feculos em efquecimento) osportuguezes, (que joaõiMma fempretiueramcfta fortuna de achar, & defcobrir coufas : J^i ' grandes) reynando em Portugal o íereniílimo ReyD. loáo * ■' II. & paíToudcpoiso dominioaCaftella, tendo alli o cetro
ElRey D. Fernando.
4 Nefta Ilha pois Ta narife, huma das bem afortunadas, í^*"!?^j^^°'^5tcuefeunacimentonoíro lozeph de Anchieta , fogeito v- fortra feus nico delta hiítona, pella era do Senhor 15 33. Foram ícus Paes igualmente nobres , ricos, & de conhecida virtude , (a me- lhor herança dos filhos) Era o Varam natural de Bifcaia> dccendcntedacazados Anchietas, de parentes maiores em -. ~ GuU
Pâc$.
Livro T Cap. T. $
Guipurcoa Defta cafa fe dis , que algum tempo andou en- contrada cornados Loyolas , folar de noílb Santo Fatriar- chi Ignacio (^dos porquês naõ meconfta)&: fcaííi foy , o- tra do Ceo parece que vieíTem a vniríe cm humíòeípiritu de reli<Tiam, os dous ramos maiores de tam altas profapias. Nam taltam com tudo conjcaiuras, que foy efte varam Portuo^uez , ôc natural de perto de Coimbra. Tudo podia fer , nacido elle em Portugal , &de Paes, & caza Biícai- nha: roremoqucachoemefcritos, & teftemunhas fide dl<^nas , he fomente que foi natural de Bifcaia : Foy a May namraldagran Canária, cabeça principal daquellas doze Ilhas , & outro fi de progénie nobre , & rica. y Crioufe lozeph em cazadefeus Paes , em perfeito te-j^^ ç^^^^^j mor , & amor de Deos, doutrina pura denoífa fanta Fé ,9»"''«^ p"- primor iuntamente , &: cortefia , que competia a leu eltado. ,í,ío,. Depois de deílroemler, efcreuer ,&algus principios de grã- «t>iv »4» matica^que cabiam em feus tenros annos, foycnuiado com ,^
outro Irmão feu de mayor idade , à celeberrima Vniuerfi- dadc de Coimbra, (que entam florecia no mundo) para que ^^ ;. alliíeaperfeiçoaffe na lingoa latina , & atendeíTea maio-^^^f^y j„Ef. resfciencias; eílas verfou nasefcolas dos Padres da Com-coi.s dosPP. panhiadeíefu 5& creceo nellas de maneira, que em bre-nhude i.fn ue tempo foi confummado em todo o género de humanida- ^jí"J^™*j= dcs , quealli coílumam infmarfej ôccom conhecido lugar nho. entre os mais finalados engenhos, que pella doçura com que oraua em profa,& cm verfo, lhe chamauão por antono- mazia , o Canário, por aluíam à Pátria , & paííaro , que mais agrada aos ouuidos dos homens. AíTi o celebraua no Brafil, depois, feu grande amigo naquella Vniuerfidade , o Bifpo D. Pedro Leitam. PaíTou ao curfo da Philoíophia , ôc penetrou com não menor engenho aquellas fubtikzas inexauftas, que foram fempre aluo de habilidades.
6 Deíla maneira andaua lozeph occupado j contempo- rizando com o mundo, idade, rezam de eftado, ôc vonta- de dos Paes, que para efte fim o mandaram àquelle lugar
A ij celebre
maiores.
4 Vida DO P. losEPH íinchieta.
celebre no Orbe , proua de engenhos , Aula de bons co- ftumesjôc fíorda nobreza de Portugal, 5c ainda de Rey- nos eftranhos. Porem o Ceo que tinha intentos maiores, & cobiçara o génio , ingenho , dirpoTiçam , & vontade pura * ^qui ohu CO defpgeito tam grande , pe ra vir a íer o Apoílolo de hum no* p:racou£.s uo mundo, hia difpondo nelle outro modode eftudo muy differente 5 outras claííes , ôc outros preceptores de fcien- ciasmaisaltas; Deftescftudos mais que dos primeiros , e- ta viílo a temposTahir a defabafar aos campos , pellas ribei- ras, & finceirais do Mondego inflamado o peito, & fufpi- rando ao Ceo dezejando acertar a feruilo. ^^ 7 Entretodas as outras virtudes , â que mais lhe arre- rf?a w\xpnA bataua a alma , era a da pureza virginal , qae até efte tem- Ssuhor", & po guardara inuiolauel, fogindo de toda a occaíiam de per- proiroem (je||a . tcquc cntrando cm humaio-reia, que dizem fera de vida da Sc Cathedral , Ôc pofto ahi de joelhos ante a imagem da Virgem Senhora noíTa , feRtiohtimimpulío interior , que cl^. 4 Vlff'.lhe acendia o coraçãoj & deílahora lhe confagrou com vo- ^j^ 1*^.1 C.2 toexpreíío fua virgindade:foi fempre crecêdo depois daquel- &prHef.paf \c voto cfta alma ditoza cmfciencia, & intellieêcia do Ceo, •'' ■ bufcãdo nouo modo de vida , em que pudelTe aííegurar fua
Cõfagrou voto lua pu
faluaçam, & ajudar ade todos os próximos. Efcolheoparae- íl^ efFeito feguir o eílado de alguma das fagradas religiões: E veio a aíTentar que efia foífe a Companhia de lefu , que flo- recia naquelle tempo em Portugal , erpecivlmente em Co- imbra , c5 exêplos notaueisde pobreza , puteza & derprezo do mudo. Foy fácil de efíeituár onegocío,porque era afsas co- nhecido na Vniueríidade fua virtude, exéplo.&engenho^ôc iam amaueis, & dignas de fer admitidas partes femelhances. 8 Entrouenfím lofeph na Companhia de lefu, deu vitimo n"^Comp^.&'^2^^ ao mundo ,aosTegalos da verde idade.âs efperanças de ttítaneiia de f\ja caza3aPâes> parentes , & amií^os 5 para de todo liure
fua perfeição. ^^r^^^•r^r ^
entregarle a Deos. Aqui fendo íomente de 17. annos , aju- dado da graça diuina , & do fauor da V irgem Senhora nof- ía, que para fempre tomara per Patrona , obraua ja, nam :,.- como
ertcnde o
mon cftío*
LivK O T. C AP. I. ^
como pequeno , mas como anciam na idade. Trataua fo de co-rrheGCríea íi mefmo , os enganos da carne, 6c os dclcn- gon-osdo-efpiritopormeyodo caminho ícguro da obediên- cia, & mais virtudes religioías.
9 Senam que no meyo deftes feus cuidados, nam defcui- J*^' daua o inimigo commum dos homens j pretendeo atalhar- nsrfuí pcr- Ihe o i^aííò ,comhumagraue, ôcperigofa enfermidade jôc ''^'" foj derta maneira. Coftumaua o feruorofo principiante en- n^d. & Pau tr^eosmeios , quecfcolhera deíua perfeiçam , ajudar na I-^"^'"' g«eja âMiíía, todas quantas vezes podia, que ao menos vi^ nham a fer oito em cada dia. Poré como era tenro na ida- de , 2c a continuaçam de joelhos neíteofficio por tantas ho- rasdemafiada , caníados os oííos com o trabalho exceíTiCio, eõfti cearam aí entirfe fracas ,& doridos por aquella parte que fe ajuntam com o oíío, a que chamamos facro , viti- mo do eípinhaço,Ôc logo a eílEderfé a dor por codo elle com afflicçamdemaíiada. Mas como era o efpirito forte, & ofer- uor de padecer conftante , nunca reperfuadio lozeph, que poderia o corporecebermal,donde a alma recebia gofto iam grande; Refiftia com todas as forças ao conflióto , oc- cultaua o perigo da luta ,eom maior valor que prudência j fofria, gemia , dobraua o corpo ahuni doslados , ôc cin- giaíe eftreicamente com cintas apertadas Porem nefte mef- mo remédio coníiílio a mor força do mal^ porque apertado o cfpinhaço com demazia , lançou de fi junto aooíTo facro as cabeças dos oííos, que allifeataó com os mufculos, ôc dcfatadcseftesíem firmeza , contrahio lefam disforme no cfpinhaço & coíl:ellas, ficando o corpo a huma parte penfo: outros querem ,que efla lefam foíTecontrahida da pancada de huma efcada , que caindo lhe dera nas coftas : Huma Ôc outra couía feria , que fam vários os ardiz do inimigo de noffas almas.
lo Sentia ofoldada nouelverfe diminuido nas forças, 6c com fealdade no geílo 5 temia nam foíTe efta falta , caufa' de fer repudiado de entre os outros de Companhia tão efco-
A iij ihida.
iJDi
£ VlDADOP. loSbPH ANCHIETA^
Vcfc m'.tido[jyiJa^ ipor rnenos apto pêra fuás emprezas. Porem foy h' P?rpíml'de-,ur^ defcujclado fc via , por ma-
he iiiire delia j-auilhofo rutccíTo 5 porque encontrãdofe com elle o Padre fequ^vrioSimãoRodrigues de Azeuedo , varam deconhecida faii- ^"^''" tidadc, companheiro quefora do noab fanto Pacriarcha, ôc Ro4. U.i. Prpuincial , queentamera de Portugal , lhe diíTe as paiaiiras /Ji'^'/'''" feguintes. Filho lozeph, perdei cíTecuidado.com que andais .1 ' porque Deos vos nam quer commais faude. Eílaspalauras fe lhe imprimiram na alma, & remontaram delia toda a tri- llcza. Ecahio entam, que donde pretendia o inimigo, que o combatia , tirar vidoria ,dalli tirouo deftino fuperior do Cco , a traça vnica de feus intentos grandes , porque con- tinuando fua enfermidade por tempo de três annos , & pa-. lec^ndo o mal irremediauel, confultados os médicos pe- ritos, refolueram osSuperiores paíTalo ao Brafil, terra noua- ende por fama a clemência dosares era benigna, ôc acom- modadososmãtimentosâfuacompleiçam : Da executam deíiepropoíitodira o capitulo feguinte.
GAPITVLOII.
Parte Io feph de Anchieta pêra o Brajiljuma-
mentecomomrosReligiofosda
Companhia de lefu.
lORRiAoannodonoíraredempçamdei553 Sc corria ainda como coufa noua,&: portento za
entre asgétes.o eílranho defcubriméto do nouo __ mundo,que aparecera entre o abifmo das agoas
do Oceano , pouoado de nacoens fem numero de gentih- dade,dezemparado dofocorro Euangelico , & alheio do conhecimentoda Fé, depois de nellaseftar efcondido defdc a mefma criaçamdaterra. i A fim de alumiar eftas gentes , & cíle mando nouo, ti- nha
Éâfti
mahclado o Padre Simão Rodrigues de Azeuedo Prouincial .J^cóV cm de Portugal com fauor do fereniílimo Rey D. loam 1 1 1 ';^^^;'^^^ o primeiro focorro de féis Varoens de prouada virtude , a pordu^vc.c» faber o Padre Manoel de Nóbrega fuperior , o Padre Leo- í^'»'"'^»"^- nardo Nunes , o Padre loam de Afpicueta Nauarro, o Pa- dre António Pires, ôcdouslrmaons Vicente Rodrigues, & Diogo lacome , partidos de Lifl3oa ao primeiro de Feue- 7^,^.,, ^^ reiro do anno de 1540- & logo oucro por meyo do Padre ^'^^^^J;^^ Miauel de Torres vifitador da Proumcia de Portugal , de qua^tro Padres, a faber AtíonçoBras , Saluador Rodrigues., Manoel de Payua , Franciíco Pires, parados de Liíboa no
annode(55o. ^ ^.^ n^m uni.nor,.
3 A eíla empreza pois tam aílinalada mahdou agora ^m^ *;j,^^^^^l
terceiro focorro daquellas almas dezemparadas ao "^^"^p;";*^!;^^^.^' Miífionario lofeph de Anchieta em companhia de outros 5^o^„o,. íeis Religiofos , que dezejaram ir acabar a vida entre aquella^^^^^^ eente barbara , & eram os feguintes OPadre Luis da Gram , chro. /,«.i. da Keytorque fora do CoUegio de Comíbra , o P.Bras Lou-^-^i^-d,^''- renço.oP. Ambrofio Pires , 5c três Irmaons loam Gon- falucs , António Blafques, ôc Gregório Serram P.mdeLJíb.
4 Partio eftetam importante focorro de Liíboa as. de»D.dein}. JMayo do ânnoja dito de i^ss- (fegundo o computo que te- ^^^^_g^^^. rho por certo, cuja proua , contraosque temo contrario /^.^^»^«n5^ depois trarei a tempo , que nam interrompa o fio da hifto
ria ) em companhia de D. Duarte da Cofia 1. Gouernador do Brafil, fidalgo illuftre.filho de D, AluarodaCoftaEmba- xadorquefoydel Rey D. Manoel aoEmperador Carlos V.
5 Deu finalmente ónoífoMifionario juntamente avela ao^ ^ ^^^
vento, & vale ao mundo, no mais florido de fua idade, que ^^aò^^sr era fomente de 20.annos5 fez troca do velho com o nouo mundo , largando naquelle a natureza , ôc bufcandonefte ^ ^^ o cfpirito. Nam acabaua de crer tanto bem 5 configo mefmo ' '%^^]j fe efpantaua de fua boa. dita No meyo das noites mais fere- - ' nas retirado a lugares fecretosera fentido como arrebatado ContépUccíí
o o J A ' T que í'nh» pelo
cm contemplaram , a vifta do mar , oc do ceo , Aqui lo-mac
feph.
■tié
f%
,fii^
5 VíDA 00 P. losEPH Anchieta: feph,deziaro configo, fabe agradecera mercê que te faz o Autor deftes elementos. Que coftas vio em ti o Senhor pê- ra pezo tam grande? quedirpofiçam ? que faude ? ouquo talentos .-^ que junto com os mais apodados Toldados te mã- deconquiftar hum nouo mundo cheyo de milhares de Bár- baros /"o Deos r* o luizos eternos ? diz bem a Igreja Tanta , ■qaeeTcòlheis Senhor os mais bayxos da terra para emp rezas
^£ grandes^Talcícolheíles hum grande Ignacio Patriarcha
noíTo /depois decoixo, pêra correr o omúdo &c5quiftar asalmasdelle, paraque viííemos que aquellespaííosnam c- ram effeiío dos pés do corpo , Tenam das azas do espirito. BemTey , meu Ucos , que o Arlantedefta carga, namham de vir a Ter minhas coftas -, Tenam as voíías lauadas em Tan- gue. Viraõ a Ter as minhas ( Te vos me ajudares) as de hum Si- rineu, que ajudem as voíTas, ôc cooperem na Taluaçam das almas de outro nouo mundo. Aceitai Senhor hum nouoSiri- neu que fem fer cõpellido, Tem Toldo, Tem intereífe propõem de àjudâruos hurem€nte,atc morrer com voíTa meíma cruz.
6 Quanto mais creíciao curTo da viagem , tanto creTcia . AMcíter- o vigor de loTeph,no corpo , & no eTpiriro. Elle eraoque
uií^iw^N.ô, Teruia aos companheiros , na cofinha , deTpenía , & mais &^4e Peos. oíficios neteffatios , com Tummo cuidado, &c amor. E nao
>(n «
^Vi
ío aos ReKgÍDTos j a todos os Nauegantes Teruia , como Ir- maons 5 Sc comofe ja come^çara a Teruir Teus amados Braíis. Enfinauaâ dou£bfina chriftam aos Mareantes , no conués; falauâlhe da Taluaçam , Ôcobrigaçam que tinham a Deos. E veio a Ter de maneira que parecia a naô hum Gollegio de gente reformada.
7 Defta forte hiam vencendo as dificuldades da viagem caqudieseTpirituaes Argonautas , quando chegados a prin- cípios de lulho começaram a ver conhecidos íinaesdater- BMffiTiânça '^ ^ dezejada: Pullam os corações de prazer, Taéaver com ferro na Bahia ai egriaos montes,os aruoredos,as praias, quehamde pizar Samos. tantos annosrE aos is.do meTmo mez de lulho lançam ferro na Bahia fermofa chamada de todos os Santos
Onde
.A 7 Li V RO T. C AP ITVLO IT. ^
8 OnJe ia que ellanios recolhidos, tomadas as velas , ôc maii ddcaníados . aucriguemos o co mputo do tempo quef;;7>;,^';j^ leuamos .fcauado arriba prometemos 5 6c porque nceamconna a';;as
* o , . , ' ,,. j ri <t q'^' rinha n
muitos o anno da partida , dizendo que toio de 15 ^ 2. c>c oconuzz,c, naóde 15 .3 como affirmamosiEvaimuito peraaboadiípo- íkam, & fio dahiftoriaverifícarostempos delia. Pêro de ^^^'^^'j;^^^; jvíarisde vária hifloria noV)fW-: 5. ^^p- ^- tem para fi que foi a partida deftes Miífianarios no anno de 1552. ôc o que mais he , que o liuro dos aílentos do Collegio da Bahia, em quefeeícreuem por ordem de annos-, & dias os Miílionariosque vem para eíla Prouineia , tem aííentadoa vinda dos prezenres no anno de 1552. oque fem duuida foi erro do computo, ou de pcnna , que achei também em ou- tras lembranças de maó ancigas Senítoerro auenguei cla- ramente por aífento mais certo do meímoP. lofephde An- chieta, que temdefua pfopia letra, cm partes diuerfas de íeus apontamentos que foi eftachegada noannodeiss^par* tindo de Liíboa em companhia do Gouernador D. Duarte daCofta as. deMayo, & chegandoa Bahiaa 13. delulho do mefmo anno. Omermo feguem Nicolao Qrlandinonas Chronicas geraes de nolTa Companhia , Im. 13. n, 6^- &c o P. tíleuam de Paternina na vida do P. lokph, pag. zj. e^ 44 6co P.Balthezar Tellesnas Chronicas de Portugal part. 2. iíií. 5. cap. 6. 6c daqui fica dado principiei© á foluçáo de outros cômputos errados,que ao diante nos pretenderão
cftoruar. 9 Temos contado a nâuegaçam de Tofeph, &: feus com-, panheiros ; & como o gofto , & ainda a obrigaram da hi- íloria . he ter noticia dos lugares que vai fupondo, & por onde Icuao fogeito delia; demos aqui numa breue noticia daterradoBraíil, ôc da Bahia cabeça delle ondeentramosj digreííam neceííaria , ôc feguidado commum dos Auto- res.
B
CAP.
lo
Vidado P.Ioseph Anchieta:
Arrumjçam
ca cerra
«*3*í*-8S>3- í^-£^.8#3'.£*l i^- f*3 S*» É*â-*í*S*3-g*3'.g3>3'€®a.g^.£^. e^ -S^S -KK 6*3- 8S>3 •^- í^' '^J-
CAPIT?LO III
Defcripçam àa terra agente do Braíil.
Al lançada a Regiam do Braíil do meyo da Zona , a que os Antigos chamam Tórrida, pêra a parte Auílral do trópico do Capricór- nio , éc Zona temperada. He Tua forma triangular. Pella parte dó Norrc , ôc do Oriente , que Ircfpeitaaos Reynosdo Congo, & Angola, he lauada das agoas do Oceano, Te feu principio junto ao rio Gram Pará, por outro nome das Amazonas , da banda do Loeíle , def- de o Riacho chamado de Vicente Finçon, que demora de baixo da linha Equinoccial, &vay acabar em outro gran- de Rio que chamam da Prata , com iioo. iegoas de coíla pouco maisou menos, ôc 33. grãos <ie altura , poílo que al- guns Ihedem mais. E fam eílas as duas faces do Triangulo, que a terceira faz alinhado fertam. 2 Ficam eftes dous Rios.o do Grâ-Parà,5c o da Prata, fen- do termo,principio, fim, ôc ainda largura da terra do Brafil, Brsíí? , os porque abarcam có a excenfam de feus grandesbraços a cir- rT.l^D *J° cúferenciado fertam,fazédocom elleshu como femicircuio &daPrau. dcmaisdc Koo. Iegoas Samos Rios majores detodo o Vní- uerfo, qualquer dos que celebram as antigas idades , a vifta do Rio Grã Pará fica hu pequeno Pigmeo ,em c5paraçam de h u Gígante:E a vifta do Rio da Prata pouco menos,por- que aquelle tem70.ou 80. Iegoas de boca,eíle 40.& amaneí- radagrãdeza da boca.hea dos corpos. Do Grã- Pará aífir- mialgusque tem de cQprimento 1500, lego<ís,outroi 1600. outros mais. O Ganges , o Tigres ,0 Eufrates, o Nilo, jõ- tosem hum corpo, fam pouca agoa , em comparaçam de hum fo Gram Para. Quem quizer veras coufas portento- zasdcftesdous Rios , de fuás Ribeiras, de feus thczouros ,
de
9B
Liv i^ o T. Cap. IT. it
de fuíi fertilidade, de fuás Nacoens , mais de cem diuerfas cm lingoas , & coílumes , de Gigantes , Pigmeos , Monftro- {os, Amazonas&c. Veja o liuro primeiro dos Prologome- nosda ChronicadoBraril,derde^/>j^.i«. ^ n.ii em diante. Alem deftcsdousRioshe todaaterra amododchubofjiue, receada de muitos outros , que vem pagar tributo ao mar, fazédo íuas prayas alegres com fuás bocas,barras, bahias.ala- poas. Contamíeem numero zoo. caudalofoSj&naueo^aueis.
o . . . , 1 n Aviltída
3 A vifta primeira junto ao mar ne como murada eltatcrca hc %W terra em grande parte pclla natureza de altiíTimos montess"- todos alegres, enfeitados , ôc verdes 5 que quafi excedem o voo das mais ligeiras aues: Os Pireneos, os AlpeSjOsOlim- posmaisafamados da Europa, nam tem que ver comeftes arandescnontes. Arrebatamos olhos aos Nauegantes , que correm a cofta , nam fó fua altura immenfa , mas fuás for- mas admiraucis, a frefcurado aruoredo, ôc o quebrar de fuás agoas que vem correndo ao mar. ^
4 Efta terra , & toda amaisque refponde â Zona , que os Antigos chamam Tórrida , ôc foy infamada por muicos dos primeiros Sábios , cujo Capitam foy Ariftoteles nos feus Metheoros cap,% com toda a efcholade feus Difcipulos, de terra inútil, feca,requeimada, incapas de fontes, Rios,pa- ílos , aruoredos ^ ôc por confeguinte de inhabitauel pêra
sente humana. Confirmaram o mefmo Vircrilio , Ouidio,Fo"^""<^°*
& TN 1 o OS pareceres
Cicero, Philo ludeu, Phnio,Scoto, Durando , & o que.w phiiofo- mais he S. Thomas. Foy contudo fentença dada contra par- ^[;„^;;^';f;'' te,téentam nam ouuida, nem ainda vifta. Tema expe-íu» bondade. riencia moftrado o contrario com euidencia , & eftam con- uencidosaquelles Sábios a olhos vidos , dehum Cólon, & de hum Cabral, os quaes primeiro que todos os mortais cõ feu valor , ôc trabalho mais que humano, defcobriram as ter- ras deftamefmaZonajatéaquellestepos, como encantadas aos homens do antigo mundo ; Depois delles, a vifta das mais Naçoens do mundo , que a cilas paííaram.
5 He toda a terra doBrafil por excellencia fempre ver-
n ôi.»
\2
ViDÀDoP. Igseph AncHíETA.
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Wf
^^J^'^^*'^J de, abundante de erua,& àruoredo de vários géneros, en- Ihor áruorc- tre todas às mais terras do Vniuerfoj quer de veram, quer
do do mifndo j _ • A * r >^^ 1 n ' r -
Cie inuerno, eíta lempre em numa perpetua Primauera- Sao femnumero os montes, & prados , que íeruem de paílo de imménfogado , quefoecontarfe por milhões ; o àruo- redo aito j he fem duuida abono das maÕs do Criador , glo- ria , &: cbroa de todo o outro das mais partes do mundo, formado em borquès fombrios , & deleitofos ; He admira- uelagrotfura dos troncos, altura das copas, & variedade dos géneros de paos prttioíiffimos, & fobf t todos a delicia das aruores dos Balfamos , Copaigbas , òc Ybicoybas, Canafiftolas ôc outras de grande eftima O CHmâ hè ^ Q Clima he conhecidamente hum dos mais faudaueis
rnuy laiidauel ^^ t i 11 ^
doOrbe; Ehgrandecemnoos melhores Autores , ocGoto- Maftoiift. a fredoern fua Arcontologia coímicadizàspalauras que po- jKdica. Thca.T Cl âcfiiy porque comprehôndem ãs dóá outros, rruitur trum "f"j»'^ ^ya filia aere óptimo propter ventos fuauiíEmoSi am fere
defcrtpç.o do^ J ir*- 1^1 r 1 / • • ri •
Brafii.GmUr.^èTfiPer íht [ pira/it .' í^bundat jontwm ^ jií^mi^ t JUuisque,
7''Áod7mIde'.^^ft^^^^^^^^^^^^ ^^ P^^^^' (f í^^^i^r edita collibm 5 ftm' fids partes, per amáiho Dívore fpeãanda , C^ 'vartetate plantarum , ç^ animdlm^ .Cotho dizendo .tíoza ô Brafil de ares bonif- íimos, por rezahi de ventos muy fuaues, que nelle quaíi femprè aípiràm ; Hê abundante de fontes , Rios, & bofques, variâdofuàuenaente de valles, ôc outeiros 5 & reueftido de dospcixes,^& verde fempre aprafiuel. Da bondade dos ares , & agoas na- *"=•• ce a bondade das Aues Ôc dos peixes ; nam me detenho em
contaf a fermofura , & fpecies varias de hus , & outros ne- fte Clinia, Vejam os Curiofos dous liuros inteiros d.>s pei- xes , Òc auesdefta terra, compoftos por lorge Maregraue Suas tíquczasfta hiftofia natural do Brafil , como também dos animaes, qucíUdii/' que contem coufas dignas dcfefaberem; As riquezas defta regiam famfabidas no mundo 5 requeftadas de tedisas gen- tes, fuás doces drogas , f eus paoá Brafis , feus tabacos, ôc outras femelhantes , de que carregam grandes frotas todos
os annõs.
Porem
Li VRO í C AP. II. 7 Porem a vlftade cancãs , ôc tam boas venturas dana- ^,'!,Z\lit tureza,he multo pêra notar a pouca dita dos naturacs dcfla Bc.fxi ... re<nam : Porque todos falando geralmente ,ôc em quanto habitam ieus (ertoens, ôc feguem Tua gentilidade , viuema maneira de feras faluagens montanhezas j nemfeguem fé, nem lei, nem Rey.pella qualrezaõ faltam em fualmgoaF. L. R.viuianelles tam apagada a luz da rczaõ, que chegou a poricem duuida de alguns, fe eram homens racionais ,ou nam. Mais parecem brutos em pé do que homens racio- nais. Todo.- nus, aíí] homens, como molheres fem empa- cho algum da natureza : Nem tem arte^nem policia algua>né fabem contar mais que até quacro,osde mais números pel- los dedos das ma5s,& pés j & osannos da vida pelloí fruitos das aruores , que chamam Acajus , andam eíburacados muitos delles pellas orelhas , faces, & beiços, ôcneftes bu- racos engaftam pedras de cores , & eíles íamos mais prin-
cipaes entre elles. ^ Sat,v,gabú-
8 As mais das Naçoens , nam tem morada certa , viuem dos. hunspellos montes , outros pellos campos, outros pellas brenhas vagabundos^ora em híáa.. ora em outra parte, fegu- do os cempos do anno ^ ôc occafiam de fuás comédias, ca- >
cas, ôcoeícas He ^ente paupérrima, a terra lhe ferue de Gente pxa» rneza, as igoarias pendem defcuarco, ôc neftcfam deílrif-P'""™*' fimos , fuás grandes riquezas vem a fer huma rede, hum Paticruâ hum pote , hum cabaço , huma cuja , hum cam. Os ^campos , os bofques , &1 os Rios lhe dam de graça o comer , & beber : No lugar em que lhe anoitece, tem certa ã caza , fogo , òc cama 5 pêra caza nunqua lhe faltam ramos ,& folhas j o fogo tiram de certos paos , hum molle,&: outro duro j que roçam a força hum com outro , òc com o mouimento concebem calor , & logo fogo 5 a camahe fuarede (^osque fam mais polidos )amarrada de troco a troco ou de pao a pao 5 no comer fam pouco delica- dos , còtcntamfe com ratos, que nace pellos cãpos , em cãrj- dade,rãs; còbras,lagartos jacarés, ôc outros bichos femelhã- tcs. B iij A
i^
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14 Vida DO P. Ioseph anchietâ;
barbaras de ^ A fcus dcfuiitos fazemcxequias barbaras , huns os en- €eas enterros, terram em hum vazo de barro, que chamam ígaçaba, com os inílromentos de feu trabalho ao pefcofo, pêra que pof- ía na outra vida fazer feias plantas , & nam morrer de fo- me , (cotnodizem : )Outrosmelhoram a fepultura, porque os metem em fuás entranhas, comas ceremoniasfeguintes. Tiram o corpo do defunto a hum campo , acompanhado de todos feu s parentas : & chegados alii tiramlhe as entra- nhas , os feiticeiros^ & agoreirosmais veneraueis 3 & logo vam repartindo em partes a cada qual aquella que lhe cabe, fegundo o grão maior , ou menor do parentefco : Eílas par- tes torram no fogo , certas velhas a quem pertence porof- ficio : Torradas eilas , cada hum come aquella que lhe cou- be , com grande fentimento , Sc tem para íí , que he o final úc maior amor , que podem oílentar neíla vida aos que fe . auzenram para a outra.odarlhesfepultura em feus ven- tres. Os Tapuyas em particular comem os filhos,quando fuc- cede morrerem lhes , pouco depois de ferem nafcidos : a- chando que eft apodo em rezam, tenhao por tumulo depois demortosomeímoberço/emquegozarãoaprimeira vida: Sl?nokLs '° ^^ maiores titulos de fua nobreza pêra com huns - coníiftem nas maiores oííadas de feus inimigos, que depois
de mortos, & comidos, guardam em lugares particulares junto a fuás cazas 5 quais nos cartórios , os brafoês das mo- res fidalguias. Pêra com outros coníiíle efte titulo em hum como Tufam, ou habito, que trazem lançado ao pefcoço 5 &he hum colar de dentes enfiados , dos que mataram em fuás guerras, 6c defafios. Pêra com outros fam as vnhas crecidas.Pera com outros o cabello tozado,ou tãbem creci- do. Pêra com outroshiã fraldam de penas luftrofas. Fera c5 outroso maior numero de buracosnasfacesj&beiços-De- ftes titulos todos fe prezam como timbres de fua nobreza j & dado hú deftes, ou fio de détes,ou pedra de face ,ou beiço em penhor de fua palaura , nam faltam com ella , ainda que lhe cuíle a vida. £ftes,ôc outros muitos > que feria largo con -
" tar
Li V RO I Ca p.III; ts
tar , fam os coílumesdos índios do Brafil , em quanto an- (iam em fcus fertoens, & gentilidade. Verdade he, que ha entre elles algúasNaçoensmaisracionaueis, ôc dóceis, que conuertidosanoííafantafé, conuerteram também os co- ítumcs bárbaros de fua gentilidade em policia verdadeira* mente Chriftam , como noutros lugares veremos.
Efta hc a fumma da defcripçaõ Brafilica , que pêra meu Summa das
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intento bafta : O curiofoque quizer ver mais em forma 0^°"^"**°^"' modo admirauel com que foy defcuberto efte nouo mun- do i como foy diuidido entre os Reis de Caftella , & Por- tut^al ? a dcícripçam defeusrios, Porcos , cabos, enfeadas. fcrranias i" quacs foram os progenitores primeiros deftas ge- res/em que tempovieram a eíla Regiam ? de que parte? de que naçam? por onde entraram ? da mudança de fuás lin- goas , de fuás cores , de íéus coftumes , de fua religiam , Sc outras coufas dignas de hiftoria, veja os dousliuros primeis ros prologomenos da primeira parte das Chronicas do Bra- fil, que imprimi no anno de 1663» &ahi achara fatisfaçao de tudo, mas porque citamos na Bahia parte principal de- íla regiam , heneceííariodar brcuemente noticia delia. 12 Bahia he a cabeça,& parteprincipal do Brafil , auetitâ • iadaa todas as mais em fitio & felicidade do clima Eftàòc^^'-''^?»";^'' cm altura de 13 graos^Ôc meio etreahnna,& trópico AuitraU cm aUurade rica em meio de outras Capitanias, que a acompanham de/^"efo X' ^ hum,&: outro lado; da banda do norte a Capitania de Se- de fuás c». rcgipcdel Rey, de Pernambuco, de ltamaracâ,de Paraiba , ?''*""•'• do Kio-grande , do Ccarâ, do Maranham , ôc do Gram Parà^da bãda do fui a dos llheos. do Porto feguro,do Spirito fanto, do Cabo frio, do Rio de laneiro , Ôcde S. Vicente d» terra, & Eíle nome Bahia he fingularnefta regiam, porque nao ^«'^^^^i^i»-
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fó diz a parte do mar que a faz , mas também a parte da ter- ra , que a cerca : A parte do mar que a faz , he huma ca- pacidade de agoas de 12. legoas de diâmetro , comfeus bra- ços mais groííosjôc por confeguinte de circunferência, 36. He eftanciafiel de nauios, abrigada dos ventos, & tempc-
ítades
'■'1
16 Vida d o P. í o s e p h d e A k c h i e t a,'
ftãdes do Oceano. Dentro de hiima Barra real de mais de 2. legoas de largura, encradã feiura de grandes Galeoens , & fufííciente pêra todas ás armadas da Europa juntas. Enfei- tam efta circúferenciadomar, diuerfasilhasíhúas grandes, outras peque nas, com diuerros boqueiroens, entradas, & fa- hidas que vem a fazer Bahias diíferêcesi Ôc todas nauegaueis , capazes * ôc apraííueis com fuás brancas praias, & arredo- res verdes , ou de mangues, ou de canaueais de âçuquar.
J4 A terra parece foy fauorecida da natureza tom mam particular pêra fenhora & cabeça de híà Eftado grande, que auiade vir a ferenueja de muitos O torraõ he fino Maçapé, fértil pêra todoo género de planta , ou de Europa , ou de America , mas efprcialmente da cana doce de açuquar , c5 que tanto enriquece a fi , & a Europa > & fe faz conhecido no mundo. Ennobrectm efte fértil contorno as machinas de fetenta engenhos , officinas frequentes daquella doce droga , & de tam grande cabedal , & numero de gente , ^ft! deíeiTo^^^^ ^^^ ^ ^^^ outras ktenta villas enriquecidas de groíTas 2â ,&osdo fazendas de canaueãis» o clima he melhor do todoo Braíil 5 & confeguintemEtedos melhores detodoo Vniuerfo,puro, vital, ôchumaprimaueráperenne,onde raramente íefen te frio, ou calma; E zombam dosditosdosantigos Philofo- phos , que o infamaram de tórrido , requeimado , inha- bitauel.
nosiicos.
CAP-
LivroI.Cap. IV.
i?
CAPITVLOIV.
Saè em terra lofeph com [eus companheiros .- Começa apor em obrafeus deXejos : He man- dado pêra S. Vicente ,&da/jí pêra os cam- pos de Pirâtininga .• Daje noticia deiles,
Esta parte pois do Brafil , a fermofâ Bahia de rocios os Sancos,fahioe0i terra o noíTo oeíembarci nauegante para Apoftolo^ehúnóuo niúdoi^l^P-^.^^^^j^^ foi da A merica , luz da gentilidade , honra da do c™ que a. ComSi^g^cria de feus Irmãos , exemplar de MiíTio^f^.^^co": nariòs • E juntamente feus companheiros por todos fete , fiaria. qual oucró fete Eftrello do Ceo pêra ornato daquellc Emif- pherio Achou alU fundada ja caza da Companhia pellos MiiTionarios primeiros, que diíTenios tinham partido de Liíboaos annos atras de 1540. ^ i55o. Eoy recebido de hu fô Sacerdote, Ôc dous Irmaõs : de que cõílaua fomete noíla Comunidade , à íaber doP.Saluador Rodrigues, & dous Ir- mios Vicente Rodrigues, &: Domingos Pecorella , afli chamado por fua eftremada candura ; Porque os demais quereftauam , prefidiauam diuerfas partes da Prouincia, o Padre Manoel da Nóbrega andaua vifitando a Capitania de S. Vicente, parte aíías neceíTitada, onde mandara ao P Leonardo Nunes, ôco Irmaõ Diogo lacomé , que ti- nham feito alli refidencia ,& lançado grandes princípios a faluaçamdaquellas almas > Portuguezes, & índios^ Afon- ro Brás com outro companheiro tinham fundado caza na Capitania do Spirito faiito , que pouco hauia começara. ; .
O Padre António Pires refidia na Villa de Pernambuco» o Padre loam Afpifcueta Nauarro , (que depois de huma glonofarniíTam . que fizera com immenfos trabalhos , & per.gosdavida, tinha aíTemado Aldeã de grande numero
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18 r Vida dó P.I<5SEPHr Anchieta; de gentilidade , que configo trouxera do ferram pcra a lei de Deos, )ete porto íeguro, onde cfperaua coríl grandes âii-* fias companheiros pêra ram giraíide meíTe! 2 Aqui d^u principio lofeph aoferuorde feusgrandes inté^ Dâ principio ^^^ Começou logo elle.ôc os companheiros a por a caza eni' íóíorintr" ^^™^^^ Collegio , pregando , ainda os que nam eram Sa- cerdotes , abrindo claífes de ler, eícreuer , grammati ca, & fazendoosmais miniílerios da Companhia, com a mef- jmaperfeiçamde muitos, fendo de dez fomente o numero dosqueeftauam, & chegaram de nouo. E defte numero tam pequeno , hum mes andado depois de chegados a Ba- r./ í. Ília, paííbu a milhorvidaneíla caza o Padre SaluadorRo- / " drigues,hum dosfogeitosde vaíor, & erpirito, 6c como ; : ; tal íentido,& chorado de todos, Religioíbs , 6c íeculares, £>iftrib«içara 3 Pouco dcpois foram mandados a Porto fcguro o Padre peíiaEn- ^«ibrofio Pircs , & o Padre Gregório Serram , em lugar do ^"- Padre loam Afpifcueta Nauarro , que no fim da MiíTam,
a€ma referida, alli ficara debilitado, & quafi confumido nas forças do corpo , mas nam emfeu grande cfpirito, c5 que tinha obrado > & obrou depois as marauilhas ,que delle contam noíTas Chronicas. Chegou no entremeio defte tempo a Bahia o Padre Leonardo Nunes > que acima , diíTemos , fora mandado a S. Vicente ; o qual feeundo Capit»nii<ieaordem que trazia do Padre Nóbrega ,no mes de Ouru- s.m Vicente. j^^Q^jo prcftnte anuo , tornou a voltar amefma Capitania. G5 efte Padre partio também noíTo lofeph» â fama da gran- de empreza dasalmasdaquellasparrejneceílitadas de obrei- ros. Acompanhou os o padre Vicente Rodrigues jaentam Sacerdote , & outros quatro Religiofos do nouo focorro em duas embarcaçoens repartidos. Padece 4 Porcm aqui começa ja a perturbarfe o inferno, & ar-
íiScrpe- ^^^^^'^^^^^s fí^^Ç^s de lofeph. Efpera os dous nauios , aíTal- ftíde prauo- taos na mais perigoza paragem dos baixos dos abrolhos, «tlgolnfir- (1^0í'"ueis ainda , quando mar fereno) com tamdefapode- nài. rada tormenta, que chegaram a ponto de perderfe os pe-
quenos
Livro TC AP. IV. . *^ . ^y^
quenosbaixeis; rotas as vclias, cortados os maftros^perdldas ;'^j^ ' ^^J~'J; as ancoras, batel, ôc fatoalijadoso emquehiaolrmam Io- '« '"^^««Z^'-'- feph.foy daratraues entre os arrecifes , onde padecendo o//*í«<< /<«.!}< por todahuma noite o Ímpeto das ondas, poderam eftas"-'^' viralla , ôc qucbralla , masnam poderam concraftar a con- fiança de Iozeph,quecom hua imagem da Virgem nas maõs, vefporadeíuaíanta Aprezentaçam ao templo, imploraua fuas; miíericordias.-.te que rompendo a alua alegre do dia 4g, Senhora > Ôc com fauor íeu milagrofo , íahiram à praia viuos todos , lofeph . 5c os que com elle nauegauam.
5 Fruílradono mar Satanás, nam defiftede fuas traças ^^^^^.^.^^^^ em terra Sahirà lofeph , & os Companheiros quafidefun-tírracõfajs
, 1 •!• , , r o r\ C ' traças O ini-
xos, debilitados de tam forte , <Sc nodurno nautragio , eia^^jgo. força procurar refeiçam ; Efta lhe impede o inimigo , to- mando por capa de medos o lugar deferro , 5c mal feguro de gente faluage, ondefahiranii que nam era bem entrar pellos matos, nem auenturar fuas vidas 3 5c como nas
1 ^ . • j Modo ma.
praias , nem achaíl em fruicas , nem eruas , nem ainda agoa rauiihofo pcra beber , veio a fer a neceflidadc extrema, Que faria en'^^°;^j;;^^J^^ tre efíes apertos o grande eípiritode lofeph ! punha tudoafeasCom. nas maõs da Senhora. Por infpiraçam, como fe cré da p*""^^''"'* mefma^pode tirar de entre os baixos a embarcaçam em que viera quebrada, 5c rota 3 ôc com a madeira dafegunda, que de todo fe desfizera ,& fahira â praia , pode a induftria necefitada fazer hum pequeno barquinho , que leuou a to- dos com o fauor da mefma V irgcm , a porto feguro do Spi- rito fanto 3 onde puderam refazerfe em caza, que ja alli auia nofía , das fomes, Ôc trabalhos paííados.
6 Efla mefma tormenta , ôc naufrágio defcreue íozeph em feus apontamentos , ôc diz que naquellas praias acha- ram huma Aldeã de índios que os recebeo bem junto a hu Rio 5 efte Rio he o que hoje chamam das Carauelas , en-
tam defpouoado . A elle foi vltimamente condufida fua^^^^^^,,. embarcaçam quebrada, pêra allí fe concertar na forma queeífa dito , fegundoo modo de contar de outros com-
C ij panheiros
-illr
s*
16 VíDÃ DO P. Tose PH Anchieta^
Wi£o° pànhèifos. à qui acrefceta lofeph , que acharam huma rne*
tíe i.úa criai níhâ in extrcmis , òc que auido o beneplaciío do Pay a bau-
rizaram , & t^úe voou aquella alma ao Cco , logo depois
de baátizada , 6c dera por bem elnptegado o naufrágio
pella faluaçam daquella alma > Toínada refeiçam, embarcando còiiíigo o Superior da
Farte doSpi rito S:^nt05
ch rgi aSiin tàza , queeraoPadre AfFonço Bras,Ôc deixado cm feu Vicc.te , ^le- |y^^^ ^ Pãdfè Brás Lourenço . deram todos a vela no mcf* he lec ! ido íiíjc pè^qaeno baixel , em que alli vieram , òc cheo-aram a íal^
doP Nobre ^ rr A C c X7- J C
ga. uamcntóa lançar rerro em S. Vicenteem ^4. de vbetem-
brodè^^s"?!; nam ha cobiçoío que aiii fe alegre coma che- gada de naôsdalndia,em que eíperaos retornos de feus groííos'trripr'egos , como aqui fe alegrou o coraçato de Nó- brega , cam a chegada defte rocorro 5 nam vira nunqua a lofeph , & namfe fartaua de abraçallo eípecialmente, & darlhe as boas vindas : Qué parece lhe dezia ja defde allio . coraçam , quem por tempos hauia de virNãíerefte fogeito,
C'Ompanhsirò de íetís caniinhos, conforte defeus trabalhos, aliuiode fe-us cuidados, dezempenho de fuás cans ,& honra -da Miííam do Brafil . E quando defta maneira pronofticaua o """**" " coràçam de Nóbrega , quenâm faria o de lofeph, que taõ cheio hia dé Dèos , & ram fundado em fuás efperanças. ^ Gouernâua Nóbrega atéaquelle tempo com titulo fó- mentè de Vice- Prouin ciai, fubordenado ao de Portugal; porem coníldêrandó o nòíío fanto Patriarcha Ignacio , a grande diftacià dè lugares, & os incõuenkntes que podião íoccaíionarfedeconfultar detam longe negócios, que pe- Hc deito o p.diam ordinariamente prompta refoluçam , defpedio paten- Prodfci,T! 'te nefte annòao Padre Nóbrega , perafer Prouincialcom o primeiro jurifdiçam diuidida , ôc independente de Portugal, aííi- Companhia '«andolhepor Gompanheifo collateral, com os meímcspo- do Bnfii. jef es ^ (^porque a(li o pediam as circunftancias daquelle té- ckro».fi0Br<ifpo)o PadícLuisda Gram , varam de grandes partes, & ^^^■J' ^* "^ efperinças : Com ordem outro íi , peraque de feus companheiros , efcolheíTe alguns de mais experiência , pêra
LivK o I. Cap. I V. II
pern Confulfores : Dos quais hum, (qual elegefíe) feria o companheiro de ícus caminhos : E era eíle commummente loíeph , poíto que ainda nam Sacerdote.
9 Depois do iiouo titulo de Prouincial , poucos dias an- dados, coníiderando o P. Manoel de Nóbrega . que fendo ja o Brafil Prouincia de per fi , feparada de Portugal , era ne- ceiiaf io aucr cíludos , ôc criar fogeitos em numero , que po-= deflcm bem acudir às neccílidades vrgcntes de tam vafta regiam -, pois nam poderiam vir de Portugal, viftas asem- p/ezas com quede preicnteíeachaua em diuerfas partes doxriude hn- mundo ^ tratou de fundar hum CoIIcpío nos campos cele-f»^^'^^' Coi
. *-^ Icgio nos ca»-
bres chamados de Piratininga , abundantes , & acommo-posdcPir.ti- dados á fuílentaçam de muitos noííos. E com cffeiío poi^^f^ifiJ.*^
cfta,&:por outras occafioens principaes da conuerfamíephcoa,do- , . ,* ii\ /- -A - • • • J T ze Ditcipolos*
dos Índios que alh fícauam mâis a mao,no principio de la- neiro feguinte de 1554. (deixando ^^ ^'^^^ ^^ que pareciam cbronJoBra. neceííariosperaominirteriodosPortuguezesjforaõmáda-^'^^''^^^^^^ dos pêra eíkfím treze Religiofos , entre ellesoírmam lofeph pêra Mell:re ; E o Padre Manoel de Paiua com cargo de Superior de todos. Efcolheram firio acommcdado, diííe- V'
ram nelle a primeira Miíía em 5. deíaneiro diadaConuer- íamdo fagrado Apoftolo S. Paulo, aufpicio bom dacon- uerfam dos Índios daquellas partes , de cujo no^ne fe de- nominou entam acaza , & depois à Villa. Defcrípçem Cio E porque eíles campos foram outros Elizeos, bem a- ^<^5 campos
r T r . . . de Piiitinin-
fortunados pêra lofeph, ôc nofla Companhia, por primei- g». roSen)inariodosnoíl"o$,& da mais numerofa gentilidade, direi alo ua coufa de fuás muitas felicidades.Saõ eftes húapar- te celebre, & nomeada em toda a America, feitos parece da ^ natureza , como de propoíito : Quanto ao terreno , he hum efpaço de muitas Icgoasem contorno, de grandes vargens infeitadas da natureza , a marauilha com variedade gracio- fa. Da parte do mar cerminaõfe com aqaellas quaíi muralhas nacuraesdasferranias , ou cordilheira do Btafil, que excede os Alpes, Pirmeos , ôc Olimpos , & por aquella parte tem i: . C iij por
^a
20 V I D A D O P, í Ó SE PH A Sc H I E T Á,^
por nome Paranámpiacabaque defcreuemosnoucro lucrarij Porootra banda dam ^priBcipio a fertoens alegres, os mais afamados, c]ue fazem caminho pêra bonos Ayres, Chile, C-hiío^ & af^ os diftriros do grande Rio das Amazonas. !©os moradores deftes fertoens foram fempre muy reque- fiados eftes campos , qual fenelles habitara alguma Diuin- dade , &: poreíla rezam temidos os moradores deíles, por íuas ârmm r,§c gente guerreira j fam abundantes de todo o iiecefíariò pêra a vida humana , ôc ainda pêra recreaçam dos homens • Degadovactimj Cauallos , Carneiros , Ca- bras , fercos maníos , montezes , & aquários 5 Caça infi-? nita de animais, 6c aues. Vefteinfe hoje de cearas de trigo, ôc fecundas vi rthas, a eftender de olhos. Reueílemíe deflores de codaa forte ,efpeeial mente de Crauos, Rozas , x^çuífe- nas 3 he fértil de Vuas , JVíaííans , PeíTegos , «& quafi todas as fruitas-de Europa ^ a culpa fera dos que as nam plantam > fe faltarem algu mas.
Ji Osarredorçs deftes campos, & feus fertoens fam na mcf- mâ forma.os mais férteis do Brafil , cheios de pinhais fermo- Ss *r"rtó. ^^^^^^^^ ^^^ fobem âs nuues,& carregaõ de pÍBhâs,cada qual es , & n a£»s. do tamanho de féis , ou (cte de Europa 5 cujos pinhoens fam mais compridos que eaftanhaSjpofto que nam ram ^roíTos masmaisdoces: queeílas.He comer ordinário dos índios &c fnr>"iv:s í ^uftéto de grandes exércitos, quede comino andam ncftas çãpanlias a fazer guerra ao gentio que habita nos feri ocs do '""'''\vNRio da Prata, Chile, & Chito , marchando porellesannos inteiros. Nas matas acham grande abundância de caça , Antas, Veados, Porcos montezes, Coelhos, Emas, & rGutras caftas de feras , & aues 5 & o gado he tanto em al- gumas paragens , que podia encher muita parte de Europa 5 ferue de cobiça aos Portugezes, que por mercadoria matão as rezes 3 6c carregam dos couros feus Nauios , deixando a carne pellos campos às feras, 6c às aues. He tam grande acantidade demelfilueftre, que podem encher pipas delle, ç^ carregam os exércitos que paífam a mais nam poder. Ha
certa
LlV ROl. Cap ITVLOIV* 23
cert â cafla de Palmeiras, de que fazem farinha, como de mã dioca frcfca, & feca.quechamãode guerra, beijus,cari- nú.&c ainda vinho como damefma mãdioca.fuftéto commu doBrafil. Vai retalhada a terra toda com caudalofos Rios , que fazem os bofques frefcos , & aprafiueis. Ha alagoas gra- des , que criam em fi cobras , (k lagartos de grandeza inv méfa que chegam a tragar hãhomé.ou veadointeiro. AsNa- ^oens de gentes quehabitam eíles fertoens , feus vários ritos, éccoftumes , feria infiaitodeÍGreuellos : Indo correndo a cofta do Oceano habitam os índios que chamam Goaya- nâs Tupis, Carijós , Bigobebas ; mais para o interior das brenhas , outros que chamam A baciis , gente mais fera , Òc guerreira, correndo mais ao norte, ôc os que chamam Ca- rijós do fertam , menos agrefteSjGuaramunins, Tupiares , Ibigrayàras , por outro nome os Bilreiros,lanceiros &€. E eíles fam os campos Ehfeos defta gentilidade, & {c\is fertoens , onde agora vem habitar o noíTo lofeph, & do2e feus difcipolos. Como aqui fe ham, dirá a leitura feguinte.
C A P I T V L o V, ^ íí^« y;^= f
Ti f rt ■ f I
Modo da pohreT^a _, c^ ordem com que ajfentou caia,& ef cola nos campos de Viratininga; co- mo igoalmente enfinaua a lingoa latina ;ò^apn^ dia a dos índios ^ & atendia ao bem da^ alma^ 5 & conta fe hum caTj) milagrofo, & celebre defuf penfam da chuua.
Tx t 1* /r *« \, PobreiiReiíJ
Pobreza euangehca , com que aílentou ca-giofacomquc za , & efcola nos campos de Piratininsa, víuú em Pi-
1 • 1 /- 1! J ratininga,
nam poderei eu defcrcuer melhor do que, o
mefmo lofeph o fez por curta fua de Ago-^^'''^ f^^'--»/
ílo de i554,anoíloReuerendoP. Geral, que entam era.jj.». x5j.
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Santo Igíiacio de Loiola jÔc he á feguinte. ^ l anuário vf- que ad prdifhns, nonnunqttam pUs vtgmttffimul enim Tueri Catêchifi'^ degehant Jin pàupèrcuía dòmc-^ luto^ ^ Itgntscõ'^ textá ipàleis cooperta i qmtuofdecim pajfns lon^a^ dece latamd^n(iwi^tis. Jbèfchola^ ibi njáletudinanum ^ihi dormi<- 'tòrmm» ^•c^naculuyni item ^ ^ co quina, ç^ penuí fi^ mui íunt: me tamen ampíarumhahitationum qtabus aliqui frami noftri '^íuntur-i nos mouet de/ideriurr/t, pquidem T)0' minus nofier hfàsChnjim in arãiore loco pcptusef,cum tn psupere pmfepi i tnter duo bruta ammalta njoímt n^fcii multo i-^ro àfãtffiWio cum intruee prò nobis digna tus eji morto < ■ /.yhíí^icj
2 Vefti à dker que dos princípios dálanèiro ate feittlra dâ- pôíílgu^s^ quella Cefe^alli humaCofinha de torram , & palha, ca- torze paíTos de comprido , & doze de largo ,em que tnorauam bem apertados os Irmãos ^alli tinham efcola , alli enfermaria , allidorríiitorio, reíeitoriò, cofinha, & deípença, contentes Com a kmbrên^^à do Senhor lefupo- ftoemíeuprerepio 5 Sena Cruz Àtéqui acarta. Mas eílc aperto era ajuda contra o frio, que naquella ter ràlie grande com muitas geadas. As camas eram redes , que os índios coftumám 5 os cobertores o fogo que os aquentaua (pêra JD qual os Irmaonscommummente acabada a liçamda tar- de , hiam por lenha ao mato, & traziam as coftas pêra paf- far a noite ) o veftido eramuy pouCo , 6c pobre de algoda5 fcm calças > nem çapàtos. Pêra meza vfaram algum tempo de folhas debananaserri lugar de guardanapos 3 quebemfe cfcufáuadci toalhas j onde faltaua 10 ct)mer 5 o qual nam, ti- nham donde lhe vieíTe, fcAam dos índios quê íhes dauam âlgua efmola de farinha , ôc as vezes alguns peixinhos do rio> ' '\ &c caça dò mato, Faziàrti alpergatas de cardos brauos , que iheferoiam de çapatos ; aprendiam a fangradores , barbei- ros i & todos os mais modos , Ôc oííi cios > com que podiam ferdepreftimoa todos os próximos naquelle deílerro do inundo, -i
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Livro I.G a p. V,\ (, , ^^ , ^/ i|
-^ Neftaeflremadapobrezaíeabrioaqui aregUnd^claíTe^^^^^^^^^^
de (Traminatica que teue o Brafiliporque ja na Bahia íe finha do Unn. aberto huma ) frequentauaninadoze dos noíTos , que corn oMcftrc eram treze, qual outrp Collegio de Chrlílo: ^Jm\]\. outro bom numero de eftudantes brancos, & Mamalucos , , úWtr, que acodiam das Villas ja principiadas. cirçumvç^iphas. O trabalho era excceííiuo! Amda naqudi^remponamhauia naquelias partes copia de tiuros , por onde ppdeíícm a- prenderos difcipolos o> preceitos da grammatica: Eíla talta rcmedeauaa charidade de lofcph, a curta de feu fuor > ôc trabalho, efcreuendo por própria mão tanros quader- nos dos ditos preceitos , quantos eram o^ difcipolos » <quç cnfinaua. E paííando niílo as noites , femdormit , porque os dias occupâua inteiros na^obrigaí^oensdooffício , & c6- iieríâm dos índios. Acontecia, nam poucas vezes , romperá manhaâ ,& achar a loíeph , cÔ a penna na mcão.Não parauão aquiícus trabalhos 3 era de viuo engenho , &: er^ infaciauel íuacharidade,dehua, Ôc outra coafa tirana grandes forças. A. No mefmo tempo era Meftre , & era difcipolo 5E osN^ "^efmo mermos lhe feruiam de difcipolos , & Meítres 5 porque ,i,ngca j
acina
na mefma claOe falando latim , alcançou da fala dos^*P[.^"'^^* que o ouuiam â mor parte da lingoa do Brahl , que breuemente perfeiçoou , cora tal excellencia , qUe pode re- lUdem «. v^s duzir aquelle idioma bárbaro, a modo , ôc regras gram- macicais, compondo arte dellas,tam perfeitas que aprouada dos mais famofos linaoas , foy dada â impreííam » & tem íermdo de guia , & meftradaquelia taculdade aos que de- a^te Vocaba. pois vieram: E delia ha líçam particular em alguns Colle ^l^^^J^J^^-, gios daProuincia Alem da arte , fez também Vocabulário ta bem cólC- damefmahngoa: Tradufioa doutrina Chriftam, Sc miftc-[|^;^f^",\in: rios da fé , difpoftos a modo de Dialogo, em beneficio s^a. dos índios Cathecumenos, & fez tratado , Ôc interrogaco- rios.&auifosneceíTarios ,perâosqueoUueífem de confef- far , & confeffarfei Ôcpera inftruir principalmente no te- po da morte aos jabautizadosj deixando aliuio com feus . D -tra
'^idem.
té Vidado Í^.ÍósépH Anchieta:
trabalhos àos Vindouros > que fe ouueíTem deoccuparno
trato da faíuãçam^àsàlfrtaSj íj^. -upL. »
5 Eíii quatro lingoâs era dcftf o, na Por togue za, Cafte-
Ihana , Latina , & BrafilicajCm todas ellas cradufio em ro-
poffmantcspios, com muita graça , ôc delicadeza, as canti-*
gas profanas , que andauam em vfo ^ com frud:o das al-
íces pios, j^^as 5 porque deixadas as lafciuas , nam k ouuia pellos ca-
laos.
Traduíií
todas as
lingoas cm
roínãces
os lífciuos ,.,-** r r ■ J' ' * 'J
porque can minhosòutrâ coula , íenam cantigas ao diurno , conuiaa- &^Tcft'erraV ^^^^ ^^^ ^^ entendimentos do doce metro de lofeph.iií j:^ «4 femos profa- 5 Coòipos nam fó aqui , mas em varias partes do Brai íil ,com viuojôc raro engenho muitas obras poéticas , eni" toda a forte de metro , em que era muy fácil, todas aodiui^ no , & afim de euitar abuíos , ôc entretenimentos menos honeftos. Entre eftas foram as de mais tomo , o Huro da vi- da ,& feitos heróicos deMem deSà terceiro Gouernador quefoy defte Eftadoem verfo heróico , latino 3 varias co- rbediáSjpaíTos, ôc eglogas defcripçoens deuotiflíimas > que ainda hoje andam defua mefma letra , & ávida da Virgem Senhora noíTa em verfo Elegiaco ,de que em feu lugar fa- laremos De h5a das comedias he força fazer aqui menção. 7 Em S.Vicéte afim de impedir as indecêciasque fe come-: tião em z&ios reprcfentados na Igreja, introduíio c6 aplau-^ fo dos moradores da Villa , & parecer do Padre Nóbrega feu Superior , hum âdo feu, muito deuoro , a que chamaua Pregacam vniuerfal , porque feruia pêra todos , Portugue- íts,t!. índios, & conftaua de huma , & outra lingoa , por-^ que de todos foííb entendido; A efte concorria a gente to-' da, reprefentauafe nas vefporas do lubileo da fefta de lefu^í porque também a Volta do ado foíTe vniucrfaí o Cafo celebre ganho de fuás indulgências. Aqui neíie a(5to aconteceo da fufpençarn )^^^ ^^^^ milaerofo , da fufpenfam da tempcílade , celc-
datempeftíde , V t- • r r, i- i i
bre em todas eftas partes. Fazvaíeeita comedia huma tarde '^'^«"'f^**'''^"^ em lugar defcuberto junto ao adro da Igreja; Eis que co- i>4rír«./i«.i. começando a fahir a theatro, começa em todoo Onzontc. "'^' ^- à ameaçar agente huma cempeftade medonha : A perpen-;
diculo
£rt Poeta goalmenle facil , Sc denoto.
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,A . LtVRO I CÃp^V.n 7 «7
diculo fobre o auditório íe formou huma nuuem carrega- da de Jgoa. quecoxncçauaabriríe em partesj ôc qu^çiam rcLolhcríe os qu£befta.u^ma(;Gomtnodyos , compercur- bacam, ôc defordem.- Porem toreph,acu)o cargo , & dC Dcoí^eílaua o íuc^eílb, leuanWn^oa , voz , .m^tVÍp^X?? Pouo . que namfeperturbaíTe, dando palaura qiie narri choudcfla antes que a comedia de todo fe âcabaíle. Côufa marauilhofa/ (uòCeaco alfi ; Coiicmuoufe com^a obra > que durou três horas ,com quietaçam, & focego , ate o fihi5 recoíheramfe os ouuintes todosa fUas câáas^ àcMiO ifíõ'desféchou a mais horrenda tempeftade de chuuas.Vén- tos í^ tròuoens que té entam fe vira naquetlas partes j Co- mo fedaquellemorírEto alcançara a hcé^a, que por três ho- ras lhe faltara. M eteo em efpito aos homés^ôc por outra par- ftíem confiança dasmiíéricordias do Senhor, & mtcrcetj fam de íeu íeruo lofeph , por cujo meiò ãquelU grande nuud cmvezdeeftoiuoJeruiodetoldoaoaaroGom tammani-
feftc beneficio Eílecazoatribue lofèphao Superior, que entam era o Padre Manoel de Nóbrega 3 &: âo2ielo Gom qtíe prccurauaeuitarna Igreja ados profanos: Porem a ma- rauiíhafoy atribuída por todosa lofeph, que fes a pro- meíía, a cuja fc comprio Deos a palaura 5 aífi o crem todos, & aíTioefcreuem as memorias antigas, que temos íia Prouincia. O Padre Faterninà//^. 1. í-^/7. 7* & os procef-
fos authenticos de lofeph a cada paffo.
8 Eílas eramasoccupaeoens delofeph , em quanto Me- s^eujmc^^^^^^ fírecíludiofo. Outras porem lhe leuauam mais o efpifi^o 4",^,^^^ d^s òc eram eftas as principais da faluaçam das almas , aque forá*i-«, chamado, ôc de que fevia cercado , defemparadas todas. Deftacfchola, & deftes doze difcipolos de lofeph , fahio doutrina, & fahiram Apoftolos , que entaÔ , & depois repar- tidos por vários fertoés , & partes do B rafil , ajudaram^ a con- uerter muita parte da gentilidade delle,como hirà mo- ílrando a hiftoria porque vejamos que aíTentou neíles cam- pos efcola, maisdealmas,qucdecorpos5 mais^de fciencia debem fazer , que de bem falar. D ij CAP-
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^Mo^òsvarm tomqueconueneo muitm almas :^ '^ p^^ J^fèmdúá^ &modosvams ^com , que,oinf§Tm o pretendia ejlrouàr, ^^^
Conuerfam - ^e fazia por . meio de feus Piícipolos.
O R meiodeíles feus difcipolos deftros na
lingoa , & deftros no efpirito , mandados
oraahuma,ora a outra Aldeã, quaes App-
ftolos de Chrifto , a MiíToens valentes , per»^
íuadidos os moradores daquellas brenhas da verdade, 8e
ícrenidadedenoííafanta fé ^corriam bandos deixando feus
fertoens , pêra o lugar aonde morauam os padres.
mS Vii" í Deceram primeiro que todos hum Principal por nome
ciFaes,&na- Tíbvreçâ , & outro Pór nome Cayobig , Senhores ambos
çocQs do ícr- . . J Lj
um. áegrandes familias , ôc terras : E logo a exemplo deftes , tã-
tos Principaes , & tam grande copia de gente , que ja nam
Brlf^tem, i. hauia íitio pêra todos. Chegauam eftes menos aptos pcllo
itHr. i.f. 116. canfaço dos caminhos , & ignorância do nouo iugar , pe-. ra fazer fuás habitaçoens : Porem aqui foy logo a charida-
Traçam , & jje ^je jofeph , & feus difcipolos , feitos traciftashuns ,ou-
aiudam à fa - * l . • i i /- i • «
zet as mora tros pcdreitos , outros carpmteiros , ajudando a rabnca das âcnt°uò^vcm cazás neceflariaá pêra cada familia , arruadas , & feitas ao ,. modo Português ; E como a vontade era igoal em huns,
doutros, em breue tempo agazalharam todos 3 nam re- parando em fuor , Ôc trabalho os noífos , trazendo junto com os Índios a terra , & agoa âs coftas , por fazerfe huma- nos com elles, & fenhorearlhes as vontades. -3 Feitas as obras das familias particulares, & feparadas as naçoens , fizeram logo de mam commum huma Igreja de taipa , que chamam de pilam, com grande gofto , & ale- gria: Feitaeftapafmauam os bárbaros ver nellao aparato -' . do
IivroI.Can VI. ,' 10
do culto diulno, Ôc as ceremonias dos fantos Sacramentos, & IJ-f^*;'*™. **' cada qual queria ícr primeiro , em gozar do pem, d^.r, ler n- vtr o apar.to lho dos Padres , como elles deziam. Çomeç^f^ni^ *fcr ca-
no»
tliequizados , fazendolhcs praticas * or^; í)- m^ftre , ora os mais dcftros , & eloquentes difcipolosna lingog Brafilic^ > & era grande o goílo de lofeph, vendo o conceito ^ que fazia5 das couzasdiuinas,genteta5 barbara por outra via. A ícauão- lhes os ritos de fua gentilidade , o abufo da carne humana, das muitas molheres> das fciticeirias, das bebidices , -ôc to- <los os mais, tam conformes a fua natureza 5 & tudoouuiaõ, ^ aprouauam 5 & o que mais hc, admitiam com vpntad^ firme : (que onde começa a entrar a luz da fc diuina ^ defaparecemlogo as trenas da cegueira gentilica;& ct>nhece perfi a rezam, o que he conforme a feus didtames. ) Nain- ílruçam dos Tantos Sacramentos nenhuma repugnância ha; nefta gente , porque como carecem do abufo dos Ídolos, fi- calhes a vontade liure , dezembaraçadapera abraçar, o que he conforme â rezam. 4 Todasas traças bufcaua o grande efpirico delofephípe-^^^^^^^çj^^ ra doutrinar aquella gente barbara Hauia e:ii S. Vicentefephna ccn- hum Seminário de muitos filhos dos índios do fertam de Jq^Í™ • Piratininaa, que os Padres lhes tinham pedido para crialos ']''^^f^ na doutrina Chriílam/Eftauameftes ja baftantemente in* i%bnBi3 ílruidos na fé , ler , efcrcuer , ôc cantar : Foy traça de; Io- ^ ' ;
feph , que vieflemeítes menmos pêra os campos encorpo- 0$ ctoípos oif rarfe com feus difcipolos em fauor , & ajuda dos Paes , c6 "l^;^ o effeito, que logo veremos. Continuauam eftes na noua Al- em ajuda do» dea fua efcolâ ,a)udauam a beneficiar os officios diuinos^" '°*'' 7:^ cm canto de orgam,ôcinílromentosmuficos. ( Omor go- *>
fto, Ôc incitamento, que podia auer pêra os Paes, que ja. allieftauam, vindos defeusfertoens.)Efpalhauamfe a noite dj^u 5^0 foy pellascazas de feus parentes, a cantar as cantigas pias de ^^^^J^^llt^^ feph em própria lingoa contrapoítas âs que elles coftumauaõ cantar vais, ôc gentílicas .• Com os Padres ajudauam a ca-t thcquizar. Na efcola inftruiam aos feusigoaes , na doutri-;
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^õ^V^'á^1ii*tie^a^Sakl©deíSÍôíí^Sentóav^^ òra^&'€toíàntó'ée'õi^^i$í í^As (e ííítmrPê^ipMas^iJít^íá^íàm de linho de cardos bra,uos4- í)uaá ^áseS lió dia dauam liçafin da doutrina Chriftam , Ôs ciii^bítiab^ífípoií^ílâí forma ; foram bauítzados , pãííantié de tímtà^èóma íol^bmdade poííiuel , cípevândo osgvindts ttierèíÉt^áttielliantêf ôWíiftà :^A x^ifta dos filhos feanimauaõ gr^tiittnmtè ^s Pâes> ê& túffi^tiam algiíns ^íft t:aío d& hd> rá, cjtieeie^lliebuudfém d^gânhar par mao. Com d\á ■tbntóôliam os Padres mais de vagaf , parqueie aí fêtrr^ na féy ôc defârreigaíícm dos íicos gefítiU ftientekíe^inhos demâfiados , ntctitas molheres y 6c gula dè càírií^lítftiiâ^èk ; E neftes Vícios a nenhuns tinham mais con*' irainí^'^Ui2'í(^&s filhòsfrôprios^porq com zelaja
Chriftam vigiauam os Paes , & os acufauam ao^ Padres , ôt .oí 3í.â.?r T^í^ês m^ííAb^ ^údauam alhesquebrar as talhas de vinho em '«;^ «-^"-^íiiás^bcbedicfís;' '■ -- > '
íreináeel "^ •' !í ' ií!ânddtudoBèftâ bclla paz í cntroti o inimigo per- ftrouar o tuTbaddr *í-'^ue ja tardauam feiís embufteç, a defcompor os grande ftuitoatómWd^^ pobres Ifidios, por meio dehuacomapeftetere í^g^^jl! ríut^íie ^riôi-itó, tom tàl rigor , que era o meímo acome- doenç,; ter , q^é derribar i pr itiâr dois fentidos , ôc denrro de três * ch'ro».4pBr4/0^ qtJâtrodias kmtà fépultura : Metendo o fagas inimigo íif«??, i, //»c I. em cabeça áquella gente fimples . que os Padres lhes cau* /eA/>íi p4^.''Tauam2fníarte , queeram os preceitos de ftia doutrina muy 4J- or/w. frabâlhofos, & muic<intràriosaoscoftumes defeusfertoés 5 quela íiaõ mornao íata a preíia , &: outros embuítesícme- xo) o:£.ip Ihãtes.femreíam mas cotn tâl eífeito, que os Padres fe viam wjbt:^ L . cm grande aperto, & com o curío da conuerfam em perigo. Traçou lofcphj & feus difcipolos, noue praciííoens, aos noue choros dos Anjos, com todaa fokmnidade polliuel. Hiam nellatodosos faõs, homens, Ôcmolheres, com luzes
ílíí
.^3l
Li VR ol. Cap.VI. 3<
de cera nas maõs 5 & os meninos da efcola com cruzes áscoftas, dilciplinandofc muitos delles , até derramar langue: E a viftadeíla piedade hiam trocando aquelles bar- ba i^s feus conceitos , porque parauaa medida delia, a fú- ria braua da doen(^a,
é r- Alem defte ouue outro meio humano 3 ôc foy que ^^.^^^ vendo os Padres , que era o mal força de fangue, & nam '■^'
auendo na terra fangrador , nem aindalancetas, começou Aguçam io= loíeph , ôc logo alguns feus diícipolos, à aguçar os cani- d,^^,,^,,^, uetes , com queaparauamas pcnnas , ôcafangrar com el- J---"- les os doentes . com tal eíf eito , que raro foy o que mor- ^,^,,. e, c é- reodalli em diante & os perigofos melhoraram. A vifta de--^-^-- hum , & outro exemplo ficaram os índios fatisfeitos , & fato. .deziam ja , que a doença daua o diabo , 6c a faude dauam os Padres , que amança o meio da charldade os ânimos
mais feros. . Outroetrba-
. ^ 7 Com outros enfayos fahio o diabo , nam menos peri- ^^^^^f^ -ttofos, tinha perfuadidoà muitos homens moradores d^-cenoiUtn quellas partes, que era licito, & ainda honrofo o trato dei^cos faltearos índios, ou nos caminhos , ou cm fuás Aldeãs, ^ ihidm. fogeitalosa feruiço feu , & do pouo; Entre eftes hauia ccrtosMamalucos. que vendo a doutrina de lofeph, tam
contraria , conceberam contra elle,& todos os mais Reli- aiofosnoíTos ódio mortal : Amotinauam toda a creatura, que conjuraíTe contra elles em vingança daquella que elles tinham por injuria ; Aos Indi os perfuadiam com o argumen- to de mor força , que pode auer entre efta gente , & era lan- çarlhes em roftro, que fe acolhiam a Igreja por couardes, & nam preftarem pêra a guerra , ( impropério que fentemfo- bre todos os outros. ) Aos das Aldeãs deziam , que largaf* fcm os Padres , que eram homens eílrangeiros , degrada- dos.gétevadia.quemaiorhonralhesferiafogeitaríeahomês
valentes de arco , & frecha , como elles, que a hun^ eílran- geiros couardes. Com eftes, òcfemelhantes ditos afim per- turbauam os ânimos daquella gente ignorante, os Mama-
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ibidem.
B2 Vida DO P. Ioseph AYjghiita;
lucos 5 & cohi fua nátúrál eloquência , (€iíi cujos "^cíorpioíl parece fâlàúà o diabo ) aííi os cmbrà-bècefáni , & arnoti- naraiíi qúè ouueram òs ladres paf ie-ntam dé deixalos , até melhof íucceííb; '^^^ " ''^^ ■ ^
fte. 8 Outro embuíte do inimigo. Amotinàramlcòs índios
'brauos-cÒnlarCGens, contra os índios de Piràtminga , feitos ^mh^ni coirpo vieram à acomeçeílos coiíi gran- "°í fni8?i;§A .^e alarido Sairarii ao encontro os Piratininaanos ar- rol. q,3i!a libados igoaimente' de arcos ,& da rc , porque eram ja ""' 'fi '''?. Chriítâõs , ou cathectímenos parte dellesi Porem chega^ dos ao campo , viram que era multidam de gente nam / ,..• aa: iniaginada .Entraram em defconfiança, & medo. Notoa •°^*^ âquellapértiírbaçam a moiher do Gâpitam mor- de tódõSj que (fegundòcoftume antigo deíla gente ) íempre vai ao lado do marido nà guerra » & era bautizádà , grande Chri- -B<jro5 01.» ftam , & varonil , & virandofe aos foldadados. DiíTe, que ©skwoioLai: toUardia hé efta Toldados ) nam vos lembrais , que peleia- «rnsM 2C3731 mos jadapàftc de Chrifto , & que eftes que vedes , fam g6- tios, tragadores da carne hu mana .'afazei , fazei todos a^ quelle bém€nal , que o Padre lofeph , ôc os màis Padres vos iníinaràm, áafanta CruSiÔc com elle confiados acome- tei: Ditas eftaspalauras foy couza de efparjfo , depois de feito ofinal da Crus por todos, ver o animo intrépido com 'que ãcofnètéram , tam conhecidamente, que defmaiarani logo os contrários i ôcíe poferam em fogída ■■, com eílrago fíiiferarídò de mor tos, feridos , 6ccatiuosque deixaram no campo. De dous fomerite fediz que ficaram mortos dos nof- vitimo - ^^^ ' porqlienam deraõ credito â índia > que os amoeftaua. bufte. 9 Outra pertutbaçam. Foram a guerra contra feus
inimigos alguma gente dos índios dos Padres , tomaram nella hum prifioneiro Goayanâ de naçam , ôc voltando à DetèrmiaSíe Aldca , cònuidados pârcce defuas^oas carncs , & efqueci- mVr"era°y°"^o^^^ ^o^^í^í"^ dos Padres 5 deterníinaram comei lo em reiro hum terreírO , & pêra proua , , que importaua aífi a cauza publi* ca, bmefHio Principal jâ Qiriftam , por nome Martim
Affonço
aoaíi.
»".«5.ir;l.
Ibidem '.
Goayànà
' -ii.
«AT3 LlV R o I,C A PlTVtO VI. =/ ^J
Ãífonço de Meíloj mandou alin7par o terreiro de fronte da caza dos Padres, com tal reloluçam , feita, ôc alarido, comofe emfeu fertam eftiuerajque parece nam ficam em fi neílescazos , ou arrebatados do odio do inimigo , ou do amor da carne humana, ou do apetite da honra , que cui- dam , ganham em femelhantesados. Ia chegaua aíer pre- fo cm cordas o pobre Goayanâ , ja corriam os brindes , ja fe apreftauam as velhas repartidoras , que hauiam de fer das carnes do trifte padecente, fegundofeucoílume bárbaro: Procurauam fogo , lenha, panellas,em que cofelas : Ia fi- nalmente feenfeicaua aquelíe valente triumphador , que hauiade fer oqueobraííetamilluílrefeito Senam quenefte tempo fentioo defcomedido , & arrogante Principal a força deeipirito de lofeph, que junco com a |de Nóbrega, qu6 alFifeachaua, depois de tentados fem efíeito os meios de brâdura,fora5 os primeiros Religiofos refolutos, que quebra- ram as cordas, largaram o preío , afugentaram as velhas, desfizeram o fogo, quebraram aâ panelas ,& talhas de vinho : E oquc mais efpanta , fenhorearanifc dapropria ma- ^a, ouefpada, com que coílumauam efgrimir) ferir, ôc matar neftas occafioens , & he cntreellcs o fumnpQ^dos aggrauos efte.., ohrfT^h-^ríç "5^ . ^h fhcih
(ro-írAquife deupor afrontado o bóm Principal Martim^^f^ii^^»» A ffonço, gritou yaíTouuiou ,bateo oarco , & opc 5 apelli-M*rtimAf* dou os feus.&amiaçou, que lançaria de fuás terras gen te que^*^"^"* "* namdeixaua deíafrontar de feus iniíftigos hum Principal. Pretendeo tornarão intento , ouue huma fouce as mãos , & quis obrar com ella a morte , que com a efpada nam po- derai porem lofeph, ôc feus diícipolos lha tiraram da mão; E o fim da tragedia foy , que quando fe eftaua efperan^o de hum Principal aggrauadojôc vafalos tam inconftates hum grande defatino , a vifta da força do eípirito, & eloquên- cia , efpecialmente de lofcph , que lhe afeaua o delito , que cometiam homens ja da Igreja de Deos, o Principaljiôc, todos cllcs voltando as cofias fe foram como enuergonha- - - E dos
.a- J.ia
Í4 Vida úo P. los iph de Anc hi éta, dos iweter em fuás cafas .- £ patfeílo^o furor cahiramtío mal ,.<jue'fafiam*3&:foramláíicarfeaos pG5 dos Padres* Dêftes ettibiift es nam fahio bem o inimigo.Traçou porem outro impedimento de maior conta , & foyamorte deí- bumana de hum dos mais incançaucis companheiros y que tinha a efcòla de lofeph. A cujo fentlmento dedicaremos o feguinte capitulo^ qudnam cabe cm pouco papel, per* vdatam grande, ^ri.fir -^ í;ueílsiqso^
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CAPÍTVLOVII.
Monewmurofa do Irmam Pedro Gorreã ^eflw
dante 5 hum dos mais Tèruofofos díscipoíos dé^
Z,Jpfeph^ & de (eu companheiro laam de SoufiÚ
Trifte /ôc junicaiiiente alegre cafo da mor^ tedo venturofo Irmam Pedro Corrêa- eáudante . difcipolo de lofeph de Anchic->
,^^^,^, ta *& de feu companheiro loamdeSoufaíi
tiraTei d^ que tenho efcrito,&auerÍguado,.(fe bem com <«^^^'^^â mudança , & breuidade neceíTaria ) no tomo primeiro ^<^:Lí^ Chronica deíle Eftado , porque em huma, ôc outra parte s «««. 170. i^ç neceíTariamente dêuida ^ alii , porque fam annaes do.Bra»^ fil , aqui pc^ue bebida de lofeph , & «fta a prenda íua. Biaisamada, • :^^^ ^^"^-^ ; ,.rii o^ieí^oí ' ;'->-,^^-i^ ^ <if iD^ixados agora outros motiuosTkntos-, quecperaíCttáS Mifí^niapoma o Padre lofeph, ôc eu moílrti no lugar/da^. Ghrònicas citado j oprincipal foy o fegumtc. Auia^guer-t ^as acefas entre aquel\asdmsnaçoens. Tupis, &Xan)os dos Patos, deílTuindofe, & aíTolandofe huns aos outros.: h. era brande incoueniente efte pêra os intentos da coinieríatn, da fé & fò Corrêa poderia acabar com eftes bárbaros íà depofe^cm os arcos,ôc fe rcndeffema f^poreftcfim.alto^
Principal n^oriuoda niíTam»
LivkoI.Cai^. VII. 35
de outros , Sc fe refolueram os Padres , a mandar ao Ir- mão Pedro Corrêa a cílaglorioíarniíTam , con6ando del- k , que comÍLia grande eloquência , & feruor do eípirito , íahiria com cmprefa tam dezcjada.
\ Pêra eílamiílam pois , foy auiíado cÕgride jubilo de fuarw^^íj-.-; alma, ( rorquc eíles eram íeus mais eítimados empregos ),.«.,7o. Partio a ella cm 24. de Agofto dia de S. Bartolameu do;^^;^^-^-^^ annodeMSf. tomando a bencam, abraçando , &: delpe 49. dindofe defeus Irmãos, Meftre , ôc diícipolos, ^^m ia-^^^^^^^,^^^ <»rimas dealegria, ( que parece lhe adeumhaua o cora-^^^^^^e 1554» eamaboa ventura, que por aquellas matas lhe tinha guardado oCeo.) Acompanhoao , o irmaÕloamdeSoufaChega^;^^^ coadjutor. Chegados ao porto principal dos Tupis , f erapis. cntam , o a que hoje chamamos Cananea,)entrou pregando á aquella gente, & comfua graça , & eloquência catiuouAkança p>- os animos^^de todos Tratou logo da paz , ôc negocio da fé,^;"/^'.^^^; ^*: &L deram palaura de huma , & outra coufa , õc de fazer^i^.&de hum lugaríeparado onde todos podeaemajuntaríeaouuirj^i^^^^fé. ■ a doutrina Chriftam. E o que he efpanto , chegaram a^^^^^ ^^^^^ entrregalhe os catiuos , que tinham ja em cordas, como a en-^;'^'^^^ ^^^^ gordar pêra pafto 5 primor mais raro . a que podia chegar tr^cdks^hu^m eílanacam. Entre efteslhederanihumCaftelhano, que ti-^j^^comer. nha vitido com os Carijós contra elles â guerra. :
4 Partio daqui oirmam Corrêa , ôc depois de largos, cheg^aj^rra & afperoscaminhos, chegou a terradosCanjos • E como&ac.b.com era tam conhecido feu nome , graça, & eloquência , ^li^y;^;^;/^^,, ouuiam de boa vontade feus fermoens , & vieram em. tudo o que pedia , aíTi das pazes dos Tupis , como de recebera doutrinada fé. Pós fe outra ves em caminho , comintençamde tornar aos Tupis , com a boa noua d^a paz , que c5 elles querião os Carijós, a aíTentar as condições delia , ôc introduíir de efpaço â pregaçam da fé neftas duas naçoens. ;> ííí.^í. .
5* Senam que fam incomprchenfiueisosjuizosdeDeoS} entrou aqui o mimigo infernal , inucjofo de tam grandes
E ij principi-
li
V
IDA D O P. I O S t PH A k C H I E T a;
«fiií\ P^^^^^P^^^-' Aniotinoudeimprooiíoõs Bárbaros contra as
■fcfoiucn-.íe cm inatáí os Irmaós por inducçam de hum Cíftc-
U
Pregadores da verdade , & decerminaramfeemdar a mor- te aos que pretendiam darlhes a vida, A caufa detam gran- de variedade, hecerto , que foy hum Caílelhano , homem peruerfo,queallife achou como írmam Corrêa. Qual cfte foííenanvhe tam certo , porque huns dizem que foy hum EÍ|)ánhoh que o Padre Manoel de Chaues de noíTa Companhia Hurara das cordas, & dentes dos Tupis, Ôc de- pois de hure apartara de huma Índia , com quem andaua amancebado: Eque pelloodio que tinha aos Padres da Companhia , fes matar eíles dous innocentes, achandofe nefta occaíiatn.
6 Outros dizem , que foy aquelle mefíno Caft elhano, que o Irmaõ Pedro Corrêa huràrâ do poder dos Tupis, entre outros priíioneiros , como vimosj&t^ue o mefmo Írma5 Ihetiraraaamiga, caufadofentimento. Aífi o efcreue Or- kndino nas Chronicàs da Companhia, rí?;/'/*?!. imroi^., nu- ^còm^míir mero !i5. & o Padre Eufebio Nieremberg dos Varoens illu- ^mmlxi'*.'''" ftr^s abaixo citado. Oprimeiro parecer tenho por mais cer- to, & pof ellc eftà o Padre loícph de Anchieta. FoíTe qual- quer dosdoxis ; certo he^que impaciente aquelle pobre ho- mem de verfe apartar de íua mâ conforte , ou por via do Ir- mão, ou do Padre, cobrou tal ódio aos da Companhia , que determinou vingar íeu fentimento nos dous innocentes, & defacâulelados Irmãos : E como era fagas , manhofo , & de- firo na lingoa Brafilica, mcteo aos fimples índios em cabe- ça , que os Irmãos vinham por efpias dos Tupis ,feus con- trario^ , & que conuinha tirarlhes as vidas muito a preíTa , antes queefperimentaííem cm fi as frechas , ôc dentes de kns inimigos, Nam foram neceífarias mais palauras a gente ta5 barbará , & vâriauel ; facm a terreiro ,âppellidam gente , batem os pés , os arcos , & as frechas , finais de amotma- dos , & arremetem ao caminho em bufca dos dous feruos deDeos 7 Tinham elles chegado , bem fora do fucceffo , a huma
campina
L 1 và ol. Cap.V 11.
37
cnmpina» rezando fuás dcua^oens a pc, & com feiís bor- ^;,"í J„, d; doensemas maõs, quando ouuiram alaridos de vozes, s.ufa. que arroauam os montes vefitiios ,& de improuifo vecm- fc cercados de bandos de Teus niermoshofpedes ^ & junta- nienre de hum chuUeiro de íuas frechas. Encontraram pri- meiro com o irmão loam de Souza, com hum cedinho de pinhoens , pendurado do braço , viatico que auia de fer do caminho, o qual vendo os bárbaros , conheceofeu da- nado interno, ^ podo de joelhos, inuocândo os Santos nomes de lefu , òc Maria , toy trcfpaííado de fuás cruéis fre- chas, tè que caindo dcfmaiado em terra, deu o efpirito ao
Criador. 8 Tudo via o Irmão companheiro Pedro Corrêa 5 õc em
quanto duraua aquelle eipedaculo fanguineo . prégaua em aha voz , reprehendendó tam grande defatino com aquel- lafuâcoftumadaeloquencia , que abrandaria os mais da-^^^'^'^^^^^'' TOS penedo:,. Porem nam eram ja ouuidasíiaas palauras , néCoaca. cramaquelies coraçoensosmefmos 5 trocaramfe em cora- çoensde feras 5 endurecera os o fogo ardente do ií)fcrno. Carreira logo fobre o cordeiro maço húa nuue de frechas, Ôc feitoo corpo rodo em humcriuo ( qual outro mártir S. Sebaftiam ) paliado o peito , & entranhas, nâm pode terfc cm o bordam, caindo de joelhos , leuantândoas maõs ao Ceo.rompeoaquellaalmaditozaasatadurasdacarnemor- tal , ôc voou a terra dos viuentes , por quem auia tanto fufpirado , & padecidonefte deílerro. Ficaram os corpos defuntos no mefmo lugar do martirio , pêra ferem comi ^ dos das aues , òc feras, & ficaram alli até o dia der- radeiro feus oíTos em teftemunhode tam grande maldade. 9 Foy o Irmão Pedro Corrêa no feculo de geraçam no Qu-mfb^^^^^^^
bre , dos Correas do Reyno de Portugal. Paííoufe ao Brafílcr*"' naquelles principios na Capitania de S. Vicente, &foynel- laomaispoderofo dos moradores. Gaitou muitos annos de fuavida , acommodandofe ao modo de viuer do lugar, falteando , & catiuando índios por mar, ôc por terra ,dc
E iij que
^occe*
et:--
38 VíDA DÓ F. lÕSEPÍí ÂncSiETa;
<]U€ enriqueci rfuacaza.Nam entendendo agrandeinjarliè que niíTo fazia àquellas creaturas racionais, por natuf reza liures ^ aoces parecendolhe fazia íeruicoaDeos , com capa que entre Ghriftãos poderiam redufirfe a Chriílo. •Chegou âquella Capitania o Padre Leonardo Nunes no anno de 1340. E ouuindo Pedro Corrêa fua doutrina , ôc asrezoefis com que eftranhaua aquelle modo de viuer , de fakcar , & catiuaros índios 3 como era homem capas , ôc bem enccfidido , fez nelle tanta impreííam , quedehberou, nam íò deixar o officio, mas com elleomundo , & dedi- xarfeto4oa hum perpetuo íacrificio , entrando em Reli, giam. lulgaua que fò dcfta maneira poderia pagar (eus pec-* cadòs. Tratou com o Padre Leonardo , foy delle com ef- lEnmnaCõ.f€ÍtofeceÍ)ido na Companhia, ôc foy femelhãce íua conuer^ famâdehumS. Paulo j porque foy iníigne o zelo , com que tratou os índios ,dalli em diante padecendo pwlla li- berdade de íeus corpos , & vida de fuás almas , fomes , fedes , frios , calmas , malquerenças , perigos de mar , &c de terra , & todo o género de trabalhos ,com conftancia ÚQ outío Âpoílolo das gentes. Foy ouuido dizer muitas vezes , que nam poderia alcançar perdam dosgrandes ma^ les que tinha obrado contra os Braíis , fenam empregan- dofe todo em feu feruíço até morrer, Aííi o cumprio 5 porque finco annos que Ihereíloude vida , foram outros tantos que teue de catiuo dos índios. .1
- 10 Nam podem contarfe facilmente os fertoens què fuT^ df qucí^^^'^**^^ ' ^^ mares que nauegou, os rios que paífou , as bref- cia , & !,n- nhãs que rompeo em bufcâ de íeus amados índios. PaíTou g a o ra \* jj^^j-^pj^Q aos Arraiais dos Tamayos , as terras dos Tupis , ox^-^Kí-íiC dosTúpinaquls , dos Carijós: Sufpendeo feus arcos, 6c r^n niuito mais feus coraçoens , o grande efpirito , & eloquên- cia de Corrêa. He coufa aueriguada , que foy o melhor lin- goa daquelle tempo : Dillo efpreíTamente leu Meftre lo- feph , éc que era tal a corrente de fua eloquência , que em começandoafalarfufpendia os ânimos. Entrauapellas ca- ^ . i - ias
laote
.ATri LivKO IC A P.VM.' ^ . 7«5
fas dos índios, pregando , como entrara pellafua , ainda quefoflan gentios. A prcgdçam era commummente de noite , ôc fuccedia começar , ances do meio delia, & acabar alta manham, ícm que alguém dormiííe. Com eílc dom, & ícu grande eípirito nam podem redufirfe anumeroos muitos que trouxe de feusfertoens ao grémio da Igreja: Os muitos que caihequizou ,que bati^izou , que curou, òc liurou da morte .^
II Foy difcipolo do Padre loreph , nam menos na ar- Foycftud-_._ te dagrai^matica, que da virtude 5 &c de íua claíTe % d>^;p;'° «*« mandado por obediência a efta vitima, ôcdiíofa miflam , & nam foy coadjutor temporal , como efcreuc o Padre Baltezar Telles na fua íegunda parte das Chronicas i/«. ^ cfip.^2 num. 13 enganado paréci£> ou de que nam cheaou a fer Sacerdote , oudos officios baixos » que no íeruiçoda Companhia txercitou por fi^a humildade; o cô- trariohc certo : Dilloeípreíramentefeu mefmo Meftre lo- fcph por ettas palauras. Cornepu o irmão Pedra Corrêa o ejtudj dx grammattca com mmta àiltgenau , çffermr^ por ftr ordem da obediência , ^ com Zielo das almoi , pêra foder fer ordenado y ^ empregar femats emfiuferuifo. 12 Sabida a morte dcfte Santo Irmao em Piratinitiga , piiotoi qoe ouue planto geral entre os índios í Enchiam os montes os^f^^^j^^^^p*^^^^: fccosdefeus aislaílimofos : Ia mais fizeram a fcu modo ex-tiMog« peii* equias mais fentidas 3 nam faltou pregador ;Ao redor doSp^^g^^ot. ' triftes enojados, andaua hu dos mais ôfcolhidos ,ôc eíle em vozes altas fe queixaua aíTi: AondeeftàonoíToPay ? o noffo Meftre? o noílb Pregador/ Aqtaellô que com fua cloque- feia íufpendia por inteiras noites rioífo fono , & noíTos co- raçocns .'=' Aquelle queera medico de noíTas enfermidades, :^
& coníolaçam em noíTos trabalhos ? Aonde cftà ? aonde .í^.iÍTí eftà preguntauam a íeu modo âos caminhos , aos montes, aos rios , aos defertòs , que feito he de noífo -Corrêa ? chamauam cruéis , ingratos » aos coraçocns, aos braços, & aos arcos , dos que íhe tiraram a vida , 2c a nam ferem t. Chriílãos
sg?
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c4ô VipA SÓ P.IÕSEÍPH Anchieta;
íChriftãos, alguns delles ,& todos difci poios dos Pa- dres, armaram fuás frechas contra gente tam fera. %em (of o n o Irmão loam de Soufa foy também dos primeiros ^Ti^uzlr"^^^^^^^^^^^^ Capitania de S. Vicente, ôc dos primeiros
, querecebeo na Companhia o Padre Nóbrega. Porem fuás
: virtudes liam pertencem aqui onde tratamos , principalmé-
jed<3,humdifcipolodeloícph. Deftes dous ditofos man- cebas efcreueram o Padre Nicolao Orlandino na primei- sícfií^oAa-co? ia parte das Chronicas da Companhia //«. i4- depJe o ní '^«|*^5^»tf'H8- MaíFeu&.,i^ da índia. O Padre Pedro
ímchtom, 2. de feu thczouro Indico hu. i. cap, 24/0 Padre Pedro de Ribadaneirana vida deS. ígnacio r^íp-n,
,0 Padre Sprnelo na vida da Virgem Senhora Noífa cap^ 20. O padre Balthezar Telles nas Chronicas de Portugal part^
i Xé Im, s.cap, si. o Catalogo dos Mártires da Companhia de lefu. António de Varconcellos na defcripçam de Portu- gal. O Padre Eufebio Nieremberg r<?/». 2. dos varoens il-
vluftres da Companhia. E primeiro que todos o Padre lo- fephde Anchieta em km notados ma nufcriptos.
4^„.CAPrTVLOVIII.
lesque efcrc U6ram deftes Santos Ir- mãos.
-íil to msiiSB
;,!'' ,'*f « £)(jí piaUdmipoiosdaejcolade lofeph alem do ■-'•'^''""*'"-'^''" Imam Pedro Coma. ' ' '''"P'
.20Í.52SJ
a07
1
t>oi mtis dif' cipolds de Zofeph.
Os quekrcm ahiftoria fentidiíílma do iní
figne Irmaõ Pedro Corrêa humdosdozç
difcipolos de lofeph, he natural , que ve-^
nha logo ao entendimento o preguntarnos
que feito foy. dos outros condifcipolos de humaefço?
!a tam fanta , tam afamada, por cujo meio obrou
Peos nas almas tantas marauilhas ? porque , (como
idiíTeram dos fagrado? Apoílolos , alguns zelofos do efpir
fcW,^jÍiÍAÍ •»!'*
rito
LiVR oT. Cap^VíTI. -#i
rito) pêra maior edifícaçam , í<: confufam nofla, duuc- .ranios de inquirir , & notar com letras de ouro , nam í6 a fuftancia das peííoas deftes grandes V aroens ; mas todas fua-s acçoens,circunílancias , intentos 3 que caminhos andaram^ que íertoens penetraram?que matas romperam.'' que almas couerteram.^ porque eípertaffeo grande inceadio daquelles tempos, o menos feruor dos de agora. • r^:^ - *:? «o^^ íi-^nj X Nefta matéria porei a que pude colher dos efcritos de Anchieta Meftreíeujooutrolrmao (diz loleph) que con- correo a pouoar Piratininga, foy Manoel deChaues , o qual ooirmaó notempoemqueeftudaua , (oque fazia com diligencia grã- ^^^"^^^^l^^^ diífima ) como era hum dos principaes lingoas, & mais a- fcus eocomios creditado com os índios , juntamente feoccupaua na cultu- ra dellesj vifiraua de ordinário fete, ou oito Aldeãs a pé , tíift antes três, & quatro kgoas , enfinando , cathequizãdd, bautizãdoíemqueadureza,& ingratidão dos corações ín- dios foífe cauraperaenfadarfedelles.Emoutraparte diz.que 'údãc o ponto defua conuerfam à Companhia, fe deu efte irmaõ por dedicadoâ dos índios de Piratininga, com tam grande feruor de efpirito, que nenhuma outra couía cui- dauamaisdeíeu goílo: Acujo proporitotrasocafoíeguin- te , que lançandolhe emroílroreus'filhos, parentes, Ôc a-^^troi cx|- rnic^os a demafia com que fe defprezaua por feruir aos índios: Por dar repofta dehuma ves a eítafua queixa mundana 5 en- irou na Igreja hum dia de concurfo, onde os principaes , *ibnsqlíi?. parentes eftauam , & paíTeando pello meio deites, hia can-e jandoem alta voz, como zombando, aquelle prouerbio antigo Deulhe o vento no chapeiram, quer de quer nam. ífomolançandolhes em roftroo pouco caio que fazia , & íeue fazerfe do mundo > & de feus primores , com as fluaespalâuras fomente ficaram os parentes eonfufos , ôc jreprehendidos. -. . :• O'.; '^bV'ò*^^r;aH zonr. -
73/, Foyaquellerefolutoferuo do Senhor, que atropel- Jando dificuldades, caminhos afperos , & carrancas da inerte, penetrou as brenhas, õc entrou na Aldeã guerreira,
f onde
#00 800'»
^^#f ViDÀÍDOP. T'0S>PH ANCHIETA;
onde eítâua aquelle Caftelhano , ( de quem difíemos qtíc foracaufada morte cruel do írmaõ Pedro Corrêa ) poftõ ttn cordas a engordar, pêra fcr comido em íuas feftas, fegu- ^ofeu ooftume gentílico , por fer apanhado em guerra 5 Sc fendo couza tam difficultoza, & chcade perigo pretender cftrouar femelhantes exccuçoens , que clles tem por de tanta gloria jaífi falou , Ôc com tal eloquência, que fuípé- ^co os ânitnos , & alcançotj de todos que fe lhe entrecraíTe foko, ôcliure, oquc era ja condenado a paílo defeus^en- ires»
jbftiros, 4 £ftc trâoqíáeâtraueírauafertoensarperrimos, ape-
% de fomes , frios , geadas , rios , & feras , a fim fomente ée refgatar gente Chriftam , ou Pagam , dentre as naçoens, que tinham guerra com os Portuguefes . & nella lhe leuauamcatiuos, filhos, molheres , & parentes > com perigo da vida, & almaj ocas fêmeas com perigo mais cer- to de deshoneftidades,queconiellascoftumam vfar eftes barbaros,em vingança deíeu inimigo. Deíies catiuos depois de liures vinha acompanhado efte zeíofo feruo do Senhor, comellcserttrauaem pouoado , ôcasmolheresdaua a feus
4^5 í- niandos , os filhos aos Paes , & ospagaõs meninos encom- - itiendâua emcazâs virtuofas, pêra que os criaífem , ôc dou-^ trinaffem.
iSuípendiâ oi'?"t ' Efte finalmente , erao quc fufpendiá os arcos ^uefr
LXtf. ^^^^^^* entre os índios, & Portuguefes 5 nunqua ja mai^, em
quanto efteue em Piratininga , (foy por muito tempo, diz
feuMeftreíorephy'fe abrio guerra entre huns , & outros $
auendo caufas , & aggrauos que asfolicirauam 5 porque
entreuindoo Irmaõ Chaues, & ouuindooslndioso pe^
2o de fuasfézoens , aplacauam os ânimos , & fofriam ao^-
grauos Hamafò vez fe aufentou , & foy mefmoque rõper?e
guerra^quecom fua prcfença depois parou^durando a pàs por
todafua vida, ôcacabandofe com fua morte 5 tudo teílemu-
tiha feu Mellre. JEeílefoy ofegundo difcipolo da efcolade
^^•^^ ^ loí^ph.
Lívido I.C Aí»: VIÍI. iV
■43
lofcph, & defte diz em diucríos lugares, outros enco- niios grandes. " ibíaiui'
,6 O terceiro Difcipolo delofeph, que com elle co-Doirmaô niecou o eftudo , òc trabalho do nouo Collegio , foy o^/;^^^"*^ JrmaõGreoorio Serram dos mais adiantados, f como í^us encómio» .teftemunha íVu Meftre , ) em feruor de efpírito ; E que fendo ainda Irmaò ,com occupaí^^am do eftudo, tinha cui- /"'x»'*»» •dado de huma das Aldeãs dnquelles campos , juntamente com o Irmão Manoel de Chaues , afimdeeftudara lingoa &c ajudar aos filhos dos índios , noscoftumes da fé , ler , .'cfcreutr, ôc cantar. Aos Domingos , &: dias Santos eram focorridos de hum Padre , que lhes dizia Miíía , & os cõ- fcííaua , ou vinham elles pêra efte effeito , juncarfe com os demais Irmãos , à pé, 5c defcalços , com aííasde tra- balho, & frios dos caminhos: Que aíTi fe criauam neftes b( ns rempos, nos menores trabalhos , pcra os grandes. E dcfta efccla fahio depois efte Varam , também adeftrado nas cauzas do efpirito , que toda a Prouincia aferuorou. Foy efcolhido por Procuradora Roma por íuas grandes partes, por Reitor do Colícgio da Bahia /cabeça da Prouincia , quafi por vinte annos , & íeuaua aposíi os ani- mes namfò dos íubditos , mas de todos os com quem trat aua, de cujas virtudes emparticular agora nao tratamos. ^ ;,,v 7 O quarto foy AfFonço Brás , aquelle fendo difci- AfFo^oèirti polo ,diz delle lofeph, que foy iníigne entre todos os ou-*^. ^^"'^^so: tros , no feruor, Sc trabalho, com que ajudou as obras das cazas dos índios , naquella primeira pouoaçam : Elle Í2iÇ\2iChroK. uu. t os petipés, trraçaua paredes, lauraua as madeiras, comfua' enxó na ma5 , fem que nunqua o tal officio aprendeíTe ; El- le era juntamente obreiro com os de mais , trazendo os ceftos de terra as coftas , a agoa da fonte , & o mais necef- fario , prezandofe dos trabalhos de Chrifto , por ajudar aquella gente miferauel. Foy o primeiro Superior que ouue na cazada Villa daViâroria da Capitania do Spirito fanto, aonde , ôc emdiuerfas outras partes da Prouincia, foy co-
'^-' • F ij nhecido
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#4 V í D À DO P. I O st 1>H An C H i e t a ,
nhecidofeu grande tão de faluar almas j que remeto â hiíloriadas Chronicas, ;
5u)^'o"i*aco- ^ Q quinto Difcipolo foY O írmaõ Diogo íacome , Mç, & feuscomparílieiro primeiro do Padre Leonardo Nunes, ôc nao ençomiôs. Çq^^^^q j^^ fírjiraçam deícu grande ^élo , òc trabalhos cw /,». naCapitania de S. V icente. Dtlie teftemunha feu Meftre ^^'?4 «. 68,<jue tinha entranhas abrafadas da íaluaçam das almas , que 'Sa7chí»?p, ' j" por elks defprezou os Colleglos de Europa , & fe veio me- clrc'f'de^^^ ter nas brenhas da gentilidade Braíilica ; Foy aqueilc^que PortHg.i^^ I fnandadt) depois a Capitania do Spirito fanto, tcue aill í« j. '^^^lo cuidado da Aldeã do afamado Principal, por nome ogram Gato , em a qualhauendo trabalhado incancauelmente na culturadaquella gente barbara , quiso Ceo apurar no fím da vida Tua paciência , com huma pcfte deshumaea de bt* xigas , que dcceofobre aqutllas Aldeãs. Té que canfado , Ôcconfumido do trabalho d^ curar , preparar, & dar à terra mortos , entre triílezas > & efperanças j clamando ao Ceo deu a alma a feu Criador. Vejamfe nos aponta- ínentosde ftu Meílre loíeph > na^ Chronicas do Brafil , ôc mais lugares a margem citados , os grandes encómios de- íle feruodeDeos. iDoirmaô 9 Foj O Tcxto Lconardodo Valle, ftgutido nouiço vXVaTfcw '^^c^t)ido etnS. Vicente pello Padre Leonardo Nunci , en^^emios. 0^35 entre os primeiros em feguir Teus exemplos ; com elie entrou nos fertoens , conuerteo muitas almas a pé , quaíi defcalço , com alpergatas feitas de cardos brauos , que era o 2 . couro daquelle tempo , iníinando a índios , & Angolas pel^
*' " las ruas , & pedindo o fuílento da vida por efmola , de por- ta em porta. Efte foy o fexto Difcipolo dàquella efcola de lofeph , ôc profeguio neíla conformidade , fegundo o fer- Uor, Ôc çfpirito dellaaiéo fímda vida. GíVarLou- ^° ^ feptimo foy o Irma5 Gafpar Lourenço Pay ren<5o.& feusdos Iitdios ,rio dc eloqucttcia Brafilica , cujos echos fòaram encómios, ^jj^ j^ p^^ muitos atinos depois de fua morte , nos fertoens, chren dtBraf.^ brenhas mais remontadas , como moflraramnos lugares if ^^•/'•'^^ ^^ jjjargem ,onde fe podem ver O
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Livno I.C A p VIIT: 4$
Tl O Irmão Vicente Rodrigues foy o outauo defta efcola aquelle fcruorolo Miliionario , de quem primeiro viccmc Ro- o mcímo Meftie aprendeo , logo c]ue chegou a Bahia, ;^;;g^"^^»^^ huma traça , té entam nunqua viíla de bautizar em perigo mio», de mortes ^ ^7 a feguinte. Em huma Aldeã da Bahia ^^^^^^^^^^' tinham os índios prefo em cordas, & poftoaceua pêra ma-yí^f^^. i*». »• tarA comer em terreiro comas ceremonias, òc leisdefeus'^^- ritos bárbaros, de queja faleioutra vez. & por ventura def- creuerei, quando mais forçar a hiíloria : 7 eue noticia o Irmaõ Vicente Rodrigues do dia da fefta, ôc antes delia , nam confiando de fi , poder auer o prefo do Principal , que era gentio , & foberbo -, contentoufe com alcançar po- der falharlhe por interprete, preparou-o, &c inílruhio quan- to era baftantedas coufas da fé Porem quando quis bau- tizalo, achou repugnância no Principal , que com feuera prohibiçam, mandou aosfeus , que ninguém deíTcagoa^. tendo perafi ( fuperftiçam infernal , que o diabo lhes me- teo em cabeça a efta gentilidade ) queaquella agoa dofan- to baurifmo embora o godo âs carnes , dos que fe bauti- zam.Trifte cazo ? conhderaíe o Irmão Vicente perdido o trabalho, òc fim defeu caminho. Porem acudio o Senhor a feuzeío; porque tornandofe ja . encontrou huma índia coiii hum cabaço de agoa a cabeça, pedelhe de beber , a molher , que ignoraua a prohibiçam de feu Principal , fim- plefmente lhe deu huma pouca de agoa 5 nefta enfopou o zelofo MiíTionario hum lenço , ôc fc foy íém íofpeita ao Tapujà, que hauia de padecer, ôcefpremendolhefotilmête o lençoíobrea cabeça, juntamente com a forma daquelle fanto Sacramento , odeixoubautizado.ôc ganhou aquella alma pêra o Ceo 5 & efta he a traça que aprendeo lofeph de feu difcipolo , antes de ler feu Meftre , motiuo de maior aíFeiçam.
12 O nono, decimo , & vndecimo Difcipolos da- quellafanra efcola de lofeph , nam acho nomeados por ellc 2°"^;^ Dic!, cm feus apontamentos Mas fegundo colho de efcritos an-cipoiojdcio-
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t) v.Bm çjo-os , forao o Padre BrasLourenço ,& c» In-nãoslóão Gon-
>cíia5j..ioamíaiues, oc AníonioBLalques Caitelhano , companheiros que
A^íltSo^Slí íiíiham fido de fuás viagens , aílim de Portugal a Bahia ,
^Qcs- como deílâ Cidade a S Vieence 3 parque feito computo
,^ dos Religiofos , que nefta Capitania fe achaoam, quando
^ partió a fundar eftudosem Piratlninga , he forçi qu e fof-
femcom elle eftes três pêra complemento do numero de-
feus difcipolos . E he certo que trabalharam neíla parte com
o zelo , & feruor dos mais.
13 O vitimo , & duodécimo foyo Padre Manoel de oÍM^noe7Paitiá, de quemdà teílemunho feu Meftre, que acabou dePaiaa. ^|j| ^q tftudar latim * & ficou nelle confumado , fendo. Mephpa .1X3 juntamente Superior dos mais > & dando exemplo a todos na cultura da faluaçam dos Índios: De tam raro feruor nas pregaçoens, quefuccedeo pregar por muitas horas hu- mâpâixam toda de joelhos ,fem que a força deefpiriro lhe deíTelugar , a fentir o trabalho.Que por tirar de occaíioens de peccados aos homens, fofreo por muitas vezes , afron- tas , Ôc injurias graues, com animo, & valor Apoftolico Que nas guerras dos noíTos contra Tamay os, onde dmer- fas vezes fe achou, andaua intrépido entre nuuens de fre- chas , com huma cruz na mão, com efpanco dos que pe- kjauam ainda inimigos , fem dano algum. De tam eílre- mada obediência , que confentio andar em pregam, nas praças da Bahia por mandado de feu Superior Manoel de Nóbrega , pêra fer vendido , ôc com o preço focorrer a neceííjdade dos Religiofos : Quefoy mãdado laçar a rodar por hum mote Íngreme abaixo , & o fez com fumma prom- ptidam, a te parar âvoz do mefmo Superior, fem oíFéça al- gua. Eeftes eram os difcipolos daefcoladelofephde An- chieta dos quais quis dar efta breue noticia porque fe veja quam bem empregados foram os fuores neíla primeira parce de fcus trabalhos^
IivròICapitvloIX.'
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A7
CAPITVLOIX.
De algumas coufcumtaueu que aconteceram poT ejie me [mo tempo ao Irmam lofeph.
E celebre o cafô da Bullâdolubileo da Al- ;^
I deade Ibiràpuerà. A efta Aldeã concorria Milagre ceis- no dia do Orago da fefta, copia de gente^^^ <^* ^""*i Portuguezadas Villas de S. Paulo circum-^^^^^^^ uefinhas. Eftauam as V^efporas da feda , quando aduerti- ram os Padres , que faltaua a Bulia do lubileo , que vie- ra de Roma, Ôc fe dcuia publicar a manhãa feguinre : Que fariam em fucccíTo tam duro ? neíle trabalho acudio loíeph , aliuiando aos Padres , & oíFerecendofe , a ir buf- caia aS. Vicente ,onde ficara. Era o caminho de quinze - legoas , como diííemos muitas vezes , fragofode áfperas ferranias , hiafe acabando aquellc dia , & na menham fe-- guintehauia de fazerfeafefta, z5baramosquenamconhéi' ciam bem a lofephdo dito j porem ellepartio junto a noi- te, &: quando chegou na menham feguintea hora de pu* blicar a Bulia , eílauâ com ella na Igreja com efpanto de to- dos. Ou foíTe que neíle breue tempo andaífe trinta le* goas, que tantas hauia de ida , & vinda 5 ou que algum Anjo lha adminiftrou no caminho , qualquer que foíTe, nam podia fer fem milagre, -'••^^^'•' »'éi*v>i-iv ili^u zi^ n-j a^^j
1 Ajudando a abrir o caminho das ferranias dítás de S/j^^^^j^^j^ Paulo peraa Villade Santos , viram os companheiros com »"ebattdo qucmandaua hum portento grande. Sahiohuma vez , fe-*""""^'™* gundofeu coftume , a fazer oracam ao mato ao pé dehu-?mí/. , maaruore Jugar mais feparado do reboliço dos que tra- balhauam : hntrou huma chuuà, & depois de algum tempo , foram cm bufca delle , ôc viram que eftaua arreba-
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tado dt maticirâ que ciiamando-o três vezes à vozes alca? , ||áõdeu fé delks , nêdaciíaua , d^ qoe ficai am admirados. 3 Aiidaua mal encaminhado na Villa de S. Faulo com certas aíFeiçoens hum Pedro Colaço morador no me*mo k^gar. Era conhecido de lofeph, & dezejofo elie d^ feu bi efpiritual. Sahio huma hora depois da meia noite a por em himenídf ^^^^ ^""^ mâieficio.graue , foube-o lofeph , Ôc áquellas horas achou Pedro Colaço no carhinho hum minino, que da parte fua o chamaua logo > logo . que era cóufa neceíía- . ria, ficou fuípenío oèomem ,â inclinaçam o ieuaua , mas o mifterio do tempo ,& lugar o reprimiam Ouue de ir ao chamado de lofeph, acliou-o no choro em oraçam. E diíMhe •- ' ' fom^te eftas palauras.Eecolheiuos» rccolheruôs;rêcolheíuo^!. Colaço : Ficou be^m entendido^ fello aífi.E vindo a manha achou que eílauam a mefmahora efperando por elie dous Íi,omen;s pêra matalô Enram acabou de entender Colaço ^ perigo em que eíliuera , & teue o minino por Anjo , ôc ajofeph por Santo.
,4 Certa molher da mefma VÍllâ , viqiâ eftandolofa- mence , mal amigada comhiim índio , fendo cafada ; E com tanto çxçe ílb , que fogiocom o mefmo pêra o ferram a ;feu marido , Òc fe meteo entre o gentio. Soube-o lofeph, Ôc. compadecido da honra do marido > ôc alma da molher, Víy to fertaô fçpos 3 ç^mínho , pcnctrou as brenhas , òc chegando aos e^ufci^ índios ,Mcàn ella , Sc a elles com tal eloquência , & eípi - iiutTja aiaaa tíio , que çonucrteo a peccadora , & perfuadio os eentios a tazer j>azes com 05,ror<;uguezes , coufa mui dezejadaj ôc comefi:is duas vidòrias, voltou a S. Paulo, nam menos admirauel emhuma , qtie na outra 3 pois na primeira cor- obfiV^fb .iera perigo > do mal amigado ; E na fegunda de tantos ou- tros bárbaros, que qualquer outro ç^§ lofeph riam fora,^ .-^ ^ fariam pafto.de íeusvençres:^^ ^ ^^r^,.,]; «íí-n^
^ ,Na comedia , que, adi ma-diííemosj fizera a S Vicente do c^fo dafufpençam da chuua.Çelebramfe algumas profecias . «j.^çenxenanqs_ditpSídas£^ras,ôc peí::tpnci.am acadahua :
.k;*^5,í
LivroLCaKIX. V 49^ ^ .^^^
delis feaundofcueftado, que podiam reruirlhedeamfo, pe^^ - ^/:\^; raemen^alos. Humadcftas figuras era hum Francifco Diasnosd.osa.s Machado , homem de ruim viuer , a quem parece tinha auifado fem efíeitode emenda : em parte de feu dito deziaPa.eu.figu. aíS, pronoaicandolheocazotrilledeíuamorce..:,i/ .w.^a;
\ ^^taaemejik acabada ,.?^ ' rm-g^f i^
.j > .. ^TJaovatfe^fiUg^ndo, iObEn^.'
Ede(la ^id^,emcjtseando, -.Z'\r^'iÚ(i
Tor tantas cauz.<t5 errada , r.Ví^mnq ?.fi-b Brriu . . Mep^dla^iarJamfammda;a^ohn,z^^lV:^l^:^^^^\- Toís peccoportarítaí^ias: , . ríí^jíli-'
Tri/iedeFramfco Dío^l ..lvjuc':. ^^^-^^^
Namlhe/intofdtiaçíi^f^y
. ., Se qjos Áday da Concerfam^k^oh^^ ,-_^ { -• - ..:,!\si.'»í:t«i ( Nam pagais oa au^^rim. .<,.n:.-.. ^ -• - - .
Asauariasdeftaalmaprouâuelhe.queâsnampagouaVír* aem , porque o que commummenie íedis, he que mor- ?eo maUefcommungado, & obftinado por muitos ânnos:. E aal fe teuepor perdida , ôcie entendeo defta perdieam i a profecia do Seruo de Deos . . ç,„nhj,fi„„^
6 Outra figura era Pedro Guedes , homem amance-S-gundafigu, bado, & dcuiafercõeícandalo pêra cuja emendalhepedia. lofeph.que cafaííe , naquella mefma Villa , pêra que tiraíTe o . erc5dalo;comorupoéos relatores deite cazo.Aefte pois poti bómodo prophetizou o fim futuro, ôcfeu dito era o íeguinte
-rj Virgem f tira , fou quem^edes^ -^ «^
Diante de 'VOS me "Vtnho, '- -,.„jt,„,2
dLUi ii. Tirai ,^os peço efias redes » ' ■■
^ioíiL^ ^ efle pobre Ter o Guedes . - ■ - ^
'S- - ■ E quantospeccadcs tenho; -y" ^^ o^-J
^rLm. r^^ enredado, ,>bn5)bdoio0id £«f /;í'/ ^T-if^^ da perdiçam -^ cboJ loq , t^^m^^
-£mi3Í7 "^
i-iiil-i
nchieta;
4i| !
I
50 Vida d o P.Ioseph ,í Sj^em deixar o pecvadoi
£ f&rdmomcaZiado^ Nú Filia daCvncéfaWt,
Todos viam t}u€ loíeph {«fopkt!zo« ( fendo difficultofô decreer ) porque Pcro Guedes infpirado .ao quepare^co da Virgem, fe cafou logo na mefma Villa, com huma filha de hum Heitor Mendts , com efpanlo dos que o co. nhcccram , fazendo aadiânte vida exemplar. 7 Huma díisprimeiràsveíes que fobio de S. Vicenrc , a S. ^í^ f '"^^^^ anoitecendolhc no caminho , entrou m caza de hum m.r buo^a Home Dl , fera paffaralli algumas horas : TraUou pratica XfeH.Í^"'^^^^°^^^^^^"à.> q^enunqua dantes vira, nem conhece- ra , ôc coni impulfo mais que humano ( ao qaedepois pa- /m-V-ioLS-eceo ;ihe preguntoa como lhe hia , U como viuiaíref- pondeolhco homem : Vaimc muito bem, porque tudo meruccedeameugofto,52 fobejammeos bens dâ vida.- 5)0. deilas palaurãs deu fé o Companheiro , he ccttô que viooSantiomâis doqueellcouuio ; porque fahio logo da caza &diírenamheidêtílaremcaza onde nam ha ra^ mosdeCrnz. Piroposlhe entam o companheiro, dizendo que nam háuiâ outra pouzada , que vinham canfados,' era noirc , & o fim da jornada cftaua longe , que nam pare- cia acerto , o que fafia .Porem loíeph confiante deu a en- tender oquelogo viram : Eíby que alongados poucos paílos, virando atras > apareceo a cafa feita em viuofogo, & log5> desfeita em cinza , & com, horror grande do com^ panheiro,que entam deu por acertada a refoíuçamde lofeph. 8 Ia nefte tempo , fendo Jrmio ainda , era coufa pu-
seusrapto, ^ ' ^ '''^''''' ^""^ ^""^^^ Capitania de S. Vicente que cmCsnà.o- íe arrebataua em extaiis,&c!eua^oensde efpiritoem fuás "9oe.s.& oraçoens. Era tempo decantar, certo dia tinham tangi- do a meza , nam parecia lofeph 3 bufcaramno em feu cu- bículo batendo a porta, nam refpondeo 3 fizeram a mefma diligencia , por todo o Collegio, nam foy achado ^ tornou
vitima^
MiíTas.
Livro I C AP. IX. St
vltimamente o Refeitorciro a feu cubículo , porque lábia que namíahira fora , & abrindo a porta, vio o feruo do Senhor íuípenfo do cham, couza de meio couado, cem as maõs leuanradas em forma de oraçam ,tam alhea- do dos íentidos , que de nada deu fc , comadmiraçam do Irmam. Fechou a porta , ôc foy dar parte do que vira , ao Padre Nobreza enram Superior, o qual, fegundo a experiên- cia que tinha de lofeph , dilíe ao Irmão, deixaio eftar , que depois comera, dando a entender que eílaua em melho- res conuites.
9 Apagarafe huma noite a candea ao Padre Amaro Gonfalues , fahiofora ao corredor do Collegio a ver fe a- «dmiaíX "^ chaua alampada, onde podeíTeacendella: Vio que fahiam da camará de lofeph finais deluz, que reuerberaua > abrio^''*'^' ^•^"^' a porta , & achou , que a luz nam era da terra , fenam rei pland ores diuinos , fuaueis , admiraueis, que tinham em meioenleuado , Ôc fora de todos os fentidos a lofeph, nam fofreo o padre Amaro gozar fò de vifta tam agradauel , deu recado ao Padre lofeph Morinello , & ao Padre loam Bautifta , entraram ambos no cubículo , viram, & goza- ram do mefmo efpedaculo , & foram teílemunhas íide dignas deíle fauordo Ceo.
G i CAPI-
■|t V í D À D^ P. I Ó^ E PH An C H ; E T A ,
CAPITVLO X.
<2ana do Irmam lofeph de An chiem tem os enfermos de Portugal
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O R fim defte primeiro liuro me paréceo trcíladar aqui huma carca que efGreueo o Ir- mão lofeph aos enfermos de Portuga! , ôc moílrabem feu grande efpirito : He a fê*
íguinte.
Pax Ch/tp. A gyàfa de Nopo Senhor ^os cm fole-, canffímos IrmaÕs enfermos ^^n)os dê obras conforme ao nome que tendes. Awten. la eÇcreúi outras t prtnctp alme- te pelio Padre Leonardo Nunes , depois de cH]a> partida chegaram áS'uoíf as , £Í nos deram grande confolaçàirti. As nouas que por ca hây nas quadrimeftres fe veram larga- mente '. Ne fia qmro fomente dardos huma noua ^ ^ he qm Virt^s iniiifirrnitate perficicur, aqualfoy pêra mim a jf as noua todo o tempo que ahí efime j rnmto tendes canjfímos Irmãos , que dar graças ao Senhor , porqt^e 'vos fas partki^ pantes de fetts trabalhos * ^ enfermidades em as q^ats mo(trou o ^ amor que nos ttnhai Kez^-^m fera que o Cir- namos ao menos algum pouco i teyido grande paciência nas enfermidades y ^ neflas perfeiçoar a Virtude, A larga con* uerfaçamqaetiue né fas enfermarias , me fas nam poder ef- quecerme de meus cariffimos coenfermos , de\ejando velos curar , com , outras mais fortes mezjnhas , que as que la fe vfamhforquefem duutda pello que em mim experimentei níospoffo díà^r que ejl as mezjnhas materiais apouco faz^^m, çf aprouéitah. "Vor outras cartas vos tenho efcritoja de mi- nha difpofiçam-, à^quaicOfda diafe rénoua de maneira, que nenhuma diferença, ha de^mim a humfam^ ainda que ai-
Li V RO I. C A p X* 55
çitmas veTes , nam deixo de ler algumas rei) c^ui ai âa4 en- fcrmtdades p. f^^das ; porem nam faço mais conta delias .aus fe namfojfem* Até agorajempre tenho e fiado em Vtrati' ntnga , aue he aprimura Aldeã de Indtos , que efia de^ legoâs do mar^ tomo em outras cartas tenho efcrho , em a qi4al efíarei por agora i porque he terra mm hoa , ^ porque riam tinha turbas , nem regalos de enfermaria , muitas ^e- 2 es era neceffarío comer folhas de mofiarda cofidoi com ou- fros legumes da terra , t^ manjares que la podeis tmagtnari juntocom entender emenfinargrammaticatem ires claffes dtíferentes : E as ^ez^eò e fiando dormindo me vem a de f- pertar para faZifirmepreguntas 5 ^ em tudo ifi o parece que faro y ^ affi he -^porque çmfaz^endo conta que nam eftaua enfermo comecei a e fiar fam]^ podeis ver minha difpofi^ fam pellas cartas que efcreuo ^ as quais parecia impoffiuel poder efcreucr efiando la : 1~oda a Quarefma comia carne como faheis , ç^ agora a jejuo toda. O mefmo digo do Ir^ xnao Gr^goriOyO qual ainda que efta tanifam como eu , por fer de mais fraca comprei çam , toda via nam quer elle darme ave nt agem ; ao menos 'VOs fei dtz^er que pêra hum negocio de importância , ir daqui a Piratimnga mui de- preda , qi4e he caminho mm afpero , Ç^ fegundo creo o peior que hano muniode atolladetros i fuhidas i ^ mÕ" te , oefcolheramaeíle como mais rijo ,auendo outros mais faos em ca7ay ^ ^ffifoj > dormindo coma cami\a enca- pada em agoa ifem jogo entre montes 5 ^viuit ^ óc viui- mus. Nç^t tempo que efliue em 'Viratimngary (eruv de medico , ç^ barbeiro^, cubando i^ fangrando. a .muij^osda^ quelles Indíos , dos quais viueram alguns, de quem f ena efperaua vida. , por ferem mortos muitos daquellas enfer" miâades. Agoruejhu Orqui em S. Vicente, que vim com nofo Padre A/lanoelda Nóbrega para de fpachar efi as cartas » Demais dijio tenho aprendido hum officiccfuemeenfinoti a neceffidade , que hefa^er alpergatas^ ^ fouja bom meflrs^ ^ tenho feitas mintas aos Irm^ios , porque fe nam pode -Ví.i Gil] andar
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I4. Vida DoP. Tosfítt DE Anchieta, andar por cÀ y com fapatos de couro pellos montes. Ijio tudo he pouco pêra o cfue N. Senhor 'uos mojlrara quando ca vier- des ^quanto a lingoa eu efiou adiantado ■, aí?jda que he mui pouco ^ pêra o que foubera ,fe mp naÕ occuparaem lergram- matica^ toda mia > tenho colegido toda a maneira delia por nfte 5 ^ pêra mini tenho entendido quafi todv o fiu modo , nam aponho em arte , parque nam ha ca a quem aproueite > fá eu me aprouetio delia , ^ aprouettarfcham os que de la vierem > 65 fouherefn gram matica 5 finalmente, cartffimos , fèídizjer que jt o P* Mtram quiz^er mandamos a todos os -que andais opHados -y & meio doentes > a terra he mui boa, (^ficareis muifaõsi Js medicinas fam trabalhos i ^ tan'' tomelhores ^quanto mais conformes a Chríjio 5 tombem 'vos digo carijjimos Irmaõs que n^m ha^a com qualquer fem^r fahir de Coimbra^ fe nam que he necejjario traz,er alforje vheo de 'virtudes acquirtdas , porque d^ verdade os traba^, ihps que a Companhia tem nefia terra fam grandes i ^ avo-, tece andar hum Inmav entre Índios > fets , ^ ftte mezjs , no meio da maldade , ç^ feus Miniftros , ^ femter outro to quemtonuerfar fe nam com elles , donde conue fer fanto parafer Irmão da Companhia « Namdigomais^fenam, que aparelheis grande fortaleza inter/or , (f grandes deX^ejos de padecer^ de maneira que ainda que os trabalhos fèjam mui- tos vos pareçam poucos \faz,ei hum grade 'coraçam porque nam tereis lugar pêra eftar meditando em vojfos recolhi- mentos fe nam in médio iniquitatis > & fuper flumina Babilonis , ^ fem duuida porque em Babilónia , rogoms omnes > vt femper orecis pro paupere fratre lofeph. A meus canffimosTadres i çff Irmãos em fuás orafoens ^ (^par*, tkularmente a meu cariffimo Padre António Corrêa , ^ aos n?adres que foram > ^ fam meus Fais, rogo, (^pcfo fe lembrem defle pobre que engendraram em Chriflo , hc nu- trierunt, opto vos omnes bene valcrc. Pauper^ôcinutilis. Ipfeph.
LIV-
5J
LIVRO SEGVNDO DA VIDA DO
PIOSEPHDE ANCHIETA
dà CoiHpâúhiâ de I e s V.
CONTEM OS ANiSiOS QVE C ORRER AM dcfde 1556* ate o de 1559. & às obras marâuilhofâs , que nelles fez ; Da íebclUam dos Tàmoyos De fuá ida ao fer* tam, ôc demora nelle por finco liicfes ,em refensdas pa- zes rDcfeueftadode Sacerdote , &c do que vlriítiamen- te obrou are' a expulfam total dos 1 ainoyos,Ôc futldaçam dô Rio de laneirOk
CAPITVLO I.
Da rehelliàm dos Índios Tamoyos ^ confederados com anaçam Francefa contra os ponugefesm Riode laneirõ^
o s T õ qiie cm grande parte a hiftoria dcfte feguhdo liUro efteja contada no tomo primeiro das Chronicas do Braíil , à pedaços, como ali pedia a rezam de Annaes : Aquihc força tor- nalaa referir por inteiro , & íegdda fegundo o cíliJo da vida de hum Varaó tamilluílrej nemdeuo nifto parecer- idcntico , aos c^uefabemas ki5 da hiftoria, porque fupofto
que
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55 Vidado P.IosEPH Anchíeta,
qiiefejaa matéria a mefma , o meihodo hé dififerente,',.^ mais fucGintos ô«: dado que algumas partes pareí^amasmef^ :; mas, naõreràmuitoquefeparc^amconfigo.poiso Auchorhé ' omefmo; ôcconuemeííaspartes namíe mudarem pornam encontrar a verdade da hiíloria , & ou|ros intentos que
proíigo. ^*
I Eivando ascouzâsdo noíTo loíephdf Anchieta, & a educaçam , ôc conuerfamdos índios, com tam bom roftro^, como temos vifto, noliuro atras, eisquenoannõdeiB^.l começama foarnouas triftcs , quemereram em turbaçam a toda aquella terra. Deziamdias que na enfeada do Rio p^.^^. de íaneiro , diftante quarenta , & quatro kgoas da V illa áá) nonTs'd'/rn-S. Vicentc , tiiiha entradobuma efquadra de nãos. F rance. cercsnoRio'"zas . ôc come^auam a/ortificarfeem terra com beneplaci- de imeico. to dos Tamovos , & C0UZ2S maiores , que fempre em ^ffc- melhantes carosfoemexageraríe.Deueftanoiía muiio, em que entender aosPortuguezes , & índios daquella banda, & fobre todos a Anchieta, & maisReligiofos miffionarios, queconfiderauam introdufida guerra, diílipadora do íoííe-^ 20 , neceííario para a conuerfam das almas E porque íaibam todos o tbeatro,ein que tantas tragedias de guerra hamde reprefentaríe , & em que tanto ha de trabalhar noíTo foi eph,v defcreuerei o fitio do Rio de Íaneiro.
2 Ha hum lugar horriuel , forte , ôc guerreiro , íobre Defcripç^m todosos qucformou a natureza no gr.ande âmbito da A- doRiodeia-j^^j-j^^. jieftinado parece da mefma pêra theatro de em- prefasgrandes. Demora em. vinte, & três grãos da Equi- noccial junto ao trópico de Capricórnio Coníla de huma Bahia fermofa , & de hum dilatado reconcauo : h he cha- mado pellos índios Nitherô , ôc pellos Portugucfes Rio de íaneiro. Efte lugar quero defcreuer ao rofco , como fa- biodas mãos da natureza . queaífi (erue mais ao intento 5 v-irà tempo , emqueo pintemos ao galante, com as cores, que depois lhe daram a arte. ^ o esforçados Portuguezes,. .03 Todaa Bahia,£i reconcauo do Riodeianeiro.cftam ; , ' rodea-
TiCilO.
.AH i I Livro II C AP. í. 57
irodeados daquella horriuel ferrania , de que ja noutro lu-^"^'^"^''''" gar diííemos, que corre a cofta principal do Brafd , & hc cfta do Rio , huma de fuás partesa maisafpcra. A certos montes delia, chamam as montanhas dos Orgaõs, porque a maneira daquellesinftrumentos , vamkuantando cm or- dem defigual montes fobre montes , fazendo altura im- menfa , que excede as nuucs , Ôc chega parece à fegun- da regiam do ar. Pveprcfentam aquellas grandes íerranias muralhas , ou torres formidaueis , entrepoílas a humas, òc outras naçoens , porque alli fulmina a natureza em tem* pos tormentofos tais rayos , corifcos , èc eftrondos disfor- mes detrouoês , queaíiombraò a terra; Chegauaó a fufpei- tar as gentes agreíles, que efíauam armados aquelles m ontes pcra defenfarti fua. Sam com tudo alegres aquelles picos inacceííiueis > por fua forma /altura, & fermofura , reue- ftidos de verde aruoredo , & arrebentando em ribeiras de agoá, que defpenhadas dos altos cumes , vam pagar tri* buto ao mar. í .oríhrnnv ocq ob '
4 Da Barra pêra dentro fc vé huma eftendida , 6c ifer- ^c wJ''' mofa Bahia ^ formad.i dos enchentes do oceano , que em* bocando pella barra dentro , chegam quaíia lauar os pés daquellesmonreSia que chamamosOrgaõs.Temefte A la- gamar como outo legoas de diâmetro , 6c vinte , 6c quatro de circumferencía Eílàentre(^achado de Ilhas .boqueirões, &c eftciros ; eftes ornados da verdura dos mangues , & vermelho dos paííaros , a que chamam Goaràzes , fazê a vifta aprafiuel. Defembocam nella caudalofos rios , huns do fertam , outros das ferranias cifcumuefinhas , que com o doce de fuás agoas fazem guerra continua ás do mar > querendo preualeccr, humas â s outras. '-l-$-; Foy cfte fitiofempre formidauel a todo o inimigo f^v^^""?'^!?
• • 111 r ^ ■ r o formidolol»
marítimo , porque na verdade , he temerofa, & iníuperaueiefte fuio. aquella muralha natural , que vay cercando toda efta pa* ragem junto ao mar (alem daqucllas ferras) das mais e- ftranhas penedias , que ja mais fe viram : Aííombro he das >-i H ar-
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5« VibA DoP. Tose PH DE Anchieta, armadas mais forres, quando chegam de mar em fora a terTiftada rerra , & cm vez de prayas, c^uc alegrem , co- meçam a veremminenciaS disformes de rochedos tam al- tos , que fobem as nuuens, Ôc efpantam aos homens. Eílc he o ficio do Riodelaneiro , queoccupamosFranccfes» coiíi beneplácito dos nacuraes da terra.
6 Mas antes, que os Francefes obrem hoftiHdades insentojdos com OS noííos , vcjamos primeiro os intentos, que aih'os
trouxeram. Tiueram noticias em fuás terras , de como a genre dos Tamoyos, natural daquella paragem, muita cm numero , & guerreira, depois de aucreftado emamsía- de com os Portuguczes , guardandolhe a fé prometidai vieram com tudo a quebrala , irritados de aggrauos -, que deziam ter recebidos , ôc que de amigos , eftauam feitos feus contrários 5 & como era o fitiodo Rio de lanei ro, tao acommodado, como vimos, â fua defençam ,& tirar gran- des proueitosdas drogasprincipaisdo Brafil , efpecialmen- te do pao vermelho, porque tanto fuípiramas naçoens ^ eftrangeira^ : Vendo por outra parte apouca , ou nenhu-
ma rcíiftencia , que podiam terna entrada.pois nem tinha preridio,nemnellcauia Português algu que a defendeíTe; Animòufe a eftas nouas que corriam , hum Nicolao Villa- gaiíhon homem nobre Francês, Caualleirode S. loam,a fa- bricar huma armada de Toldados , ôc vir occupar inopi- tiadamente aquellaEnfeada , como em effeito fez , fem que alguemlhc refiftiíTe , aflcntou liga com os Tamoios, ôc \<^m palauras, ôcdadiUasliberaisCefez fenhor dos cora- íçoens de todos , feitos cm hum corpo contra os Porru-
7 A íTi viuiam de conformidade Tamoyos, ôcFran- cefcs icftes fiados na muUidamdos arcos de Teus confede- rados 5 aquelles an m idos com as armas de França que cada dia hiam crecendo, contentes huns , ôc outros, com o fitio notauel, quca meírna natureza fizera: Porem pe- ita mais cautela > começaram a fabricar huma forta- leza
; A T .• ÍL IV R o I í. <^» i p. 'h o o A « I V 5^ ^ leza foberba , junto a barra : E tal , que ffncfo em Tua ^f '^';^^^^^^ perfaçam, fe prometiam íeria Jnexpunauçl , 6c tinhao t^aõ ^-^au« porque a fortaleza vinha a fer hu^Uha.(chamadahoje Villa- aailhon , tomado o nome daquelle General jonde tudo o que era Ilha, éra Por talcza > & tudo ox]ue era Fortale^a.cr^ Ilfiâ.^ E eftà (excepto hum pequmo porto da praia^ cercado tp- 4pde penedia braua , onde bate o mar j como cem bra- ças de cumprido . fincoetiVa de íárgo. Em cujas vitimas duas pontaskuQdtou a natureza dous cabeços talhados ao mar, 6c no meio de ambos hum fmgular penedo, co- iTfo de quatro braças em alto , & íçis em contorno Da cir*- ^^íi-b -»cO c^mferencia dos recifes, & penedia delles, fizeram àckú-^.^^^;;^:^ f^uel muralha .• Dos dous cabeços . com pouco artificio , -;... > .i duas juntamente naturaes , Òc artificiais fortalezas . Edo .,.,.,, ,.i penedo hum pouco mais cauado ao picam , caixa de polb .i^"" oi> ob uaiaícgura , ôc conftante contra toda a aridharia : E .co< mo eram muitos os Índios , queajudauam.em bfeuetem- po íâhio perfeita a obra. jinç^m^na:^: ^^ ^^^^^^^^
8 Pcfto que tam fortificados OS Franceí es , liam raziam^atT faziam eontudo hoftilidades , nem guerra otffenfiuaaos Portuge-^^ft^^'^*^"'^ ics , íatisfeitos com gozarem da terra quietos , ôc tratarem, doquemaislhesconumha, que eram as drogas , ^rique- zas do Brafil, que dallí embarcauam cm (ms naòs , 6c eíperauam foflem crecendocada vez mais j contudo os Ta- moyos, naçam guerreira de natureza , & fauorccida daostamoyM potencia Francc^ andauam iníolentes , òc perturbauam a '" cofia marítima, & ainda parte dofertam, dando aííaltos, &: fazendo danos gfandiírimos nas fazendasdos Portuge- Tts : Em tanta maneira , que era neccfiãrio andar volantes em viuotxercicR>loíephvt?oda fuacícola . ôc todas os mais Miíííonarios daquella parte, acudindo ja mais aos danos das almas ganhadas , queaogadio.dasque auratn de con- uerterfe.
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H ij CAP.
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Vida d o P. I osei^h ANCHíiETJt,
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Ouuc el-Rey as nouisdo Rio de lanei- ro , ôc ficodc com Gouer- nadorao efta
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C A P I T V L O 1 1,^'-^^^ ^* i^ í í^ :>ijpiot5
chocam ms oumdosdel-Ref D, Toam IJI: 'ml
reíaçoens àa entrada dos Francefes no Riódé^
^ Ic^neim,: Acode ao Brajil como Gouernadóf
Mem de Sé ^ &do que efle começa â ohranj. i -^ui
A z I A M ja em Portugal grande ecco as rela-; çoensdo que hiam obrando os Françeíes na^ enfeada do Rio de íaneiro , & de comofçt tinham fortificado, & cada dia Grécia o po-' do do íiraa dcr donumero de feus confederados , & dos íocorros que vinham de França 5< ôc que fcgundo os Tamoyos folicitá-' uamas nacoenscircumuefinhas , fe podia temer , queaco- meteíTem maiores emprefas em damno das outras partes do Brafil,Efcreuiam também os Padres da Companhia de lefu ,aos Tribunais Reais os damnos maiores daturbaçam que recrecia na cultura dos índios , & pregaçam de noíTa fanta fé. Asquaes rezoens viftas em Confeiho del-Rey D. loaml II. que enram reinaua , refolueo mandar ao Brafil hum tal Gouernador ,< que juntamente pudeíTe obuiar daíxi''; nos futuros , &: remedear os prefentes.
2 Foy eleito para efta emprefa , Mem de Sa o ter- ceiro em ordem dos Gouernadores do Eftado do Braíil 3 homem de grande coraçam , zelo , ôc prudência, acompanhada de letras , Ôc experiência em paz, ôc guerra. Chegou à Bahia de todos os Santos cabeça do Braíil no an-
^""'^'^^'^jSno do Senhor de 1558.,
3 Defte grande Varam MemdeSa , ôc de feus mui^ tos talentos , ôc façanhas compôs hum liuro inteiro o noC- fo lofeph de Anchieta, feu contemporâneo, que intitulou
'de rebiisgejtis Adem í/f Si^, Tem coufas dignas de hiftoria ,
mas
%&X«;tii
Chega d G u rnador â Bahia no
;. • . LlV ROlíC A f ITVLO 11. V ^l
mas nam faõ tantode noíío intento , a^clle rqmetó o cu- rioío , que quizer faber delias O principal do regime-^ tine* ai ^ to, que trazia de fcuzelofo Rey.erao legaincç. Que pro- regimento it curafle em feu gouerno por todos os meios po(íiueis tra *^"^''*- zer à fé de C hrifto os índios dQ.Brafil .- E que entendeíTe, que a primeira parte de feu officio ^ era desfazer os eftoruos , que podiam impedir efle fim, da liberdade de^ fíagentç , òc quieraçam do Eíl do ,!.;;4 Todo efte regimenro era muito conforme ao génio, Ôc fentimento donouo. Gouernador. Aprimeiracoufa que obrou depois de fahido em terra , foy lançar bandos em fauordos índios, que foííem poftos em fua liberdade to- dos aquelles, que contra juíliçaeílauam em leruidam , fei-p^^ ^^^ tos efcrauosdos Portugucíes, que era quantidade notauel em fjuordoí E pêra o futuro > que mnguem foíTe ouíado à catiuar ín- dio algum , fora de guerra jufta , cem condiçoensjufti- íicadas. E na execuçam deftasleis fes finezas.
$ Depois deftas leis fauoraueis, publicou outras ,nam^^y*'*P°^
.1 ' í -' tantcsque
menos importantes , foya prmieiraquenenhum dos índios mandou pu- íioííos confederados j dalli cm diante comeííe carne hu- '"'" mana (^abuío ordinário) ainda que íoííe de inimigos , to- mados em guerra. Segunda que nenhum Principal , ou Co- munidade fizcíTc guerra contra outra , fenam com caufa juíla, ôc approuada por eile , ocos de feu Confelho. Ter- ceira que fe ajuntaííem em pouoaçoens grandes a modo de Republicas , leuantaííemnellas Igrejas , aqueaciidiííem os jaChriftaõs a cumprir com as obrigaçoensdefeu eílado 3 òc os cathecumenos a doutrina da fé , fazendo caza aos Pa- dres da Companhia de lefu , pêra que redifiíTem entre clles , a íim de inftrucçam dos que quizefíem conuerterfCé Sobre a execuçam deftes bandos ouuefucceílbs memoraueis, em que mofl:rou grande conííancia , ôi generofidade de animo.
6 Deziao Vulgo contra eílas leis, que eram violen- tas, imprudentes, ôc podiam vir a fer caufa da deílruiçam .LiLià H iij da
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Queiías <ío Vblgo cón
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Reprftadas niurnaiira-
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'di V I DA t> o P. To s E ^ ti ']\%"díí I E T a: ^ ^
da Republica Que acerto he ( detiani ) qàèrcr pfohibíf a xTcíitios tãi quaníào fáõ , km Mú^osínbs? qtíem Çúáé ^rohibir a hum tigré , que fenáítf céue em éàfíié hílíílarfâ? quemquii^ér tirariha dentre ds d^ntés?'tiam' liá de iÚ^àf'^ rcrreutigot? pois nám mehòs endoíf età néíííâ gêfltê ^ô de tantos íitilharesde' arcos , qbe pode armaf eôíiti»à i1Ò5 eáapfbhibi^vim. Que fenos da que façam guerra butt^^ outros ? nam vemos qiieneítá mefma eílà hoífà rà^rg^^^ que dluéftido poder ta m grande, nam caia fóbt-e noflfas cabeças ? pois ò obrigMlos a que íe ajutiteni em pdUò* ^^ des , nam he omeímci què ajuntar exércitos grândtS c:'otí»- tra noílb pouco poder^ qne façam igrejas , & câzas àoè Padres, iftbnam he violentara liberdade dtílagéntéP dif* goftalos , metelosemindignacam contra os Portuguefè^i 7 A eftâs, Ôc outras murmuraçoens do Poiiò , xcífò- dià o prudente > & confiante Gouernacior : Que os bandos reaes fomente obrigauam aos Bárbaros ,iioÍIoí éòn - federados, & tributários a elRey feu fenhor 5 ôc fendo e- íles, feria afronta do nome Português > fofrer que a Viílá de Republicas Chriftans , eftejam elles oííendendo àò Creador em âcçoens condenadas por direito da rnefnía na- tureza , qtiai he a de Comer hum homem a outro , que os tigres riam offéridem akidarezaniemfemelhantesaclos, porém oshonieiisfiiÔc nefte crime deuém ôc podem íer ftfreado^ , alias o que nos índios he barbaria , em nós fé- ria impiedade, ou medo E que pello mefmo fLihdamcncò dè cosífederaçam , deúebílos impedir guerras injuftaá enk prejuízo de hiins , & outros confederados -, qUe confiados Viíjtm de baixo de noíía protecçam.Aífirefpondiao c5- fíanteGouehiádor, venciendoefte, ôc maiores encontro.^ dignos de memoria, mas nam um próprios deíle lugar. Baila íaber pôr hora qué comeífcito fe foram reduzindo os Bárbaros , na Bahia a quatro poderofas Aldeãs , de S. Paulo , de Santiago , de S. loam, ôc Spiritofanto, viuen- âo com mâispohcia.ôe âcommodadosâos nouos preceitos. m Eram
,ATi. Livro II Cáp ÍI. uV ^>
' «^'"Eríni todas eftas diípoíiçoens bem fundadaí, 6c ac- commodadas aos intentos , quc trafia nos olhos da conuer- fam , & quietaçamdos Índios Tamayos do Rio de lanci- ro , pêra cujo effeitoimportaua ficarem íeguros ,ôc refrea- dos os das outras partes. Eis que goucrnandojjncílc meio tempo o Reino de Portugal y a Senhora D Cathcrina doMand». Sei Auftria . Irmam doEmperadof Carlos V. que por niortc^hof.D c^^^ del-ReyD. loam feu marido, &c de leu filho o: Principe D..,acncam*rti.
loam fazia o lugar dei Rey D. Sebaftiam neto feu por J^^li^^';;^ íer ainda de pouca idade: Efta Senhora com os de feuacmprei» do
» 1 1 • r> Tf ' Rio de líOCl-
Confelho de guerra , mandou de mais ao Dralil
1 Rio de Uaei'
alguns,^.
os COO*
nauios , ao melmo Gouernad^or, a fim de inrencos dezejados da foízcicaõ do R io de lanciro (pncómendado.de nçuaq aÊ- feito com toda a efficaciâ. , . -
9 Mcm deSa, que de nenhuma outra coufa cuidauâ ^^^ póz lò^o em confelhoa partida aeíle intento ,ofFereccn -*'*"«* áo Tua peíloa pêra General da emprefa. Forami muitos de parecer , que nam conuinha com ram pouco poder * a- commcter inimigo tam forre , que fc deula dilatar o (ííf ei- to ate milhoroccafiam, cm que ouucíTe cabisdal ícguro í Menos mal he , (deziam ) íofrtr o aggraiiò;por algum rempo mais, que arrifcar maior ignominia defeàrmospropul- í^dos. Que era jade confideraçaõ a potencia do Francês^ 6c õ fitioquafi inexpunauehosauxiliares quafi infífiifblsVQue as riaòs , baftimentos , & apreftos deguerra entrauam cada dia deFraftça ^naoifegaftauaõs 6c noíTâsnaás perátâíJtâ em- prega eram poucas, & â foldadefca nam podia íer rtitíita, nem também os aprcftos E íobrèíudo nam conuinhâ > que à peíToa de fua Senhoria fc arrifcaífc 5 & que fuccedcndo fortuna aduería ( tam Comua tiâ guerra) ficafífe a Pràuincia priuada de cabeça, 6c expoílaádãaosttiáiores. <]
"irfi^íioporémoGouernador que era efficaz no feruiço^ffp^^jf^» de Deos , 6c feu R ey , dezia que quanto mais tardaíTe , tan- foiaefc t pit- tò mais arrifcada feria a emprefa , engro(íandóo tempo as"'*'""^" ** forças , 6c a paciência dos noífos , o animo ao inimigo. * ' Que
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64 VíDÀDO P. losEPH.Al^CHlETA,
Que paliaria a ganhar outras praças , com maior ignominia: Nem facilínente íe poderia juntar eàno Braíil maior poté- cia,que^ com que feachaua deprefentejÔc mandou fazer preftes a Armada. Conftauaefta dosnauios do Reino , Ôc de outros que pode juntar , & barquos pequenos da cofta com amor quantidade de íoldados Portuguefes, & índios, quea occafiam deu de {u Eram por todos os nauios dez > até onze ( afora barquos) em que entrauam duas naòs de
«<:& * IS. ar. *ÍJp i &f ii
íi:!riiiái''' guesrra , & eram eftas ás principaes
t .
í^i-tc Meni de Sj per» é Rio no anno de 15 óo.
/ta Jojêph f. 6f,
,; ;; CAPITVLO IIL '.^
•N - ■ . ;
oOeneralMem de Sdpera o Rio de taúèh ro .acomete y^ rendeafõftaleiddeV^ílíagai' ihdn^Vay fefazefjfè â S. Viceme ^é" volta vencedora Bdhiâ. -"^
■ . "■ ' ■■■■ ^ ^ '.. ^ ■'.^j-^i^q
O M eíi atam peque na frota partio o Geíie-
ral Mem deSa a tam grande crriprefaj nos princípios do anno do Senhor de 1560. che-
gou à Barra do Rio de íandro com profpe-
fã viagem ,;Ôc fuppoftoqueo confelhoera , que logo che- gando nonlaiscrcondido da noite fe entraíTe a barra, & de repente feaconimeteíTe o inimigo defacautelado , conl tudo, cp^mQ psfucceííos do mar fam incertos j foram os nof-, fos primeiro auiftados dê fiias fentipellas, & obrigados a lançar ferro fora da Barra : Poferamre os Francefes em preu^cnçam , ôc deixando todas fuás naás , fe rccolheram.^ âfortakza- com mais de outp centos frecheiros Tamoyps ,|| porque vnidospodeíTemreíiftir com mais vigor. -n
2- Mem de Sa confiderandoa falta que auia de noíTa par- te de canoas, & embarcaçoens pequena? , ^ de alguns praticosnaquêllaenfeada , & cofta: Defpedio fem demor, ,ra à S. Vicente menfageiros em bufca de íemelhante focor-
ro
-m
LivroII.Cap. III. 6$
TO ; E como o Padre Manoel da Nóbrega , que hia com clle na mefma armada , era tam conhecido, & amado na- quella paragem, Ôctinhaalli a lofeph (eu amigo, que pode- ria ajudalo :Foy elleo principal embaixador da propofta , com efperanvcas géraes de bom fucccílb i ôc nam fe enga- naram , porque embrcues dias, & quando menos o cui- dauarh , chegou á encorporaríe com a armada hum fer- vicentc agé- mofo bergantim artelhado , com algumas canoas dec"dopeiiop. guerra , com mantimentos , ôc refrefcos da terra , ôc boa " '^^** copia de foldados , deílros na cofta , ôc peleja naual de cmbarcaçoens pequenas , Mamalucos , ôc Índios, guiados por deus Religiofos da Companhia Fernam Luis, 6c Gaf- par Lourenço,
3 Com a vinda defte focorro ficou com alento toda a armada , ôc como com prefagio do Ceo , mandou o Ciéneral embocar a Barra , a pezar da defenía Franceza , que pretendia empedirlhe a entrada. Metidas de dentro noÃas embarcaçoens preparadas , & efcoihida conjunçam ã propofito, acommetem a fortaleza principal ida Ilha , cha- mada hoje , Villagailhon , que parecia inexpunauel , por ^'=°"'^^«* onde quer que fe punham os olhos, porque como diflc- viihgailhoa. mos aíKmâ , toda a Ilha era fortaleza, Ôc toda fortaleza Ilha cercada de penedia a pique inaccceíííuel , ôc de circum- ferencia noradel ; Horror caufou de perto , o que de 15- ge parecia mais fácil : Soube porem o valor Português hnma vez empenhado , diííimularomedo ; acommcteo a todo poder, & embreue conflióto ganhou huma peque- na praya , quie fomente auia. Aííentou nella artelharia groíía , foy batendo forramente dous dias , Sc noites c5- tinuas as principais partes da forças porem de balde, por- que era viua a penedia , accommodada fomente por arce a poder de ferro a feu intento. Nam era poíliuelfcr rendi- «da por efta via. Chegáramos noíTos a defconfíar da em- preza , ôc a tratar da retirada , canfados da demaíia do tra- balho , ôc de combate tam rigorofo , em que eram ja mor-
I -: tos
■lii
êè Vida Bo PIosEPH Anchieta;
toís muitos, ôc bons foldados, ôceílauam feridos muitos
mais.
4 Viofc porem aqui hum íucceíío notauel ,fauorecido do auxilio diuiiio , &. do vigor das oraçoensferuorofasífe- gundo cntaôíecniendeo)do Padre Nóbrega ,& lofeph de Anchieta, que nefta emprefa fe tinham empenhado : Por- que a força que pode refiílir ao pilouro Português, iiam pode reíifl-ir àfcubraço, refoluemíc todos leuados do brio natu- ral corridosde fuás rerolLiçoêspaíradas,& feitos em hú corpo Rend.fe a arrcmeCem-ao cabe<^o principal , que oiha pêra a barra , cha- cX mar^ut «^^do das PalmeJras , entramno , &c rendemno com morte ^hoio. de muitos inimigos j Sc animados com a vi6toria, acom-
meté emfegudolugar aquellefoberbo penedo de que atras diffemos , lhe feruia de caza de poluara cÕ tal valor , que de- femparadodos feusfoy ganhado , ôc perdido com elle jun- tamente o animo de Francefes , & índios 3 que fiados no íecreto , & eícuro da noite , fe foram defpenhando pouco apouco das muralhas abaixo , & embarcados em bateis , 6c canoas fe acolheram , parte âs naòs, parte as brenhas , deixando aos Portuauezes a fortaleza, & huma das mais iníígnes vidorias daquelles tempos.
5 Na menham feguintc fes o General Mem de Sa ac- çamde graças a Deos N/Senhor por mercê eam grande ôc celebraram os dous Padres da Companhia a primeira Mif- fa, que vioaquella Ilha. Poz em confelho , fe parecia mais conueniente preíidiar , & conferuar a força, ou antes ar- rafala ? pareceo entamarTaíala.pella rezam commua,_ que as forças diuididas ncceíTariamente fc enfraquecem ,& as com quede prefente fe achauam , nam eram tais, que po- deííem prefidiar a Ilha , refiftir ao inimigo, que ficou em fuás nãos, ôc acudir as neceííidades precifas da Bahia 5 fe- guindo eftaopiniam , mandou condufir a noíías nãos a ar* telharia , ôc mais defpojos em quantidade grande , que o inimigo deixara ,& pôr por terra , ôcdeímantelarna for- taleza , tudo o que era obra da arte , ôc podia feruir de reparo. 1 ^^^*
Arrazafe , ôc áefpojtfc a fjctakza)
, A T ^ ! ' L I V R. o 1 1. C A P 1 1 í» ^T
6 Preparada a Armada , mandou o General fazer via a Cap itania de S Vicente , aíTi por ver o amigo Nóbrega , & lofcph , &: darlhes as graças do bem que auiam ajudado feu[ intento , do focorro , & Padres que agenciaram, co- mo juntamente porque feachaua dcfpezo de mantimentos vai airmad» que naquella Capitania eram em abundância , & a viagem ^^^^^^^^^"^J^! fácil por ferem tempos de nordcrtes -.Chegou ao porto def»zMcmdc Santos no vitimo de Mafço doaÀho dcijdo Foram gran-"*' ^*- des os extremos de beneuolencia , & charidade religiofa , dequevíaram o Padre Manoel da Nóbrega , lofeph de de Anchieta , & alguns de feus difcipolos , que allí entam fe achauam, com toda aquella armada , & foldados delia debilitados , enfermos > & neceííitados os mais dellesdos trabalhos paífados ; E aqui fez também o General algu- mas couzas do feruiço de Deos , & bem da terra àpe- tiçam dos Padres.
í f 7 E logo aos 25 de lunho doaníio corrente , defpedido de Nóbrega , Anchieta, ôc mais Padres , fes dar àvella^^J^^^^P^^^*»^^ em demanda da Bahia de todos os Santos , aonde chegou lunho chega -a lançar ferro aos primeiros deAgofto,&: foy recebido ;j3^p^f^^^[^^^^^ com viuas , & parabéns do pouo, tanto maiores , quanto ^i^^Agofto de foram mais rigorofasasdefconfianças em alguns de aucr*^^"*' de tornar com vidoria. Daqui defpedio auifo de tudo o fuccedido â fereniífima Rainha D. Catherina , que como vimos gOLcrnaua em lugar do Senhor Rey D. Sebaftiam neto feu , deufe cila por bem feruida , mandandolhe as graças, ôc juntamente ordem, que meteííe todo o cabedal por fortificar o Rio de laneiro, & fazer alli noua Capita- nia, poreuitar nouos intentos do inimigo ^ firmar o efta- do , & defempedir a conuerfam dos naturaes da terra, que com as guerras fe perturbara em grande parte. Porem efte mandado da Rainha nam pôde ter efFeito, fem que procedeífem as guerras dilatadas . que logo veremos.
lij CAPÍ-
Vida d O P. 1 oseph Anchieta,
CAPiTVLOlV.
Continuaúam os Tâmoyosfuà rehelliam: Affal tam 5 à^ matam muitos. AiWiitaçâmdôsTamoy os rebellamfe lamkmp^T^upis^fam dejbaratados
A R T 1 D A a armada de Mem de Sà > dcfaC- íonibrada aquella enfeada de feú pòáer , ôi foldadeíca , em ves de atemorizados fícaram os Tâmoyos do Riomaisinfolentesconcraos ''^"''."''^moradores de S. Vicente. Traziam a terra em continues t(s os ta- àííaltos , & andauam â caça dâ gèrtte y como das feras pe- arorporto-rapafto, juntamente da guUa, & da vingança. Acomme- •guefts. tiai„ repentinamente , oradas ferras áos que Viuiam no fertam 5 orà das canoas j aos que tinham o mariti- mo , fem^ue algum fe deífe pórícguro de feus arcos , Ôc dentes. E htftes aíIaltos fuccederaõ cazos eftranhos da cruel- dade dêftes bárbaros , & da conílancia de muitos Chri- ftaõs , quenella padeceram corii lealdade , Òc fé , traba- lhos,Ôc maríirios,que deixo por liaõ fazer Ioga a leitura. No meio deftasaíBicçoens, osferuosde Deos Manoel da No- brecrà , & lofeph de Anchieta nam ceflauam de pregar pellõs púlpitos , & pellas praças, quanto conuinha andar apparelhados , cuidar das conciencias , & fatisfaçam de peccados , qiiaés feandàíTem coma morte em braços.
2 Com eftesexceííos continuaúam furiofos os bárba- ros Tâmoyos , o defaggrauo da injuria > que receberam no Rio de íaueiro ; Cada diacreciam os infultos ; ja nam tratauam de àííaltos fomente fenam que animados, & ajudados dos trancefes , queda fortaleza fahiram rendidos à fuás nãos , tratauam de inuadir a terra toda , & Ca- pitania deS. Vicente , & fazella Prouincia fua. Pêra eíle
cíFeito
Liv ròIICapitVlóIV. 69
cffeitQ fabricauam canoas de guerra de grandeza notauel, ^^^^^^^^^ ád\ roncando as matas , naquella paragem immenías , viço- ^^"^^J^-J^s^^^J- las , &: que fobem as nuués , & cáuando aquellescorpx)s"Xrc„'ho" oroVos, curados do foi . & dos annos , faziam embar «^-^^««'i*» ^açoensfortiíTimas, capazes as maiores de cento & fincoe- ta auerreiros, todos remeiros , 5c todos íoldados , porque Dcfaipçam com O meímo remo em punho de numa parte , ôc ou- tra da canoa , fuftenta m o arco , & defpedem a feta com deftreza grande .- E quando o pede o perigo , com o meímo remo Te efcudam , porque era feu remar cm pé, & tinham os remos, huns como efcudetes, com que reparauamasfrechasdoscontrarios. Eram os remeiros por ordinário neftasoccaíioens 40. ôc mais ainda * por banda 5 voaua, & defapareciao leue vafo . nam (ô qual gale eí- quipada , mas a modo de páíTaro : Andam também à vel- la, feoundo aconjunçam opede. Prefidiam alem dos re- meiros > à popa , proa . ôc o coraçam dá canoa dos Tolda- dos liures , que vfam de outras armas * ou das ttieímâs , quando hé neceííario.
3 iMetiam eftas prepara çoens em anguftiás grandes os moradores : O noíío Irmaõ lofeph , queentam aíTiftia tia ^^^^^^^^^^ ViHacomfeus difcipolos, ôc os mais refidentes daquelle iofe{,h,& Collegio chorauam eftas calamidades com lagrimas de ^^-J^^^^^^^^^^^^^^ fanoue , & com ordem^&obedienciadefeu Superior No- deatiiiçc*™. bre^^ que feâchauá naquella occafiam em Piratininga, checaram a fair todos pellas ruaspublicas>dirciplinandore,&: pedindo a brados mifericordia , porque entraíTem em li os Portu(>ue^es,ôcchoraííemtambéos peccâdos daquella ter- ra , que entendiam , eram caufa de Teus caftigos 5 cf- pecialmenteos que commetiam com demaziâ , contra a li- berdade natural dos índios . Faziam frequentes pro- ciíToens , ôc penitencias í& repartiamfe em oraçam peren- ne de noite, & de dia, mascadavézachauamos Tanioyos mais ferozes , ameaçando maior ruina^ porque o exercicío os tornaua mais deílros , a carne hunaanamaisencarniça-
1 iij dos
7^ Vida doP. Tosiph de ANGHtETA; dos , & oconforçio que tinham com os Francefes , mais oí !n foberbos.
4 A todos €Íles males recreceo huma rebelliam pcrigo- fa em Piratininga 5 porque outra naçam de índios chama- dos Tupis do icrtam confederados noíTosquejaandauam meios arruinados , com efta occafiam acabaram de decla-
Refeeiii.ro4os^3j.('g pof contrarios , ôchiamcada vez mais reforçandofc com o poder de outras Aldeãs circumuefinhas, queeftauao neurraes , & de muitos outros , que ds nos fugiam por defcontentes > ôcbufcauam aquelle , que lhe parecia me- Ihorpartido.lunto poder, que parecia groíTo , refoluc- ramfecm todo ofegrcdoirdarfobrea Villa de Piratinin- ga , acabar os que nellaeílauam , ôc fazerfe fenhores da- quelles campos , que muito cobiçauam. Abalaram com eíFeico por caminhos occultos , multidam numerofa , mui- tos milhares de gentilidade , & de miftura Chriftaõs fu- gitiuos , deftros nas entradas, ôcfahidasda Vilía, ôc cria- dos nella, cuidando tomar os noíTos defcuidados. Po- ré o Senhofjque pretendia mais caftigar , que aíTolar aquel- la Capitania , ordenou que hum índio , compadecido de noíías aíflicçoens , & lembrado da doutrina dos Padres i fe apartaííe dentre elles , & vieíTepor atalhos mais breues rompendo o mato, a dar noticias aosnoíTos de tam gran- de poder.
5 Aos três de íulho de 1561. chegou a noua aos Padres, quefeachauam nacazadaquclIaVillasficarammctidos em confufam , porque o poder do inimigo era grande , & o noíTo muy limitado : Porem aquímoftrou a mão de Deos feu poder pellos que brigam por fuafc. Coufa foy pêra louuar o Ceo^ vero como em continente esforçou os co- ra^oens dos índios , cathecumenos^ & bautizados nof- fos difcipolos , como fe nelles tocara ai arma a Igreja , ôc infundira brio guerreiro pêra defendella , & tomar armas contra os mefmosíeus. Com eftes vieram logo ajuntarfe alguns amigos noíTosde fora , com os que poderam reco- lher
IiVRo II.Cai*. IV. 71
llier de féis , ou fete Aldeãs circumueíinhas centraram emnoííaseftancias , pêra com noíco morrer , ouviuer juntamente.
6 O que deu moftras nefta occaGam de mor valor , de lealdade , foy hum Índio . chamado cm feu sentiliímo
r. ^ t T ^M • K rr riiJ Animo, «
Tcbyreca, &no bautirmoMarnm Aftonço, rrmcipal de 3t,,codo : Piratioinaa. Obrou eftc índio marauilhas ; recolheo ^í^go"^;;;Te^y£ agente de três Aldeãs , que tinha fuás , pondolhesas cazas.â. por terra ^ & deixando íuas granjas , & roças ao furor dos inimi<Tos , porque perdeííem de huma vésa efperança del- ias. Sinco dias que tardou o inimigo , & durou a prepa- raram de guerra , andou incaníauel , ora difpondo as cou- ias do combate , ora pondo em confiani^a os Padres, ora animando os Portuguefes , que eram poucos. Fazia pra- tica aos feus de dia , & de noite, que defendcííem a Igreja, &: os Religioibs Paes feus , que os enfinaram , & criaram na fé j que viííem que eftaua Deos de fua parte , porque dos contrários huns eram gentios , outros desleais arrene- •gados , que deixaram a doudtrina dos Padres 5 & elles era5 filhos da Igreja : Que viííem o como elle mefmo contra feu propio Irmam carnal , conhecido de todos, por no- me Aràrayg, & hum filho íobrinho feu , que vinham em ajudado inimigo, eftaua animado a pelejar pella fé , que huma vez tomara , & pellos Padres que lha enfinaram , arrifcando molher , filhos, & quanto tinha. E que asmef* mas obrigaçoens lhes corriam , aos que jaeramChriftãos, & aos que o nameram , pellos dezejos que Deos lhe ti- nha dado de querer fello.
7 O cazo deíle fobrinho feu , filho de A rarayg , foy a f^^^^^J^X maior fineza defie índio. Porque leuado o fobrinho do a afihofobri^ mor natural , & confiderando que vinha tazer guerra co-tranonoíTo. tra hum tio feu. Capitam da parte contraria , fez o pof-
fiuel por reduzillo. Deulhe a faber a multidam de arcps , que vinham contra elle, & cobriam os campos : Que e- ra certa a vidoriadapartedeíles, que nam quizeííc per-
derfe
<i^^^C^^<
rt Vidado P. los^ PH Anê Hl ETA,
derfe a fi , & ã fua gente : Que coiíio robrinho,5£ fangue fe condôhia , & oSerecía afazer de maneira , qUefe lhe deíTe boà euazam , & à todas fuás coufas. De todos e- ílcs ofFerecimeiítos zotnbou Tebirecá , reípondeo , que confiaua em Deos vencello , & matallopor caufa da fé, Ôc defenfamda Igreja fanta j cuja bandeira logo aruorou da- quelleponro em diante, ornando fe todo de fefta , & das melhores armas. Recolheoas molheres dos PortugucfcSj & índios , na Igreja . por fer lugar mais forte j & porque fogaíTem a Deos pello fucceíTo do confli(5tOé
8 Eisque ao romperdâ aluadodia oótauo da Viíita- ^am da Virgem Senhura Noífa, dâm os inimigos de irn- ttdíiniS prouiío ^obre a Villa de Piratininga , com tam grande go- eftrondo de gritos j aíTouios , & bater de pés , & arcos,
fegundofeu coftume , que parecia que o mundo fe vinha abaixo , & fe ârruinauam os montes vcfinhos : Todos pintados, empennados , jadlanciofos ', prometendofe a vi- storia 5 & deixando nas coftas canalha de Velhas carrega- das de azados, em que deziani , hauiam de cozer as carnes doscatiuos , conforme as leis de fêus coftumes bárbaros. Vaiordos Porem traçou dííFerentemente o Ceo : Porque osnoífos '^ '"^ r fahirama recebelos com bandeiras da Igreja de Deos, pel- la qualpugnauam Era pêra ver neítecontiiao , pelejar as frechadas Irmãos contra Irmãos, fobrinhos contra tíos> primos contra primos, ôc filhos contra Paes. Foram vá- rios osfucceíTôs de guerra , te que por fim cançados , ôc desbaratados fe retiraram os contrários, com perda de mortos , & feridos , fem que morreífehumfó denoíTa par- te de muitos que ficaram frechados-
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Livro ILC AP. Vk V
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CAi»ITVLQ,„
Pane Anchieta em companhia do P ^ Manoel da 'Nobreza â meter íe entre os bárbaros a fim de
: effehuarpãies ^ ou acabai ávida, Sam hojpe- dados delles ^encontram a^ paXesosdò Rio ^pre- tendem matar aos Padres \tomafe o primeiro ajfento.
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O M eíle fucceíTo fauGirâuti de" Piràtininsá chegaScie Si
*-^ Vicente i DC^
refpiraram, mas nam ceíTaram as turbações, rigodebrgar
& perigos de S. Vicente Por^we a guerra ^^^^"^Ys'^ fícaua aberta por aqudla parte , & por eíla nam parauam os acommetimentos de morte , & po- der exceíHuo. Viamfe os moradores , em rifcodt; deixar a t^rra , nas mãos de feus contrários por faluar as vidas. An- dauam Nóbrega , & Anchieta feitos huns profetas zelo- zos, bradando por púlpitos , & praças penitencia , porque eftauam os índios naturacs períuadidos , que tinham os Tamoyos a juftiça de fua parte , & que Deos pugnaoa por cllesjdandolhe animo porque os Porruguefes lhes quebra- ram as pazes, os aíTaltaram, catiuaram , ôc entregaram algumas vezes a outros índios contrários feus^, pêra que os mataíTem , ôc comeííem ; & nam achauam arrependi- mento deíles peccados. Efte cuidado trazia fufpenfos , auiaannos aos feruosdeDeosj Scfentiam em feu coração j notempo em quetrarauamcom Deos, grandes impulfos de irfe meter entre aquelles bárbaros , ou pei"a acabar as pazes com elles , ou pêra acabar a vida entre elles : E tra- tando o penfamento. com os; do Gouerno , o aprouaram, como traça do Ceo. PellO' que fiados no poder diuino,
K juíti-
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Vida d o ^P* '1 ò Í i ?k Á n c h i e t a, ^^"^^^"^^^^juíliçada caufa , & Nóbrega na fufííciencia de lofeph ,qúè nhii do Pa o acompanhaua , tanto na emprefa , como nos fentimen- amcterie fn'tos V & cVa ama^Q /.^ fonhccido .dc todos OS Indlos pof tre os Ta- f^^j partcs , & eloquènciá no fálai: Brafilico. Renouados acabar as pa- primciro OS voto$ íaticoscle lua religiam i na primeira ói- ^"'^'''^'^'■taua daTafioa de 21. de Abril,defpedl^^^^
íbs,Íc ! oftpli dos reusdifti poios, partiram os dous miíííona- rios pêra os lugareè fronrtiros dos Tamoyos : ôc chegara5 a fuás praias a 4. deMaio de 1563. 2 Difta efte lugar por computo do mefmo lofeph ,16. Defcnpçara (egoas de S. Viccnte correndo ao norte 5 altura de vinte T&moyos. & tres gfaos , &Z hum quarto. Tem feu principio vindo da Villa deS. Sebaftiam aoful , da vitima ponta da en- ^'y^-A- feada chamada dos MâramomiSi fronteira à Ilha dos por- cos , & correndo as tres efifeadas feguintes dos portos de Vubatjgba , & Laranjeiras , até enteftar com o gram Cairuçú , penedia disforme , efpanto de nauegantes , ôc cerco horriuetpellofertam , de altas ferranias , incultas, impenetraueis , muros em fim eternos da nature2a. Efte era o fitio daquelles bárbaros. Daqui fahia o mor terror dos Portuguefes daquellas partes ; & deftas praias defpe- diam numero de canoas guerreiras formidauel : & do fer- tam exércitos temerofos de frecheiros , que como feras rompiam as matas , & trepauam a penedia pcra poder ac- commeter , & nam podiam elles fer penetrados , nemac- commetidos. ' •"" ^"^^'^
3 No ponto que chegou a noticia defta barbaria, que tinha aportado a fuás praias gente eftranha , arma- ram logo fuás canoas à empedirlhe o paíTo 5 chegando poré a prefença veneraueldc Nóbrega, & Anchieta , ja conhe- cidos delles por fama devaroensinnocentes , amigos de Deos, dos Chriftaõs ^ 6c Pais dos Índios , Sc muito mais ouuindo a eloquência dasfaudaçoens de lofeph, em ftu próprio idioma , ficaram fatisfeitos, fíaramfe delles , òc en- traram emfeu barco fem receio algum detreicann.Ouui-
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LlV ROIICa Í^ITVLO V. 7^
fam os, meteram-osem porto feguro junto ahum Ilheo, & dcfpediramrc. Aó dia feguinte vieram os Principaes de duas Aldeãs pêra tratar princípios das pazes , ôc deixando no barco doze mancebos em reféns , mandaram que par- tiíTem eftcs à S. Vicente , ôc elles leuaram por terra os Padres com refpeito deuido.
4 Foram hofpedados na cazadchum velho por no- tne Caôquira , entre os Tamoyos Principal , & poílo que gentio , de boa ihdole , ôc pêra com elles de grande authoridade. Antes de OUtra coufa , armaram os Padres i^^ej^lc Igreja entre hum arUoredo , cuberta de palmas, pobre, í=»"ifiça6 cor mas limpa , ôc decente : Aqui fizeram aos noue deMaiobnbar°os.^ o primeiro facrincio , que vira entre íi aquella gente barba- ra , primeira acçam de graças dos noíTos , pelías mercês ate ii recebidas, & primeiro propiciatório pellas que efpe- rauam receberem miíTam , tanto do feruiçode Deos. C5 eílesfacriíicios continuaram todos os dias , & era grande oerpanro,ôcreuerenciadaquelia gente , que nunqua viri coufa femelhante Feita T^rejá , em lugar de íino , a vozes ^^""^ * altas conuocauam a lanta douctnna , primeiro os mim chnftam,fa6 nos , & depois os grandes , que corriam a bandos , huns'^^'^ cuuidos. a nouidade do a(5^o , outros a noticia dos filhos, por cu- rioíidadeiporém logo paííadosbreues dias , de veras, por- que ficauam conuencidos da eloquência de lofeph , & fuaspalauras , que como fetas penetrauam os coraçoens explicandolhescom frazes, femelhanças , 6c metaphoras propias de fua naçam , de que elles muito fe leuam ^ os miílerios de noííafanta fé, em forma , que refere o mef- mo lofeph , que breuemente chegaram a ficar inftruidos, Òc podcram ferbaurizados, fe eíliueram em parte fegura 5 & que fazia nelles grande impreííam o rigor dos caftigos eternos , com que auiam de fer punidos os que comiam carne humana,&:commetiam femelhanres delitos aosfeus^ pafmauam , & prometiam emmendarfe. A mefma doutri- na annunciaram nas Aldeãs circumuefinhas, muitas , ôc
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j6 Vida doP. Iosiph de Ancí!iita>
ntitMerofas ^ ^ moârauam afeiçam aos Padres , tendo os
em conta de homens, qae tratam com Deos , fuperrores a
todos fcus Pais, x^ueclies tem emcontade Profetas.
Defcobrem 5 I^ chegâuam a deícubrirlhes todas íuas traças de
aiVcph du55^ygj.j.^ ^& as que tinham preparado pêra de nouo acom-
fo>ça?d"e ' "" meter aos Portuguefes : Por mar eram as canoas duzentas,
gueira. por tetra eram todos os arcos , que habitauam as ribeiras
do Rio Paraíba , com pado feito , que deííem todos jun-
dos fem ceffar , até acabar com a Capitania , ôc fenhorea-
rem a terra. Entam deram por mais bem empregados os
trabalhos , & perigos de fúa milTam, quando a viftadeftes
apreftosconfiderauam os dos noíTos tam diminuídos em
6 Eftando as couzas neíles termos também afTombra- nXcuío dos .foy corrédo pella coíla a famafempre acrecentada,de co- **" arilnd ™^ °^ Padres eram chegados a paragem chamada por lua fo%nteT'linooaaem íperoig, & oa que vinham 5 a efta voz todos cípTi" mr"qu? habitauam nas partes do Rio de laneiro. intereííados tar®sPadres,j^^u^efj^a auerra, fe alteraram , tomando mal o trato & eftormia.. ^^^ ^^^^^^ Partiram fem demora de diuerfas partes em fuás canoas os mais zelofos , determinados a matar os Padres, ôc com fua morte eílrouar os concertos. C hegou entre todos primeiro com dez canoas a ponto de guerra cfquipa- das , hum grande Principal chamado Aimbiré , amigo dos Francezes , & fogro de hum delles , inimiciííimo dos Portuguezes , porque fora aíTalteado^ delles , metido em huma barca com huma ferropea nos pés, donde fogira a na- do 5 lembrado da injuria , &: de natureza tam cruel, que por há erro que cõtraellecommeteo hua de vinte molheres „ . . que tinha,a mãdou abrir viua, & tormentar até morrer.Eíle rigoT^idr^ois chegado a Aldeã , onderefidiam os Padres, tratou de dosPàdrc. J^^.^^ ^^^ ^^ ç^^^^ ^yg feni duuida os mataffem na mi- Ihor occafiamque podeíTe, & aposiírolançaíTemmaÕdo barco , ôc dos Portuguefes que alli os trouxeram.
7 Feito efte confelho fecreto , ao dia fegumte de-
zejando
Livro lí. Ca ^. Vj?
í^r
Entram eni das
zejando OS anciãos da terra tratar das pazes ; quizeram íe^^"J[*"J achaííe prefente eíte Principal das dez canoas , por fer en- pazes. tre elles de grande authoridade ; Sendo auizado, veio à junta 5 porém com grande multidam de armados, mo- ílrando bem Tua tençamíacrilega. Fauorecia mais a occa- fiam de fua maldade , que no mefmo tempo fe achauâ auzentea maior parte dos pou os daquellas Aldeãs j idos a (eus lauores. Tudo prefentiram os dous feruos de Deos 3 porém feu coraçam eftaua forte , dczejofo de pa- decer a maós áos infiéis por caufa tam jufta. Chegados aos votos das pazes , o defte Principal foy dirigido a ícu intento 5 & a primeira condiçam que propôs compropoft^aé grande arrogância, foj que lhe hauiam de entregar pri-imbuè. meiro três Principaes dos Índios de S. Vicente 5 que fe ti- nham apartado dos feus, dandolhe guerra em fauor dos Chriftáos , pêra os matar , & comer. A eíla propoftataô iniqua , refponderam os Padres com grande quietaçam, ôc n-odcftia , dando rezam da impoííibihdade 5 porque oSp^5°^j**^°^ qu ' p-diam , eram ja da Igreja de Deos , & amigos dos Portuguefes : E fendo aíli^ nam era poííiuel entregarlhos , porque iriam contra a ley de Deos , 5c palaura dada ; Que entre Chriftaõs a primeira coufa, queandaua ante os olhos era a guarda da fé, & lealdade , a quema prometiam, ôc que tendoa prometido àqueiles Principacs, como que- riam clles queaquebrafíem í' antes daqui era bem que to- maífem exemplo pêra folgar de ter por amigos os queaf- íi fe rxioftram confiantes na palaura dada 5 ôc o contra- rio deuiam eftranhar , collegindo que quando com aquel- les fe qiiebraua a fé . também fe quebraria com elles ; Qud por outras vias poderiam moílrar os Portoguefes íerem amigos feus , mas que nam conuinhá por efta.
% Diííeram os Padres , & moueram com fuás rcfoeá os circundantes , porem o peito deííe bárbaro ficou tam^"[^^^V^^ duro , como de primeiro, ôc concluio com mais foberba, & arrogância com eftas palauras em feu eílillo : Pois que
K iij vos
r^:->€.^ ^
Findobuçu.
âlTento vi mo que fe
ÍOtíSOU,
^8 Vidado P. Ios£pH Anchieta,
vos outros íois efca^os de meus contrários , que tem mor- to, &: comido os meus , & nam os quereis entregar , nao •tenhamos pazes 5 & viroufe defcorteímente à outra parte filando os que o feguiam armados com o olho nelle , ef- perando o minimo aceno do que ouueíTem de fazer: Pore neíleeftado tomou a ma5 o velho Pindobucu , Capitam da Aldeã , & com taispalauras Ihemoftrou fua pouca re- zam, que ram oufou paíTar adiante , ou porque entre efta gente he grande o refpeito que fe guarda aos velhos j os quaes veneram como pães 5 ou porque Deos lhe intimou a eííícacia com quefallaua. Nam era com tudo coufa fácil à desfazerfe a dificuldade daquelle apaixonado Principal, que dependiam as pazes muito de feu voto 3 porque fala- ua em nome de muitos , que eram quafi todos os do Rio de Janeiro, mas pêra diuertir o negocio aííenta- ram hum meio, ditado parece do Ceo,& foy que o ponto dos três Principaes que pedia , fe mandaíTem propor a S. Vicente as cabeças maiores do gouernc. Aceitou o bár- baro a condiçam, ôc quis elleíer o embaxador da propo- íla, confiado que, ou fairia com afua , ou com fuás ca- noas perturbaria o eílado das pazes , aífalteando os lu- gares dos Portuguezes, Porem Deos difposao contrários porque os Padres efcreueram aos da Republica , que de nenhum modo deíTem ouuidos â propofta tam impia , ain- da que por negala pofeíTem em perigo feus legados de fe- rem mortos , & comidos dos bárbaros : Segundo o que nam teue effeito eíla parte : Nem também a outra da intençam do embaxador ; porque foy recebido , & tra- tado dos Portuguefescom tais fauores , que entrou eo- tente , & de pas.
CAPI-
*^. IivròII.Gap. cVÍ.;
•17.: CAPITVLOVI. 'í't"P«í-i ■
Correm os Padres outro nõtauél perigo du^da^ Efcapam delle por mercê de Deos .• Pajtnam os c*-;/ iarbaros de (ua continência: Efirmã[eofegm^^ \ do a ffento depares. b^m'sv\ . ^^f}o^^í: <.
l V REs ia osPadresdo perigo aííimà , en-
tram no legundo mais apertado porque an- ^igo j» vidt
dando ambos na praia, encOmmendan-^"!,""^""'
\ r Ti^ n ' osPalreí,-,
doíe a Deos como coítumauam ^ viram quecomo fcram vinha iiuíDa canoa a toda apreíTa , efquipada com trinta re-^*""'* meiros , ôc demoraua pêra o porto onde eftauam. Eerao cafo , que vinha nefta Paranàpuçu » que quer dizer mar efpaçofo , Índio Principal , filho do Capitam que gouer- nauaaquellamefma Aldeã , onde os Padres entam habi- tauam ( por nome Pindobuçú , que fignifica palma gran- de , muito amigo noífo ) deixando atras outo canoas que capitaneaua j o qual fabendoas nouas que tratauam os Padres de pazes , & tinham pevfuadido aella feu Pay , vi- nha a toda a preíía reíoluto a tirar a vida a taes embaxa- dores , por perniciofos ao bem commum de fua naçam ; B tinha dado ordem aos feus , que em chegando lançaíTem mão dos Padres, ôcque elleos mataria ; Porque meu Pay (deziaelle)he velho, & nem por iíTome ha de matar. Vê^ do poisosferuos de Deos a canoa , fabendomuybem quã mal tomada fora fua vinda de todos os do 1^ io de Janeiro , ôc que tinham confpirado em fua morte , furpeitaramlogoo que era , & começaram a retirarfe ao pouoado da Aldeã j ^^^^^^^ d iftante como quinhentos paííos. Porem aqui traçou o Ceognciofo. hu como entremesgraciofo. Era Nóbrega velho , & Ipfeph rendido pellas coftas, a retirada longa > & tinham hum
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^ V 1 b A-Bô fé Íò-ÍE-PH Anchieta;
rio , cjuepaíTar, fem peíToaalguma^que os ajudaííe : Tudo fazia áiiicuMadevmas era fdrca eoncraftállá. Apertarámo paíToquantopuilê^fa^ pòr^queilas ajrçis feitas , mal fegu- ras , fenam que chegando ao rio , quis parar Nóbrega pe- Taíefedí^f feuÉriá:^ 6átas que na \'eíhice lhe tinham recei- tadc).:Q,%^dicos;^^5ie4içina de fei^s aeháqiiçs 3 via lofc- jh^.qijea canoa inimiga vinha voando , &: nam daua lu- 2iar a vagares ; tirou forças da occaíiam , & tomando ove- lho âscoílas , pretendeo paííallo aoutra partejmas cõmo eram ellas quebradas , & o fogeito fraco , gemendo com a earga^ , no meio do pio j deu com ella nagoa, rq0l|ian- ii;, dofe ííam fomente as botas , mas todo o rnais fato. Que
-Br- gracioío a<5i:o efte pêra oGeo, que eftaua à mira, ôc fol- rni-í i ^ gauade ver as ãc(pQns deílàs duas figuras. 5 que fariam molhados , & pe^à^os, avíftadas azasda morte, que na canoa vinha chegando. Meteramfe entre o efpeíTo do ar- uoredo, ôc tirando Nóbrega as botas ,& ambos a roupa, deixând^D fomente a interior, que nam pode efcuzara mo- deftia , tornaram a tentar o caminho com o faro âs coitas, mas como eíle era pezado , Ôc a vereda ladeira ingrémej cançados tornaram a parar. Ia nefte tempo hiam ouuindoos golpes dos remeiros apreííados , a cujo aíTom- brofe dauampor rendidos à morte: Porem depois de poílos de joelhos em oraçam , quando mais faltos do fia;- mano , traçou a prudência diuina , que hum índio dejcir do ali da Aldeã ^ como a cafo/lhe leuaíTe o fato , ôr psr ajudaííe , ate introduzillos , antes de chegar a canoa., iia' mefma cafa do Pay do Capitam do Capitam dellá% q Brincipal Pindobuçu. ioq^Uii
Acabícm bí ^ Námfe acabou aqui a comedia 3 porque eftaua' âvP ointentode zcntc da caza O fenhor delia Pindobuçu , em quem con- atâDapuçu» £^y^j^ osnoíTos , & vinham chegaudo OS contrarios Que remédio /o Ceo , parece que andaua de propoíito compo- dpfcenas , pêra fahirao depois com hum fim alegre : Por- que entrando o fenhor da canoa accompanhado de muitos
feus
tTVRoII.CAVVl. niV i5jf fcuscm cazado Pay,achando o auzonte , ôc aosReligio- fos portos de joelhos, cncommendandofea Deos, ôc rezan- do as Vefporas do íanro Sacramento ( porque era o dia fc- guintc do Corpo deDeosJefperando por feu vitimo trago no tempo que chegou a fua prefença aquelle animo dana- do 5 conccbeo tal terror , ôc refpeito que ficou parado.Con- ucrteo a fúria cm pratica, & ouuindoas palauras , cfpe- cialmente de lofeph , eloquente cm fua lingoa , acabou de mudarfcconfeííou de plano o intento com que partira, ôc o com que entrara naquella caza , mas que em vendo fuás prezenças , Ôc ouuindo fuás palauras ficaua ja troca-» do , & pcríuadido , que peíTcas racs nam vinham com traíram , ou engano.
3 Veio de fora o velho Pindobiiçu fenhor da caza , & ^^^ ^ p.^ . fabendo do fucceífo do filho , moílrou roílro alegre, fi debucòdefò- gnificando que fentiria muito, fefuccedera algum mal aos"* Padres. Era índio de boa capacidade , 6c chamando o fi- lho a parte , lhe fes huma pratica , fobre a grauidade Pratic. que de coílumes que víraemfcus hofpedes : Gaboulhe fua^"*"^'*""* ap:aíiuel prefença , fua grande conftancia de animo, def- prczador de todos os trabalhos , & como entre tantos què' procuraram oífendelos, nunqua defcompuferam fua fere- nidade s & concordou em tudo com o conceito que forma- ra o filho. Huma coufa fobre todas as outras tinha admi- rado efta gente, & era cfta a grande continência que guar- dauam , porque tendolhc ofFcrecido os Principaesdaquel- las Aldeãs liberalmente filhas , &Irmans , coílume commum entre elles , com a mcfma chaneza.ôc facili- dade quefe brindaram huma cuija, ou copo devinho.viaõ quefempreos Padres as rep;ciraram. Difto pafmauam. & ''*^'*^*™^* cnegaram a preguntarlhes , como era poífiuel aborreceredosP'<ir«, o que todos os outros homensappctcciam .'^refpondeolhes,^,^,''','/^''^ a iíío o Padre Nóbrega , tirando da algibeira humasdifpli- <*«'**• nas , moílrandolhas , ôc dizendo que magoando com aquel- las feu corpo , aífegurauarn a continência, & defendiam
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^ Vida doP- IosipH de A.Iic ht Eta, 4e Ímpetos ^lafciuos, & vmouimentQS defor osnado^ da carnCé Aqui fícaraxji elles niais acçniicOs de jcòufa -tam nona. Tinham aos Padres nor amÍ2;95 do Creadox das couzasj ticàie Findo- ^ cntre rodos Pindobuçii najo QeUanà de.praíicaraos ieus ''"^^* tjae eram Jiomens , qaefalauam com Dcos , aosquaesxlLe d^efcobiria íeus fecreto^ ; E aos do.K io de lanelro dizia , que yiííem que £e algum àggr ano IJnes faziam , hauiam de fazer vir do |Ceíb.n;^ortaodade de peíles coníra elks. Punhalhes lexemplo ; S,e pos ;outro5 temos medo de no&s Paes ( fam ícus feiticeiros) Ôc naai ouzamos offendellos 5 quáto mais o deuemos ter deftes Abarés(aííi chamão aos P P.)queíam ver- dadeiros Paes,fallãocõPeos, & nos lançarão (íequizerem ) camarás de Tangue, & febres malignas,comqoe todos unorr ramos ? cõ eftas pratí^cas de Piiidobucú,ningl]cm íe atreuia à tratar mal aos Padtes, ôc .trataua-os elle coo^o íilkos , & lhes pedia o encommendaííem a feu Deos : Quenam ret meífem 5 que elle » & os feus fe poriam em terreiro por .^,,., ellfts. ,Çoinful;taMa-os todos os dias, ouuindo com gràiidc .;rí;B í atjençam, eípecialmente os mifterios da creaçam do mu- do, & Encàr;jaçam do filho de Dcos ; E fendo combati- do por varip vezes dos quecada dia vinham do Rio , que mataffeíin os Padres,, fempreos defendco , abominando a tal refolgçam. AcHàuare fempre prefeme âMiíía , & paí- maua de ve;r aquellasfa gradas ceremoruas 5 ^ifoydema- FiT,áitofoteneirafeuapro;ueita:tB.ento,que por premio do€eofoy cílc Pmi.bu^íi. v.eaturoCoJndioPindobuçú, depois de perfeito carhecu- mcno dos Padres, hum gwnde Chriftaõ, notauel entre mi^itopj & como, tal obrou ate o fim da vida. V . A Che2áuafeOítem.po deconcluir o aííento d35 pa-
Srgiindó CO. ^ • O * r-^ r i\ C ^c O-^
(cihoÁjiPi' zes , jentraram outra vc;z tm iLonlelho prelentes os ra- dres. Aqui djefabafaramentam alguns dos Anciãos , quei- xandoíe de ^í^itigâs magoas. Diziam que os Portugucfes fo- ram os prinleiros qtie quebraram as pazes , firmadas de huma . & outraparte , lhes fizeram guerra , & os catiua- rgm, & tra,tauam , como beílas de carga : Vos outros ,
(deziam
dres.
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Livro II.C AP VI; , /
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(^ diziam elles) quando nos cometamos guerra contra Ti- AÍ^-^ôsf"** miminos ciente dograndc Gato, confiados na mulcidam de arcos de noííbs inimigos , os ajudaftes pelejando corti clks contra nos 5 mas Deos nos ajudou ,& podemos mais: Porem a^ora : ôc aqui calaram. Sabia mui bem o Padre Nobreí^a , que tudo o que diziam era verdade- E parece- dolhe fazia melhor negocio em conceder com elles , dif- íclhes aíTi Eu porque lei que Dcos efta irado contra os meus , me offcreci a vir tratar pazes com vos outros pê- ra com iílb o amançar .- Porem agora por fua parte narrt feham de quebrar eftas pazes , que por iíío trago eucâ a minha cabeça , & a de meu companheiro fem medo al- gum, porque trato verdade. Mas também vosaffirmo da- qui , que fe vos outros as quebrais, entendei , que a ira de Deos fe ha de vir^ircontra vos, & haueis deferdeftroi- dos. Eíledito de Nóbrega , afíírmao Padre íoíeph, qucRcfoem ao» ramfoy fomente ameaça , mas profecia , que depois feP*'^^"- vio cumprida a rifca, porque todos os que quebraram cftas pazes, experimentaram os ameaçados caíligos. Por profecia a tiueram os mefmos Índios , &c com tal a foram publicando pcllas Aldeás, & Cornélia metiam medo aos que tinham penfamento contra o que allíaíTcntaram ^ No que fempre fe acharam confiantes os moradores de 1 perujg, & pello contrario fraquearam os do Rio de laneiro, êc Cabo frio.
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81 Vidado P. losEPH Ancíiiet A,
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CAPITVLOVU-
fie/õhe, NobregâpaniffeâS^ Vicente : Auerigua . ahi tre$ Pfofecm de Ivjeph : Fica lafepb (ò ■ emre 0$ bárbaros : Seu modo de viuer admi- rauel: Compõem a vidrada Virgem Senhora IsíoJJa em verfo i & promete lhe ella , que nam ha de morrer em quanto a nam acabar ^ por mais ajjombros que os bárbaros lhe mnam..
•o V s me^es hauia, que refidiam os Padres entre os índios , & nam acabauam de conn cluir as pazes , pofqae dependiam amda de algumas circunftailGiás: Pêra que eftas tiuef-
R.foiueN.. Tem efícitô » pareceo fer muy neceííaria aprefença dos Pa-? ^%%P;"'''"drescm Sv "Vicente, ôtaíí) lho fi^nificaramos do Gouerno' i., & deixar ^aquellâ Villa; poréni os bárbaros , que -amda de todo íe Í:t'b:r nam dauarti por regoros . derconfianam fem duuida , fe por bem da ^^^^5 jj^ vltima aUênguaçam fe lhe fôfem os Legados das ^'''' pazes. Pello que feita^nefta difficuldade oraçam , reíoluco
o Padre lofeph conílgo , que feria feruiço de Deos parrir a cõtendâ,& cõtentarhua, & outra parte > indo o Padre No- brega, &ficãdoelle,&aíri lho incimoM-Sentia Nóbrega de auer de partiríefem vitimo eííeito, &muitci mais deixado o copaíiheiro fo entre bárbaros : Vertdocõcudo a refoloçio que o mefmo íofeph tomara , 5c tinha por de Deos , & a ne^- ceíTidadeVígencederuâidapera bEdas pazes^queficauaÓ aííi contentes os Índios , cujo'de%olío ftriapccafiamde muito dano nefta matçria, refolueo partirre*
2 Hauia de embarcarfc Nobfégá ao outro dia pella
ma
Livro TI Cap.VíI. ^ . «5 hinnliarti s na noite antecedente teuc loíeph conhecimento de trescazos occultos, que Deos Ihereuclou , &cllecom- J;°^';;""'p. municoii ao Padre Nobrcna por cauías iuílas. Foy o pri- Nobre; «ms meiro , que aquella propia noite entráramos bárbaros a ^_,,i5uçrad(í. fortaleza de S. Vicente , mataram o Capitam delia , & fuâ^^Q*- molher , ôc leuaramcatiua fua familia. Segundo, que tu- Jano, ( homem conhecido , & amigo de Nóbrega ) pof delaftre de hum carro , que pafíou por íirtna delle , era falecido. Terceiro , que chegaria fedo a S. Vicente hum Galcam de Portugal , carregado de fazendas Com a noti- cia deftas três Profecias panio Nóbrega na menhamdefti- nada, nam muito eípantado de que íoubeííe couzas tarrt occultas ( pella experiência que unha de feu grandeefpiri- to. \ Cheaou a S. Vicente no fim de lunho do corrente Auetigu» anno, ôc auenguoulogocom magoa lua lerem as duas p ri- s Vic'ntcâs meiras Profecias verdadeiras 3 porque os inimigos ^^^^^^^"^^^'hf'^"^^ entrado â fortaleza , morto o Capitam , & fuá molher, vèidideiraí. ôc kuado catiua todafua família ; & o amigo erà rrtorto pello fucceífo trifíe docarro. A terceira profecia fe cum- prio logo 5 porqiie depois de chegadofinco dias, aportou o Galeam , quediííera aquella Villa, dando por tudo Ko- brecra muitas cracas a Deos. Foy recebido emi S. Vicente, como aquelle que era Pay de todos, ôc que de prefenre ti- nha acabado a coufâ de mais importância daquella Re- publica , tanto afua cufta > ôc fem opreíTam alguma Ao
V. - t ^ j Traíam do
Pouo. Começou a tratar com os do Gouerno á cerca davicimofimdt* vitima auer iguaçam das pazes, infonmou-os ,oc concluio'*^"' tudo bem. AosTamoyos que ali achou , fez grandes mi- ríios , ôcagafalhos, Icuando os a noíTas Aldeãs , & re- creando-os afim de ficarem contentes, Ôc firmes na paz. Pôfem em quanto o Padre Nóbrega em S. Vicente trata cftas couzas , tornemos a acompanhar a lofeph, que ficou fò entre gente barbara , continuando reféns das pazes^^ ' :' '^i*-- Nam^fey que maior proua podia fazer o Ceô em hiitna alma^muito mimofa fua , qtiede propofitò qaifeífe
L iij laurar
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«6 VidXDÒ P. ToSEfH xANClífiTA;
laurarparà fi , que a cjuefcz com o noíío lof^ph, Nam he hum fpeótaculo de Dcus , dos ^ njos ^ & dos homens , ver *, . , r- hum mancebo na flor da idade, de trinra annos, ainda naó gutânçt de cabacs > no mor vigor da nacureza , oc quando